sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E eu que nunca achei que iria realmente casar...

Sim, eu realmente pensei que nunca chegaria esse dia. Acreditei, por vezes, que isso já não fosse mais possível, mesmo com vinte e poucos anos. Mas aí você que me lê talvez pergunte: nenhum dia de sua vida chegou ao menos fantasiar essa possibilidade? Nunca pensou realmente em seu próprio casamento? Ah, isso sim! Flores do campo colocadas com esmero em todo o ambiente que seria, é claro, um grande hotel fazenda que pagaria até o resto de minhas vidas terrestres, todos os convidados devidamente vestidos de branco (não é um casamento candomblecista, mas poderia até ser, pois não acho que Deus seja católico, apostólico e romano, Ele não seria tão chato de ser exclusivista assim), violinos tocariam a marcha nupcial - uma música brega de Diana (diva dos anos 1970) – meus pais se debulhando em lágrimas (de alegria obviamente, pois eu consegui o feito de alguém finalmente me aceitar e me querer! MÃE, FIZ MEU NOME!), meus amigos felizes e preocupados, afinal nossos próximos passos serão batizados, festas de aniversário infantis, brigas judiciais e velórios chatos de familiares desconhecidos, tudo no melhor estilo “vida normal” de ser. E no meio de toda essa confusão, chego eu, nervosa, ansiosa e com medo do padre idoso que minha tia escolheu para a celebração tenha um ataque cardíaco e morra antes de celebrar meu casamento, no melhor estilo comédia romântica hollywoodiana.
Mas, “hello”, estamos no mundo real e eu definitivamente não sou a Jennifer Aniston. Não é assim que as coisas acontecem no concreto. Eu me vi casada de uma forma distinta e nada semelhante a essa. Algumas roupas começaram a ficar em casa, e não eram minhas, pois nem torturada usaria uma cueca verde-militar. Os finais de semana começaram a ser em casa e vi que a Netflix tem um catálogo infinito de filmes e séries. Aquela toalha a mais no banheiro e aquele par de havaianas encostada ao lado da minha planta favorita na entrada da sala começaram a fazer parte da decoração da casa. E algumas contas apareceram misteriosamente pagas antes do final do mês e começou a ter café de gente em casa e não apenas aquele horrendo que dissolvo na água enquanto tento me arrumar, escovar os dentes e não chegar novamente atrasada no serviço. Ufa!
Casar é isso, não é um conto de fadas idiota da Disney e sim uma pontinha da realidade dizendo que podemos ser maravilhosos sozinhos, e somos, (eu sou fantástica sozinha, mesmo, sem modéstia), mas que a felicidade pode ser ainda maior quando temos alguém com quem aumentá-la. Casei? Acho que sim, digo todos os dias a mim mesma, quando procuro o controle para baixar o volume da tevê e vejo que qualquer história de princesa é merdinha perto das loucuras incríveis do mundo real.


Júlia Siqueira

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