domingo, 20 de novembro de 2016

O ano que ainda não acabou...

Em janeiro tínhamos o desejo de que as coisas melhorassem e que não ficássemos presos numa continuação tão ruim quanto o ano anterior, alimentando hora após hora, minuto a minuto, essa certeza em nossos corações. Mas não foi assim. Tivemos a forte certeza, com o passar dos meses, de que o que já era péssimo, conseguiria uma forma ficar pior. Racismo, intolerância religiosa, violência, bipolarização política, desigualdades, mortes, doenças, choro de mães que viram seus filhos morrerem em sua frente, corações dilacerados por ter que procurar refúgio em países que não os aceitam. O mundo mostrou sua pior face, como se estivesse cansado de exaustivamente maquiar o seu verdadeiro eu.
Talvez eu esteja sendo muito pessimista. Sim, de fato, aconteceram coisas boas e tivemos bons momentos. Mas os tivemos apenas como paliativo de nossas próprias misérias. As coisas poderiam ter sido melhores, acredito, se as nossas esperanças não ficassem apenas atreladas as nossas esperas. Esperar que o outro não mate, que o outro não maltrate, que o outro mude. Esperamos muito dos outros neste ano que se finda e não fizemos nada para que a esperança brotasse em nossas ações. Ficamos sentados vendo o mundo passar, preocupados demais com os nossos egos inflados entre selfies e textões de rede social, ambas vazias em si mesmas.
Daqui a algumas semanas, quando um novo número se colocar diante de nós no calendário e um novo ciclo se iniciar, começaremos a nova trajetória de esperas. Espero que nós consigamos ser essa mudança que tanto clamamos, que tanto almejamos e precisamos, para que finalmente se finde este ano que ainda não acabou. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E eu que nunca achei que iria realmente casar...

Sim, eu realmente pensei que nunca chegaria esse dia. Acreditei, por vezes, que isso já não fosse mais possível, mesmo com vinte e poucos anos. Mas aí você que me lê talvez pergunte: nenhum dia de sua vida chegou ao menos fantasiar essa possibilidade? Nunca pensou realmente em seu próprio casamento? Ah, isso sim! Flores do campo colocadas com esmero em todo o ambiente que seria, é claro, um grande hotel fazenda que pagaria até o resto de minhas vidas terrestres, todos os convidados devidamente vestidos de branco (não é um casamento candomblecista, mas poderia até ser, pois não acho que Deus seja católico, apostólico e romano, Ele não seria tão chato de ser exclusivista assim), violinos tocariam a marcha nupcial - uma música brega de Diana (diva dos anos 1970) – meus pais se debulhando em lágrimas (de alegria obviamente, pois eu consegui o feito de alguém finalmente me aceitar e me querer! MÃE, FIZ MEU NOME!), meus amigos felizes e preocupados, afinal nossos próximos passos serão batizados, festas de aniversário infantis, brigas judiciais e velórios chatos de familiares desconhecidos, tudo no melhor estilo “vida normal” de ser. E no meio de toda essa confusão, chego eu, nervosa, ansiosa e com medo do padre idoso que minha tia escolheu para a celebração tenha um ataque cardíaco e morra antes de celebrar meu casamento, no melhor estilo comédia romântica hollywoodiana.
Mas, “hello”, estamos no mundo real e eu definitivamente não sou a Jennifer Aniston. Não é assim que as coisas acontecem no concreto. Eu me vi casada de uma forma distinta e nada semelhante a essa. Algumas roupas começaram a ficar em casa, e não eram minhas, pois nem torturada usaria uma cueca verde-militar. Os finais de semana começaram a ser em casa e vi que a Netflix tem um catálogo infinito de filmes e séries. Aquela toalha a mais no banheiro e aquele par de havaianas encostada ao lado da minha planta favorita na entrada da sala começaram a fazer parte da decoração da casa. E algumas contas apareceram misteriosamente pagas antes do final do mês e começou a ter café de gente em casa e não apenas aquele horrendo que dissolvo na água enquanto tento me arrumar, escovar os dentes e não chegar novamente atrasada no serviço. Ufa!
Casar é isso, não é um conto de fadas idiota da Disney e sim uma pontinha da realidade dizendo que podemos ser maravilhosos sozinhos, e somos, (eu sou fantástica sozinha, mesmo, sem modéstia), mas que a felicidade pode ser ainda maior quando temos alguém com quem aumentá-la. Casei? Acho que sim, digo todos os dias a mim mesma, quando procuro o controle para baixar o volume da tevê e vejo que qualquer história de princesa é merdinha perto das loucuras incríveis do mundo real.


Júlia Siqueira