sábado, 12 de março de 2016

Ser da Terra

Eu sou terrena, me condene por isso. Sou daquelas que amam os prazeres de viver nessa Terra cheia de problemas e não num céu de virtudes e belezas. Cara, a terra é uma merda maravilhosa. Tem o rock, tem vinho, tem vodca barata, tem arte, tem sexo, tem sono, tem hambúrguer e Coca-Cola, num combo feito pra gente morrer de ataque cardíaco no meio de um trânsito caótico. Viver é massa. Viver o agora é melhor ainda.
 Tenho nojinho daquelas pessoas que perdem o tempo em uma vida devotada para um futuro distante e não vivem a porra do agora. Fazem planos de casas de varanda e carros que nunca terão, trabalham feito louco para deixar um trocado pra filhos miseráveis que não cuidarão destes e os colocarão no primeiro asilo quando assim surgir oportunidade, não se aventura por não ter plano de saúde capaz de cobrir o estrago. Gosto de gente que faz tudo o que lhe dá vontade, não reclama da merda de vida que leva porque sabe que as coisas melhorarão um dia, mesmo que esse dia nunca chegue, gosto desses que viajam apenas com a passagem de ida e uns poucos trocados e se arrisca a cantar um verso de Caetano em um bar caído para faturar um troco.
Gosto de gente, isso é ser terrena. Se gostasse de anjos e pessoas certinhas eu seria daquelas que lotaria os bancos da frente da Igreja, mas nasci sem vocação nenhuma pra isso. Perdoem-me, me julguem, não sou ateia, sou à toa e isso é o que me faz feliz.

Júlia Siqueira


quinta-feira, 10 de março de 2016

Sinceridade?

Hoje falar abertamente o que se pensa é sinal de ofensa, não porque as pessoas ficaram melindrosas demais, mas sim porque se acredita que sinceridade é sinônimo de ofensa. Ser polido no que se fala e, assim, expor seu ponto de vista sobre alguma coisa é uma totalmente diferente de vociferar aquilo que acredita por cima de gritos e palavras de baixo calão.
Não ficamos cheios de dedos, nos tornamos arrogantes, achando que a forma que a gente pensa é o certo e por isso deve ser aceito pela maioria. E quando isso não acontece apelamos de maneira baixa e rasa dizendo que sofremos preconceito. Chega a ser cômica, para não dizermos trágica, a forma como tratamos o preconceito na atualidade, colocando qualquer discordância mínima como um problema de ordem pessoal e social, que nos denigre, avilta e destrói. Antigamente as pessoas sofriam em condições muito piores que hoje e nem por isso vitimavam-se, muito pelo contrário, fazia disso escada para melhorarem sua vida.
Como foi que chegamos a este patamar? Fácil. Deixamos de ser incentivadores do conhecimento e da crítica e nos tornamos compartilhadores de opiniões alheias, no melhor sentido do termo “maria-vai-com-as-outras”. É simples, rápido e fácil pegar carona em um pensamento primitivo do que entender a complexidade das coisas. Enquanto isso, formamos uma geração de ignorantes, no sentido de ignorar o mundo, as coisas e a vida. E a sinceridade? Ela deu lugar ao silêncio, afinal é melhor calar-se do que mostrar o que realmente se pensa... No fim, há pessoas não acostumadas com o intricado da vida que podem se inflamar com o que é dito e haja anti-inflamatório para distribuição em massa. 

sábado, 5 de março de 2016

Amor e paixão

Tem gente que acredita que amar é uma coisa diferente de se apaixonar. A paixão é fogo, brasa que queima os corpos que se unem com excitação, palavras ditas no ouvido, carinhos intensos e constantes, a constante inovação. Amor, ah... O amor é outra coisa, certo? Errado. Engana-se aquele que acredita que o amor não pode ser efusivo, que o amor é calmo como um mar sem ondas, que amando você não sente as mesmas vontades, mas acerta-se quanto à diferença da paixão.
Quem ama entende que você não precisa dizer eu te amo sempre, incansavelmente, em momentos diversos. Quem ama o faz com o olhar, numa noite de sono da pessoa amada ou num simples gesto cotidiano. Quem ama acha que o ciúme é um acessório e não uma roupa, deve senti-lo, mas não deve vive-lo, pois é criado paranoias e faz-se existir histórias estapafúrdias. Quem ama aceita você do jeito que é, mas quem é apaixonado quer mudar algo do outro, quer fazer vive-lo conforme aquilo que se acredita.
Sim, amar é diferente de apaixonar-se, porque amar pode ser uma eterna paixão, mas o contrário não.