quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Caminhos distintos

Eu não sabia o que era me apaixonar de verdade até o dia em que nossos caminhos se entrelaçaram. Sempre acreditei que amor era algo reservado aos livros de uma época distante da literatura e que atualmente era algo tão démodé quanto clichê. Amar a ponto de dar a vida? Pobre Julieta. Amar a ponto de aceitar uma traição. Pobre Jorge... Basílio e Luísa são mesmo uns vermes – pensava.
Foi aí em meio aos meus dramas literários que te encontrei e vi que tudo isso era possível. Meus órgãos, minhas células pareciam criar olhos, ouvidos e outros tantos sentidos novos para poder sentir o calor que vinha de você. Minha alma era de reencontro, como se estivéssemos predestinados desde antes dessa vida a nos encontrarmos nessa. Era tudo tão sincrônico e perfeito que máquina alguma projetada por ser humano algum era capaz de mensurar, quantificar, qualificar o que existia ali. Porém, os finais felizes se reservam para as últimas páginas dos livros e no meio tem sempre algo para separar, atrapalhar, interromper aquilo que é extremamente bom. Conosco não foi diferente.
Tomamos no meio da estrada caminhos diferentes. Cada um pro seu canto e Deus olhando por nós. Hoje, contudo, Ele fez a graça de nos juntar numa reunião qualquer dessas de trabalho, mesmo tendo profissões distintas. Dessas loucuras da vida que são incompreensíveis a qualquer pessoa. Os olhos iguais quando pousaram nos meus, fizeram meu sangue ferver e minhas faces rubrarem como em ebulição. Você sorriu, eu ganhei o meu dia. Lembro que uma vez ouvi de um senhor, já de idade, que o que é seu sempre acha um meio de chegar até você, como o rio que contorna situações difíceis para beijar o mar. Que eu seja o rio e que nossas bocas se encontrem num prenúncio de um final feliz.