segunda-feira, 31 de março de 2014

Quando é hora de sair de cena...

Hoje

Errei. Não adianta talvez me desculpar por nada, afinal corretivo, borracha ou nova tentativa apaga o que foi feito. Nem palavras são convincentes, nem tem o poder de amenizar as coisas, uma vez que são apenas palavras. Então parto. Sigo meu caminho com essa ferida aberta no peito, por errar e não poder dizer olhando em seus olhos o quanto me sinto triste por isso, o quanto me dói ter te magoado. Talvez você até já saiba, mas não quero revisitar meu algoz falando novamente sobre o assunto. Deixo-te em paz para seguir seu caminho, olhar os lugares com o sabor de coisas novas e com alegria no olhar sem o peso das minhas escolhas ruins. Você, mais do que qualquer pessoa no mundo, merece uma felicidade completa e sei que não conseguirá tê-la junto a mim. Não, eu sei que não sou o pior dos habitantes desse planeta, mas estou longe de ser o melhor, ainda mais de ser o melhor pra você. Por isso fugirei sem data pra voltar, sem um endereço de remetente e nem caixa postal, saio como covarde porque vou assim, mas é melhor dessa forma. Às vezes as coisas não acontecem do jeito que queremos, pois sempre pensei que nós estaríamos predestinados a viver nossas vidas juntos em um lugar grande, criando nossas raízes perto do barulho de um centro urbano qualquer. Mas estamos aqui, eu terminando essas linhas, em meio a lágrimas e a uma quantidade infinda de papéis jogados no chão e você com a cabeça a mil achando um modo de me proteger de mim. Não sei finalizar as coisas, nem essa carta, nem as coisas de minha vida, mas tenho que o fazer de qualquer jeito. Então, adeus.

Outono de um ano qualquer



sexta-feira, 28 de março de 2014

Sobre mim


Não, eu não sei nada sobre mim, até porque sou fruto de um meio, logo, eu sou manipulado e influenciado por tudo que escuto, vejo e convivo. Fácil? Não! Eu não sei, por exemplo, nada do que eu realmente gosto ou quero, e isso afeta cada dia da minha existência, cada segundo, cada resposta, cada pergunta, cada ação. É como se eu tivesse levado uma pancada na cabeça, e, pelo trauma, estar em um perene estado de inconsciência ou amnésia a ponto de não lembrar nada sobre mim, que me leva a pensar, pensar e pensar... (sim, eu preciso pensar). Pensar nos faz crescer, ir adiante, amadurecer, aprender, mudar e nos definir. Mas será que todas as pessoas se perguntam quem são? E será que são todas que sofrem absurdamente como eu, por não encontrarem uma resposta que as calem ou que seja suficientemente cabível aos seus interesses?
Eu gostaria de não me importar tanto, mas infelizmente (ou felizmente) não saber quem sou me deu a capacidade de pensar demais, e me aborreço com isso, afinal os pensamentos rotineiros me deixam mais incomodado ainda com as pouquíssimas certezas que tenho sobre mim.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Mentiras sinceras

Nunca tive medo de dizer o que penso, o que vai ao meu coração, na minha mente, na verdade, nunca deixei de dizer algo, sempre fui falante. Lembro-me dos meus avós que me disseram a todo momento que as pessoas se aproximam de nós quando elas sabem que somos sinceros e temos o coração aberto. Hoje tenho dúvidas a respeito, talvez tenha sido uma realidade da época em que viveram e não haja aplicabilidade prática para o meu presente.
Hoje vejo as coisas sobre um prisma diferente, mas ainda me apoio no que me fora ensinado. Entendo que as palavras verdadeiras são cortantes, rasgam o nosso ser e nos desvela a alma, põe pra fora tudo o que tentamos inutilmente esconder, mas elas são necessárias. Acontece que nosso mundo sofre de um caso patológico de não-me-toques, de temer a sinceridade alheia, mas querer a todo instante contraditoriamente ser verdadeiro... E por mais que tente buscar respostas para compreender o mundo que me circunda e as pessoas que nele habitam, tenho apenas mais perguntas a serem feitas. Vivemos na era das perguntas sem respostas e das mentiras disfarçadas de sinceridade. 

domingo, 9 de março de 2014

Expliquem-me

Em qual momento ficamos tão caretas, tão cheio de pudores, melindrosos, atirando pedras e arrotando discursos vazios? Onde? Em que instante começamos a nos preocupar com a vida do outro e não com a nossa, onde deixamos de viver uma vida de acordo com nossos anseios e passamos a atender prontamente (e sem nenhuma queixa) os desejos alheios? Em que curso da história a evolução parou e nós voltamos jogando as lutas de outrora no lixo, se apropriando ou reciclando o que não valia e estruturando uma psiqué doente. Onde voltamos? Qual o botão de pare? Onde ficamos tão cheios do mundo e tão vazios de si. Onde? Expliquem-me.

sábado, 8 de março de 2014

Quando é amor...



É amor quando o olho dilata ao ver pessoa, o coração saltita que nem madrinha de bateria de escola de samba, os lábios distendem em um sorriso sincero, bobo, único e os braços, sem perceber, se abrem para o aninho de um abraço, um que dure toda a eternidade em apenas alguns segundos. Nesse exato momento o seu corpo se entrega e o seu cérebro através das descargas neuronais disparam cargas e mais cargas de alegria e felicidade. É amor quando as chamadas intermináveis ao telefone não passam de suspiros, respirações e banalidades ou quando cordialidades triviais, como bom dia, boa tarde e boa noite são contratos importantes e compromissos inadiáveis. É amor quando os dias são marcados não como tempo a menos para o reencontro, quando a ausência é combustível para fortalecer o que já foi vivido e dá um fôlego para continuar... Continuar a viver, continuar a amar você...