sexta-feira, 25 de abril de 2014

A viagem de ida...

Juntei todos os meus cacos de sonhos e pus na mala, mala não, valise, afinal os sonhos que sobraram eram tão pequeninos, miúdos e alguns estavam esmigalhados que cabiam até numa sacola de supermercado. Peguei uma passagem só de ida para um lugar distante, aquele em que sempre pensei em ir desde quando vi naquelas revistas de viagens que ficam em consultórios psiquiátricos. Esqueci-me de dizer, tenho síndrome de Asperger com tratamento clínico em curso, diagnosticado precocemente quando eu ainda tinha 10 anos e aconselhava insistentemente a minha professora de ciências que aquelas batas indianas ficavam horríveis em pessoas acima do peso aliado a minha necessidade de punir com tapas, pontapés e beliscões os meus nobres colegas de classe por cada erro gramatical por eles cometido. Mas isso é só um pedaço de gelo no iceberg que sou... Isso mesmo, também sou fria e talvez seja por isso que tenha escolhido partir para um lugar que tem a mesma temperatura que eu.
Cheguei ali como na música de Caetano, sem lenço e sem documentos, só com a vontade de viver coisas diferentes e que talvez pudesse me fazer mais feliz. E em meios aos parques e ruas daquela suntuosa cidade, avisto você, olhos atentos na tela de seu Iphone e dedos ágeis teclando alguma coisa. Parei e pedi uma informação qualquer sobre o lugar e sua cordialidade e simpatia me fez acreditar na raça humana. Longe daquela história démodée de amor à primeira vista, digamos que o que senti no momento fosse apenas encantamento que posteriormente com o passar dos dias e a intensidade do contato me fizeram acreditar em algo além. No entanto, policiei-me quanto a isso. Estamos (nós, a humanidade) passando por um momento de carência coletiva e, dizia a mim mesma, a cada mensagem sua me convidando para um jantar ou cada bilhete singelo de bom dia em que recebia em meu hotel, que era só amizade ou coisa parecida.
Passados dias, meses eu acho, desde minha chegada, você aproximou-se de mim e o meu coração já saltitava em meu peito. Como isso? - pensava. E nesse curto instante entre o pensamento e o andar dos ponteiros você me surpreende com o toque inesperado de seus lábios com os meus. Um beijo, daqueles de cinema francês ardoroso em paixão que faria Klimt chorar por não ter nos tido como modelos do seu mais famoso quadro.
Abandonei os remédios, você era meu tratamento, corrigia seu português ruim entre beijos e sorrisos e fui me percebendo mais humana, mais real. Perguntava-me até quando essa paixão duraria, pois sei que tudo nessa vida é acelerado e nada infelizmente é eterno. Joguei tudo para o ar, pensar naquilo cansava, entretanto viver aquilo que me trazia novamente à vida e me fazia ter uma certeza, ainda que momentânea, de que algumas loucuras são necessárias. Acabei mudando-me literalmente e aprendendo uma nova matemática, em trago os meus sonhos, grandes agora por sinal, para somar com os seus todos os dias.


Júlia Siqueira

"E se o tempo levar você, e um dia eu te olhar e não te reconhecer? E se o romance se desconstruir, perder o sentido e me esquecer por ai? Mas nós somos um quadro de Klimt, o beijo para sempre, fagulhando em cores, resistindo a tudo seremos dois velhos felizes de mãos dados numa tarde de sol... pra sempre"

domingo, 20 de abril de 2014

Aquela velha história piegas sobre o que é viver...

Não existe uma fórmula eficaz para ter momentos felizes em sua vida, mas há uma série de técnicas que são imprescindíveis para que esses momentos sejam constantes. Seguem as minhas:
1. Não reclamar, agradecer, agradecer e agradecer. 
2. Sorrir a todo instante, quando se pode, quando não pode, quando não deve, quando se deve... a pessoa que sorri torna-se mais atraente do que a pessoa séria (experiência própria).
3. Faça tudo o que der vontade, não avaliando uma, duas, cem vezes as probabilidades do que poderia, pode ou poderá acontecer ou quanto de dinheiro você tem ou terá para que o que você quer se concretize. A vida é boa na aventura, no que não é planejado, no que não tem roteiro pronto. Há uma beleza escondida naquilo que é  desconhecido.
4. Divirta-se com quem lhe faz bem, com quem você pode dizer tudo, sem neuras, sem dramas e sem melindres. As melhores pessoas para se divertir são aquelas que falam de suas vidas, aventuras, micos e não pautam a conversa (sempre) com o que acontece com o alheio.
5. Ame... Ame uma, duas, dez, cem mil vezes, um sem número de pessoas. Ame com ternura, ame o garçom que lhe serve no restaurante, ame a moça do cafezinho, ame os seus amigos, irmãos, pais, família. Estrague uma pessoa só com seus excessos de amor. Excessos de carinho e disponibilidade como os anjos fazem mas também com pitadas de uma ‘carnalidade’ que não é tão angelical assim.
Vejo que esses passos entrarão na posteridade para algum compêndio de autoajuda, serão utilizados por outras pessoas ou não, talvez não servirá de nada e seja vislumbrado como apenas a minha forma de ver as coisas. Ou não... Fará sentindo deixando alguém entrar em um estado de espírito pulsante que é mais que estar no mundo e sim usufruir do que ele ainda nos pode oferecer. 

sábado, 19 de abril de 2014

Quando existe um amor verdadeiro...

