segunda-feira, 17 de abril de 2017

Estranho amor

Eu poderia enumerar em uma folha, dessas grandes de papel almaço, frente e verso que te amo porque você consegue realizar todos os meus desejos materiais, além do mais é prestativo, lava a louça quando estou com preguiça e arruma o quarto, por vezes. Ah... além de colocar o café pra mim, trazer água quando peço. Mas isso soa um amor interesseiro e te faz um lacaio europeu que veste seu amo com os maiores cuidados. Não parece a gente.  Então posso afirmar que nenhuma dessas características, que deixariam qualquer pessoa na face deste planeta feliz por tê-lo ao lado, me satisfaz.
Na verdade, o meu amor travestido de maluques é por você não parecer tão inteligente quando discutimos política ou televisão, e assim, mostrar minha sabedoria em assuntos do qual me saio melhor. É ver você irritar com músicas famosamente desconhecidas, pelo menos pra seu gosto musical deveras diferente, ou ainda, ouvir palavras nada católicas em um ambiente religioso (sacrilégio que me faz pagar maravilhosas penitências). 
Sim, eu não sou fã da subserviência ou a caretice do politicamente correto dos casais atuais, presos em modismos ridículos. Gosto quando somos o contrário, mesmo já sendo, e escandalizamos as regras sociais do amor. É aí, nessa bagunça, que você consegue a bruxaria pagã de me fazer te amar ainda mais. 


"Nós somos feito muito pra nós dois"
(Caetano Veloso)

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