quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sobre inteligência e mediocridade

Por vezes é necessário ser inteligente e sair de cena. Sair de cena para não dar uma surra em alguém, para não dizer a verdade quando por diversos momentos se optou permanecer em silêncio apenas por educação ou simplesmente para não perder a razão e a compostura e ser deselegante se igualando à mediocridade alheia, resguardada em palavras rebuscadas. Às vezes é necessário sair de cena, porque é melhor ser um coadjuvante ou figurante sem expressão do que um protagonista imbecil.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amores plantados

Eu levantava todos os dias e me punha a regar o nosso amor. Regas diárias, podas semanais, conversas quase que intermináveis, adubo, pesticida. Na verdade criei uma redoma, quase que invisível, na tentativa que seres externos não pudessem destruir o que plantei com tanto sacrifício e vi crescer por entre pedras e espinhos de maneira dificultosa, e que mesmo assim se tornou forte ao fincar as raízes de maneira única no solo.
Coloquei o nosso amor num vaso na sala de casa, num lugar contemplativo e pedi que cuidasse dele durante a semana que estive fora. Quando voltei, no entanto, as flores que estavam brotando estavam caídas no chão e as folhas de um amarelado fúnebre. Lembro que se desculpou uma vez, e eu, com um aceno de cabeça, aceitei o que disse, embora com o coração doído com sua displicência tamanha.
Coloquei nosso amor novamente num vaso de contemplação, no lugar onde passa todos os dias. Não esquece que agora quero ajuda para cuidar dele. Não o posso fazer sozinho. Infelizmente se não houver cuidado dos dois, ele morrerá sem grandes chances de reverter o caso. 

sábado, 19 de julho de 2014

Mentiras não! Atuação apenas.

       Ok, ninguém tem uma vida perfeita de capa de Revista Caras. A gente só aprendeu a disfarçar bem a merda que é a vida da gente, de modo que ninguém desconfia que seja o contrário e ainda quer ser como a gente. Na boa, por vezes vejo que merecemos o Oscar de melhor filme de ficção.

Júlia Siqueira

Singular e Plural

Chegará o dia em que seremos passado. O dia em que os nossos nomes serão lembrados em um pretérito perfeito... ele era, ela era, nós éramos. Seremos apenas lembranças de um tempo bom. As pessoas seguirão suas vidas normalmente e poucas se recordarão que um dia nós também já vivemos um dia como caminhantes errantes desse planeta. Isso se chama morrer, correto? Não. Errado. Passaremos apenas para um estágio diferente, teremos uma forma nova de viver. Viveremos nos ensinamentos por vezes tortos que deixamos. Existiremos nas conversas dos amigos, no sorriso que fizemos brotar quando lembrados, seremos mais, seremos plural no lugar de viver no singular.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pecados

Foi com você que aprendi a pecar assim. Amei-te tanto, que senti preguiça de reservar um pouco do amor que lhe dispensava para mim mesmo, afinal você me reservava os melhores momentos de luxúria e me fazia enxergar uma vaidade que não sabia que existia em mim. A vaidade de ser apenas seu.
E assim fui te amando de um modo doente, beirando a psicopatia, invejando tudo o que estava próximo de ti, irando-me com aqueles que atravessavam o seu caminho, ainda que indo no lado oposto. Comia sua presença, comia os seus desejos, comia a ti com os meus olhos famintos e gulosos, ardoroso dessa paixão que me tirava o sono. Tirava (verbo tirar num pretérito que pra mim não é perfeito).
 Você me levou a cometer tantos pecados, que cheguei ao ponto de passar horas, dias até, pensando em quão demorada seria a confissão de cada um deles. A minúcia nos detalhes e o espanto do padre. Já pensava até nas minhas punições. Um terço inteiro? Não! Uma autoflagelação, talvez. Sim, eu mereço ser surrado por ficar insano de tal maneira e ouvir o seu silêncio gritar que nada do que fazia era bastante. Hoje me restou apenas o último pecado: a mesquinhez de sentimentos. Demorou, mas aprendi que não se deve se doar loucamente a quem não quer.

domingo, 6 de julho de 2014

Maquiagens?

Quando questionamos alguém sobre algo, temos que ter em mente uma coisa, que nem sempre nós ouviremos as coisas que esperamos ouvir. Então é melhor calar-se ou ouvir aquilo que foi solicitado com toda paciência do mundo.
Eu sempre acreditei na franqueza acima de tudo, a hombridade que uma pessoa se faz revelar quando diz que não ama mais e que as lacunas foram preenchidas por outra presença ou a sinceridade de dizer ao melhor amigo que não é implicância e sim apenas um aviso sobre o novo amor ou as suas novas “amizades de infância”, isso mais que qualquer maquiagem torna a pessoa ainda mais bonita, até porque não se pode maquiar a alma, nem a realidade uma vez que nem todo enfeite é definitivo. 

Sobre a maria-fumaça

Não, não é isso! Lembra-se daquele famoso ditado que o coração tem razões que a razão desconhece, pois então, nem sempre esse habilidoso músculo interno tem a eficiência de discernir as coisas. Logo, ele nos direciona para algo que o cérebro diz que não se deve ir, mas ele vai... Como lidar com esses dois seres antagônicos dentro de mim? Vês, como se torna difícil ser humano.
Então percebes o seguinte... Não é não querer, não é não gostar, não é não amar, não é não fugir, não é não tentar... às vezes a gente arrisca colocar lenha nas engrenagens da maria-fumaça na tentativa de que ela ande e nos leve para outro lugar, diferente desse, que seja novo, mas não dá. Não adianta querer viajar pra canto nenhum quando o coração insiste em querer ficar... 

Decepção

De todas as dores que sinto, as físicas e as da alma, nada tem um sangrar mais latente que a da decepção. Ela corta e perfura a carne como abridor de latas enferrujado quando pressionada sobre a carne. Primeiro dói de maneira lancinante e depois vai fazendo sangrar aos poucos, minando sangue por entre as feridas recém-abertas, uma, duas, centenas delas, feitas de maneira minuciosa perpassando pelos chacras e pontos de dor, para que haja mais sofrimento e agonia. Como Prometeu preso no monte tendo uma chaga aberta em que o abutre vem comer, tenho uma chaga maior que alimenta as dores da decepção.