domingo, 25 de maio de 2014

Sim, eu acreditava...

Sim... eu acreditava em nós. Acreditava que sairíamos de um conto de fadas qualquer e transformaríamos isso em realidade. Acreditei que seria possível ver todos os dias o seu sorriso ao levantar e que travaríamos brigas homéricas durante o sono ora disputando o travesseiro ora disputando o cobertor. Achei que seria possível viver cada história das comédias românticas do cinema, sermos personagens daquele livro enorme de Machado que você ostenta na cabeceira e que sei que nunca leu. Mas não aconteceu. E eu continuo aqui, talvez não mais acreditando em nós, mas na certeza de que te ver feliz me faz feliz...



Júlia Siqueira

Coração blindado

Há tempos não sinto aquela sensação insana de perseguir alguém, de querer estar ao lado a todo instante de todas as maneiras possíveis e imagináveis, em não ter aquele asco natural de quando se come muito um doce e não se quer mais vê-lo em sua frente. Esqueci como se come a presença. Regurgitei toda e qualquer vontade de sentir isso novamente. Talvez pelo vazio dos corações alheios e as ausências reais de pessoas presentes, tenho me acostumado melhor com o espaço que sobra na cama e que por vezes é preenchido por mais travesseiros. Sobre o amor... sobre amar... melhor continuar nesse jeito egoísta de estar apenas me amando. 

Direitos e deveres

Onde foi que as pessoas ficaram tão arrogantes? Ter direitos não dá direito a ninguém ser mal-educado, muito pelo contrário, aí é que se deveria ser um poço de cordialidade e fineza. Mas há uma geração cheia de si (e de seus direitos), entretanto que não sabe nada de deveres e obrigações, ou não se faz lembrar-se deles, esquecendo-se que estes resguardam apenas o que um dia pode lhes faltar, já suas obrigações dizem quem se é de verdade. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

01:44:16


      Vem, vem agora... Desejo que seja picado por inseto de outro planeta que lhe dê poderes de teletransporte e vem até mim. Ou peça uma tela holográfica emprestado do Fantástico e se projete aqui na minha frente. Ou melhor, se ponha numa carta ou num grande pacote e venha por correio ao meu endereço. Voe até mim... venha até... estou aqui, esperando a sua loucura de estar aqui ao meu lado, que eu não serei louco de te deixar voltar...

domingo, 4 de maio de 2014

O banquete dos esquecidos

         
          "Vai chegar um dia em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido. Tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto pra lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz."