domingo, 22 de novembro de 2015

Calado


Eu que antes escrevia por longas horas a fio, hoje não consigo mais escrever tanto quanto outrora. A culpa? Você. Não consigo talvez colocar no papel as coisas que passamos juntos ou descrever com toda minúcia e detalhe o que acontece quando estamos juntos. Por quê? - pergunto-me. Talvez seja porque qualquer romance de José de Alencar seria fichinha para nosso amor, precisando com toda certeza de toda a literatura romântica e seus velhos chavões e melodramas. Então me calo, mesmo querendo pichar os muros com as mais bregas declarações de amor. Calo-me mesmo com o coração gritando músicas de cantores desconhecidos. Calo-me para planejar viagens, ver caminhos e sonhar com meu futuro. E eu que não acreditava em vidas passadas, passo o tempo calado, sem conseguir escrever, planejando minhas vidas futuras agora que te encontrei. 

Não prometa!

Eu nunca gostei de promessas, nem as religiosas, nem as de dieta na segunda, nem as que dão conta de parar de beber, nenhuma. Promessas são mentiras para si, são contratos e compensações medíocres. Promessas religiosas tratam Deus como um mercador, eu faço isso e você retribui. As promessas de começar uma dieta na segunda sempre acabam em desculpas ou em comilança na quinta. Mas as piores são as promessas de amor. Prometer que vai mudar algo que não se quer é uma das piores mentiras do mundo. Talvez você prometa (e minta) por que não tem coragem suficiente de dizer ao outro que ele tem que aceita-lo dessa maneira. Nos relacionamentos quando não há adaptação ao jeito do outro deixando claro antes que adaptar-se não pressupõe mudança brusca e sim gradual tudo vira um jogo de empurra. Por isso não prometa aquilo que você não pode cumprir ou dar. Não prometa, se quiser fazer, faça, caso contrário continue do jeito que está. No meio do caminho sempre encontramos alguém que não queira mudar o nosso jeito de ser, simplesmente aceita a ideia de que para apreciar a beleza das rosas tem que conviver com a dureza dos espinhos. 

Prisão sem grades

Observei durante anos a sua prisão. Prisão sem grades a sua, presa a um sonho de mudar alguém ou moldá-la para parecer melhor, ideia fixa que aos poucos se transformou em algo patológico a ponto de subverter sua subjetividade para atender supostos interesses de outrem. Mas nenhum cárcere é eterno, demorou bastante, é bem verdade, mas hoje, encontra-se livre e solta da prisão que construiu ao redor de si. Liberdade exala por seus poros e há muito não vejo tamanha felicidade em você. Certa feita em um livro li que há pessoas que nos roubam e há aquelas que nos devolve. Você só precisou parar de permitir que lhe roubassem a paz e se devolveu a si mesma. Amor só é amor de verdade quando antes de ser para alguém ele é apenas seu.