domingo, 29 de maio de 2016

Sobre viver e mudar

O homem primitivo era aventureiro. Nômade, ele buscava melhores condições de vida em lugares inusitados, e dessa necessidade ele atingiu lugares nunca imaginados, ocupando a vasta extensão territorial da Terra. Mas esse homem antes desbravador começou a ficar preguiçoso (sedentário seria a palavra mais correta), a agricultura e a criação de animais o havia deixado estável, não precisando mais correr riscos e percorrer grandes distâncias para que a sua fome fosse resolvida. Então ele viu que deveria viver sua vida para o amanhã, pensando num futuro que por vezes não viria, investindo em construir um império seguro diante de si, mesmo aqueles mais miseráveis pensavam no porvir.
Mas que é que nos dá segurança? Um emprego estável, pessoas em quem confiar, um imóvel quitado e um carro com prestações prestes a serem pagas, um plano de saúde e um seguro de vida caríssimo? Essa é a nossa meta de vida? Ficar no esquema trabalho – estabilidade – salário – trabalho? Planejar um futuro do qual nem sabemos se iremos usufruir dele?
É, nossa vida tem sido assim. O espírito aventureiro de outrora foi enterrado por inúmeras camadas de sedimentos, e passamos a vida inteira preocupados com o futuro. Este, portanto, foge de nossa alçada, de nosso entendimento, de nosso planejamento. O futuro é uma fábrica de surpresas e tem ele nas mãos aqueles que têm a capacidade de eternamente ousar e ser diferente. Ousemos, mudemos, a vida é surpreendente quando não se está do lado da plateia. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Positive-se

Cante bem alto para expulsar os seus fantasmas. Dance para eliminar a poeira que insiste em acumular-se perto de você. Ria até que lágrimas corram aos seus olhos, lágrimas de alegria, de esplendor, de felicidade. Livre-se de todos os que praguejam e se fecham em suas misérias. Agregue ao seu lado as pessoas que falam de si, das suas vivências, de suas perspectivas para o futuro. Trabalhe com afinco. Não há fórmula para a felicidade, mas há muitos jeitos de ser feliz.

domingo, 15 de maio de 2016

Futuro

Passamos a vida inteira nos preocupando com o amanhã. Ao deitar, traçamos metas e planos para o dia seguinte, planejamos viagens para meses depois, visualizamos sonhos de anos adiante. Gastamos dinheiro com cartomantes e mapas astrais na tentativa de prever o que vai acontecer conosco no desconhecido, como se descobrindo as coisas mudariam. O futuro, esse senhor das incertezas, é onde reside os nossos medos, mas também onde moram as nossas esperanças. E quando esperamos podemos ver que as coisas podem se revelar melhores do que acreditamos ser. Ou não.

Narciso

Eu vivi ou vivo? Não sei... Eu reclamo todos os dias de minha vida e me prostro esperando uma intervenção divina sobre ela (mesmo não crendo em Deus). Um trabalho melhor, pessoas que sejam minhas amigas, dinheiro suficiente para não me lamentar pelos cantos e uma droga qualquer que me faça ter lapsos de alegria. Eu vivo? Não sei. Estou vivo, acredito.
Eu amei. Uma, duas, dez. Em cinco dias amei três pessoas, mas elas não correspondiam aos meus interesses. Depois da conquista fiquei entediado e perdi o interesse. Mas quero me relacionar, preciso, ainda que eu saiba que vá existir uma frustração ou outra por conta do meu temperamento narcisista não declarado. Eu preciso de alguém... Alguém que preencha e atenda todos os meus pré-requisitos mal formulados.
Eu sou autossuficiente. Ergui muros diante de mim que me blindam contra o mal, maldigo, mas não tolero que falem de mim. Sou o bastante, mesmo que em mim haja a necessidade de aplausos e aprovações, elogios e concordâncias, afinal minha estima é baixa e isso me enaltece entre os demais.
Eu não sou, mas sou. Meu ego é o espelho de Narciso, onde o meu reflexo é também minha danação. Minha beleza é externa, meu ser é passageiro. Eu sou tudo e sou nada. 

domingo, 1 de maio de 2016

Ces't a fini.

Cenário: Festa de fim de ano de uma empresa qualquer. Texto: - Um brinde à falsidade de vocês. Personagem: Eu.
Ainda vou viver tempo suficiente para numa festa de fim de ano de empresa eu levantar taças e brindar contra a hipocrisia reinante, como no trecho acima. Em festas assim, todo mundo se ama e esquecem-se as brigas infindas e os moralismos travestidos de maldade. Sim, o ambiente trabalhista poderia ser facilmente confundido com um serpentário, no que deixaria o Butantã envergonhado. É um desfile de cobras das mais variadas espécies e tamanhos, umas com venenos potentes outras que apenas amedrontam. São pessoas querendo se dar bem em cima da ingenuidade alheia ou que escondem sua mediocridade em quedas de sistemas falhos ou colocando a culpa no bode expiatório da vez.
Vivemos na sociedade dos espetáculos (ruins, por sinal) e da hipocrisia. As pessoas mentem, maldizem, ferem e depois dramatizam numa teatralidade digna de um Oscar e dois Emmy’s, colocando Deus no meio de sua miséria humana num coitadismo sem fim, pondo-se de vítimas da situação. Mas o mundo dá voltas e numa destas o cuspe arremessado cai na testa. A Física é clara darling, toda ação gera uma reação o que no caso desses citados é morrer  com engasgado com o próprio veneno. Ces’t a fini

Júlia Siqueira