sexta-feira, 27 de junho de 2014

Caso clínico de amor

Quando você conhece alguém tanto, que as frases suas parecem se completar, atente-se a esse fato, pode ser algo diferente, mas também pode ser telepatia.
Quando você conhece todos os defeitos de alguém, até aqueles mais sórdidos de debaixo de travesseiro e mesmo assim se sente compelido a estar com esse alguém, alerte-se, isso caminha para uma cumplicidade sem fim e lá no fim você poderá ser participante de um inquérito policial, ou não.
Quando você consegue sorrir e falar ao mesmo tempo pra alguém, de um jeito diferente, atenção, só pode ser duas coisas: Um, você está trabalhando em um circo, ou dois, está atuando em uma peça teatral de gênero comédia. Pode ser que não seja nada também e você ser apenas um idiota comum.
Quando a vontade de estar ao lado de alguém é maior ou proporcional a sua vontade de comer e dormir, comece a se preocupar. Você pode estar com um caso clínico de amor. E aí todos os sintomas anteriores começarão a fazer mais sentido. 


Taynan Brandão/ Júlia Siqueira

Amor

"O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo. O amor não possui nem quer ser possuído. Porque o amor basta ao amor. E não penseis que podeis guiar o curso do amor; porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso. O amor não tem outro desejo senão consumar-se."

Khalill Gibran in O profeta

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Algo mudou

O olhar já não é mais o mesmo e de repente dormir contigo ao meu lado se torna mais essencial do que qualquer louca aventura sexual. E me pego no meio da noite olhando fixamente e velando o seu sono, tentando entre um ressonar, grunhido ou mexer na cama perscrutar o que vão em seus sonhos. E me sinto atraído por um monte de besteiras que são ditas, e sorrio à toa quando escuto aquela música que você ouve diariamente no som de meu carro. E sei que realmente algo mudou.



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Porto seguro

E ele esperou meses para que aquele amor fosse seu, aguardando incessantemente as estações darem lugar umas às outras. Esperou que o inverno acabasse, para que a despedida do frio fizesse com que o amor brotasse em flores no seu coração. Infelizmente não enxergou na beleza das rosas o machucar de alguns de seus espinhos. Mas isso não o abateu. Tirou cada um daqueles pedaços afiados que sangravam a sua carne e prosseguiu, até que o verão fez aquecer a sua alma para lutar mais e mais por aquilo que acreditava. Deixou de lado as coisas por vezes, reapaixonou-se outras tantas, mas esquecer... não, nunca fez. A gente não esquece quem nos faz bem.
O outono chegou e o balançar e cair das folhas das copas das árvores, fez com que caísse na real. Entendeu que não precisa lutar contra a correnteza que te leva para o cais, para seu porto seguro, só precisa fechar os olhos e sentir-se levando o lugar onde o abrir dos braços, dos lábios e do coração seja a segurança de que tanto se procurou e enfim se reencontrou.