Qualquer amor que nos dê mais amor no lugar de reclamações e queixas nos deixa um sentimento de estranheza. Porque não reclamar nas horas em que não ligo, não pareço me preocupar, não converso? Porque dar mais amor e me procurar antes de ser procurado, falar comigo antes que meus dedos disquem o seu número ou perdoar-me antes de pedir desculpa? Existe só um amor assim. Aquele que é paciente, que é benigno, que não vê o mal e se alegra com a alegria do outro.
É difícil entender um amor que não aguarda retribuições, que não levanta queixas, mas melhor ainda é saber que além de senti-lo, esse amor existe...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Amar-te até a morte.



Eu já vi o mundo desabar tantas vezes que, às vezes, parece que o mundo foi feito mesmo para gente se desfazer. Ainda não havia aquela vontade vital de ser imortal porque a morte naquele momento parecia um confronto distante entre o que eu sinto agora – nesse instante – e o que você sente quando quer reviver o que já fomos antes.
 (sem ressentimentos)
 Mas o amor também morre, meu amor; e a morte também ama, minha morte. E é no elo desse duelo desesperado que a gente decide se quer continuar fraco no amor ou se entregar forte até a morte.
 Tanto faz!Amar ou morrer é um pouco igual. É poder ser sincero e aceitar que nunca seremos para sempre.
Tanto jaz!Morrer ou amar tem um quê de banal. É querer ser inteiro e se despedaçar meio a meio como nunca.
Eu sei, é difícil, nunca foi fácil discernir o que é de verdade do que é de sentir… É que eu já vi a morte desabar tantas vezes que, às vezes, amar não me parece tão ruim assim. É que eu já vi o amor desabar tantas vezes que, às vezes, morrer não me padece tão ruim assim. Acredito ter visto, no meio de tantos escombros, meus ombros, seus olhos, meus poemas, suas coxas, meus problemas, seus cílios, nossos filhos (que filhos?), nossas contas, nossos contos e os ossos, teimosos!, das nossas alegrias. Ouça: a dobra do seu sorriso ainda me ri: “desdobre-se, meu amor, desdobre-se na morte para me reconstruir longe daqui, perto de ti, em mim”.


Eu Me Chamo Antônio 

sábado, 12 de abril de 2014

Você deixa?

O que eu mais queria era hoje invadir a sua casa, invadir a sua alma e o seu coração e em meio a esses escombros que visualizo em seu olhar poder me aninhar, entre pedras e espinhos e aos poucos, lá na frente, começar a arrumar essa casa que é você. Quero fazer dela meu abrigo, meu refúgio, minha fortaleza, meu porto seguro em dias tempestivos... Não é muito, você deixa?

O que é vital...

O sexo é vital para o ser humano, tanto quanto respirar. Deus sabia que para crescer e multiplicar-se Adão tinha que ter uma parceira que, além de ajudá-lo nas tarefas diárias, pudesse junto com ele povoar o mundo (esqueçam minhas palavras simplistas e leiam Gênesis 1). Pensamentos a parte que povoam essa ação humana, vamos a parte prática... mas ué, ela não existe ou não está existindo... E porquê? Porque queremos a capa da Playboy, a Panicat, o lutador sarado de MMA e esquecemos das possibilidades reais como a vizinha ou o colega da faculdade, uma vez que atualmente estereótipos físicos estão imensamente arraigados na nossa sociedade, tanto que quase que sempre idealizamos um tipo que dificilmente teremos... e assim ficamos a chupar... os dedos e somente eles.
Mas então, o que fazemos? SEXO! Dos bons, com quem se gosta e não com quem se idealiza, se sonha, se ilude, sexo real, com vontade, com tesão, com paixão, e se não existir apelamos para a masturbação. Mas sejamos felizes, gente chata é gente mal organizada sexualmente. 

domingo, 6 de abril de 2014

Vermelho

Vermelho tem a cor de seus beijos.
Vermelho tem a cor de sua camisa predileta, aquela mesma com os botões caindo de tão velha.
Vermelho tem a cor de tua ira em dias comuns e sem motivo aparente.
Vermelho é o sangue que corre em tuas veias, pulsa em tuas artérias e bombeia em seu coração. Vermelha é a cor da nossa paixão, aquela que habita em ti e habita em mim.
Vermelho tem a cor da sua face quando envergonhado e sem graça das minhas declarações públicas.
Vermelho tem a cor de Marte, e essa cor, não sei, me faz amar-te cada vez mais. 

sábado, 5 de abril de 2014

Gente chata? Dispenso!

Sou chato. Sou antissocial, daqueles que odeiam pessoas que tem necessidade de mostrar que sabem de tudo, que sempre tem uma resposta pronta, um exemplo prático, como se houvesse vivido em pouco tempo o suficiente para saber e argumentar sobre a vida. Gosto de gente comum, destituída de sapiência acadêmica e cheia de sabedoria de vida. Dessas que sabem aconselhar com um provérbio ou adágio popular, comum, mas cheio de significado. Dessas que não precisam saber o significado do universo, do sistema solar, só precisam nos oferecer um café e uma conversa e nos mostrar que a vida é simples e nós que por vezes a complicamos. Gosto de gente que me faz mais gente, dos outros sempre dispenso.