sexta-feira, 26 de maio de 2017

Onde estou?

Não, eu não me importava, poderiam dizer o que bem quisessem eu estava ali, firme, rocha que não se altera por qualquer abalo sísmico. FIM. Perceberam que a palavra IMPORTAVA está no passado? Pois é. Hoje eu me importo. Tenho dado ouvidos a conversas e olhares alheios quando passo na rua. Tenho visto infinitos tutoriais de comportamento, moda, beleza e mais um monte de coisa que sei que não usarei. Sigo dietas, gasto com comidas fit, treinos do momento e aplicativos que insistem em me dizer que preciso apenas deles para ser feliz.
Procuro minha autoestima nos escombros de mim. Cadê aquela pessoa que se importava apenas se as roupas estavam limpas e bem passadas? Cadê aquele ser que comia por felicidade sem se importar com as calorias contidas nos alimentos? Eu que não tomava Ômega 3 e nem poli vitamínicos para as unhas, pois sempre achei-as bonitas para isso, hoje viro o frasco de pílulas coloridas de felicidade goela abaixo. Ouço músicas que pioram meu estado de espírito, de “na bad” pulo para o depressivo-suicida, ainda que não tenha coragem de fazer um mínimo corte em qualquer parte de minha pele, afinal seria um dinheiro mal investido dilacerar minha pele tratada pelos caros cosméticos suíços.
E agora? O que faço? Como volto e reinicio esse jogo que não sei como finalizar? Onde consigo encontrar a minha desimportância das coisas? Qual é o botão de mandar esse mundo à merda e voltar a me enquadrar em minhas próprias regras torpes, malucas e, ainda assim, sensatas? Perguntas... Sem respostas, é claro.

Júlia Siqueira

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Tirania

Vivemos um momento em que as ideias egocêntricas de alguém têm que se constituir como verdades absolutas e incontestáveis e toda e qualquer coisa que destoa disso é considerado porcaria. Ele é tão perspicaz e inteligente que aquilo que pensa começa a ser comungado por tantas pessoas, e defendido por elas, a ponto de se sentir tão forte, ego inflado, capaz e prestes a dominar o mundo (pelo menos é o que se acredita). E hostiliza o diferente, e acha que quem pensa fora da caixa é uma ameaça. E assume uma atitude arrogante diante disso, e autoritária também. E sente uma necessidade masoquista de pisar nas pessoas e maltratá-las se transforma em meu melhor passatempo.
Mas no final das contas quando o jogo acaba, todos são perdedores querendo acertar alguma coisa nessa vida, precisando de algo que valha essa existência, acabando todos, pseudo-sinceros donos de si e proprietários de nada, com terra na cara a sete palmos do chão. E as glórias sonhadas por ideais defendidos viram carne pros vermes, e o esquecimento reina até a subida do próximo tirano.