quinta-feira, 29 de junho de 2017

O que agrada a Deus

Jesus, quando veio à Terra, escolheu doze homens sem instrução para serem os seus discípulos. Não eram letrados, nem doutores da lei, eram pescadores simples ou pessoas que exerciam funções comuns na comunidade. Fico me perguntando se hoje, tendo Jesus escolhendo as mesmas pessoas não seria Ele questionado dessa maneira: - Por que mestre escolhes pessoas tão sem cultura e esclarecimento para serem responsáveis por sua Boa Nova? No que Ele responderia de imediato: - Escolho-os pela pureza de seu coração. 
Pessoas sem maldade, despidas de orgulho ou vaidade são as que carregam os fardos mais pesados e têm, no futuro, as alegrias mais doces. Se Maria pensasse no quanto iria sofrer com seu Sim, não aceitaria Jesus em seu ventre. Se Davi se achasse incapaz por sua estatura, nunca teria sido um bom rei. 
Não se ache menor porque alguém lhe diz que você é inferior. Inferior é quem acha defeitos no lugar de qualidades. Quem olha só o lado negativo da vida acaba por perder o lado bom de viver. 

domingo, 4 de junho de 2017

Juízo final

Não, velha amiga, não adiantará sua prece, as novenas que faz para todo o santo do calendário católico e sua falsa beatice, o inferno é seu lugar. Não ache que entoar cânticos que ensurdecem os pobres vizinhos seus e mandar frases reflexivas para todos do trabalho vai te abrir as portas do paraíso, pois o seu coração é putrefato e vil. E olhe, não é julgamento, é constatação. A divindade que você finge servir não se vale de mentiras. Então já sabe, comece a utilizar bastante o forno de seu fogão, a se acostumar com o calor que sai das bocas abertas no fogo alto, torre ao sol, é a forma de ir se habituando ao lugar que passará a eternidade de seus dias.  

Júlia Siqueira

Muitas vidas, um ensinamento

Aquele homem franzino e tristonho sentado naquela mesa de canto no bar mais movimentado da cidade sou eu em uma vida anterior. Era solitário, como a primeira estrela que desponta quando o sol começa a sumir no horizonte nos dizendo que o dia se finda, e possuía qualidades que nem mesmo sabia. Era uma alma jovem, um espírito que precisava se depurar com o tempo, precisava passar por tantas provações para se tornar brilhante e radioso, assim como o ouro necessita ser posto à prova em altas temperaturas para dali sair uma bela joia. Bebericava ali algumas doses de um conhaque ruim e meditava em tudo aquilo que havia visto naquela vida até ali. Morreria de cirrose hepática num leito improvisado no fundo da casa de uma vizinha bondosa.
Na vida seguinte, havia articulado para que tudo fosse diferente e, depois de tantas coisas que vivi em experiências anteriores, acreditava que seria tudo melhor. Mas um véu de esquecimento cobre nossos olhos e as promessas ficam adormecidas esperando uma carga alta de adrenalina para emergir. Não cumpri metade daquilo que quis fazer. Voltei.
Sentei num banco numa praça arborizada e decidi escrever os planos de minha vida seguinte. Depois de muito pensar e ponderar escrevi em letras gigantescas na folha branca a palavra APRENDER. Não queria programar nada, apenas imaginei uma vida de aprendizados, se fossem doloridos, que tivesse força para suportar o fardo, se fossem momentos de deleites que eu soubesse agradecer. E entendi, que ainda que a vida seja pesada, um fardo gigantesco que por vezes queremos abandonar no meio do caminho, ela é no final um grande e eterno aprendizado.