sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A vida é mais



A vida é mais... Mais do que exigir-se tanto no trabalho e viver o trabalho achando que ele é sua vida. Os anos passos e o que você fez foi apenas cuidar de algo que nunca foi seu de verdade ou apenas para pagar faturas, boletos e notas. A vida é mais... Mais que duas horas no computador, mais que as checadas perenes no WhatsApp ou as fotos do Instagram. A vida tem um outro lado, as conversas olho no olho são melhores interpretadas e verás que você está cada dia mais distante do mundo e dos outros, numa aldeia digital lotada de pessoas e ao mesmo tempo sozinho e carente... A vida é mais... Mais que um amor não correspondido, mais que uma amizade que se finda, mais que uma traição, mais que uma lágrima ou um riso. A vida é mais... Mais descobertas, mais arriscar-se, mais mudanças, mais leve... A vida é mais e será muito mais se suas escolhas assim quiserem...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Fica

 
Uma palavra apenas era o necessário para que tudo mudasse. Uma só, carregada de sentido, sem grandes interpretações e interpelações, mas que saísse de sua boca, que tivesse a sonoridade da sua voz. “Fica”... Espero que um dia ela possa sair do território dos meus pensamentos e materializar-se em meus ouvidos, como um pedido, uma prece, um desejo, uma vontade nossa e um pedido seu escondido entre o sacrilégio que é o querer desamar quando o amor já é mais e quando se desvela com palavras comuns e cheias de significados, por exemplo, quando os bons dias são apelos, quando as boas noites são desejos de quero estar com você agora, e quando o verbo FICAR conjugado na minha pessoa se torna um desejo realizado em mim, em nós, em tudo. Fico. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O cochilo do Gigante

Se Hobsbawn estivesse vivo, hoje ele escreveria um livro com o título "A Era do Retrocesso", pois é, ela chegou e tem um número: século XXI. Se a sociedade evoluiu em muitas coisas em outras ela involuiu, nas relações humanas, por exemplo, que vive pautada na ganância e no dinheiro. Pois bem, hoje vislumbramos um cenário mundial grotesco e um local mais aterrorizante ainda.
Podemos assim dizer, que os nossos direitos como cidadãos (digo aqui cidadãos brasileiros) nunca foram respeitados. Economiza-se em bens simples e de uma grande importância para a sociedade: saúde e educação. Filas imensas em hospitais sem remédios e sem médicos, escolas sucateadas, profissionais desestimulados. E de quem é o problema? Nosso com toda certeza. Calamo-nos com qualquer Bolsa Família ou com qualquer aumento no salário mínimo, esperando que um dia os problemas sejam resolvidos magicamente ou que algum 'Jesus' apareça para expulsar os mercadores dos templos. E haja Jesus para tanto milagre, afinal de contas, são inúmeros, milhares de templo de vícios e ganância pelo nosso país que são nomeados de prefeituras e dizem representar o povo. Como representar-nos? Afinal queremos falta de dignidade para a pessoa humana? Ou adoramos encher os bolsos do setor privado que é tão convalescente quanto o público, mas que ao menos nos dá uma centelha de dignidade. Até quando seremos essa nação fragmentada em guetos e desunida que não sabe nem ao menos honrar o direito dado que é o voto?
 Até quando nos calaremos por favorecimentos particulares em detrimento do que é público, social e comum a todos. Não temos as melhores leis, é bem verdade, mas todos os dias sambamos com pés sujos na Constituição que foi cunhada depois de muito suor, sangue e lutas, quando aceitamos nos corromper por apenas 30 moedas de prata. Quanto tempo durará a soneca do Gigante que acordou há meses, mas que acha que dormir é melhor? Não sei. Hobsbawn com certeza escreveria o livro que mencionei acima, mas em meio a tanta sujeira estaria de estômago embrulhado.

Ostentação

Ostentação pra mim é dormir até tarde, ler bons livros, passear num parque em dia de domingo ou numa praia apenas para ouvir o barulho das ondas quebrando no mar. Ostentação é saber com certa fluência o francês e italiano ou qualquer outra língua que fuja dos padrões, inglês, por exemplo, é um padrão, acredito. Ostentação é vestir mal o corpo e aconchegar o cérebro e a alma de coisas edificantes, de modo que se abra a boca e se vislumbre uma janela interessante a ser debruçada sobre. Ostentação é isso, pra mim, digo e repito, pra mim... Apenas.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cinismo

Não são palavras de amor, é carência afetiva. Logo, ao invés de dar alguma moral, mesmo que seja só responder, passe o número de um psicólogo, afinal procurar só quando bate a necessidade e dar desculpas esfarrapadas e fajutas quando some, é patológico e assunto de quem estudou e é capaz de dar um diagnóstico preciso, quanto a essa doença que acomete muitos, chamada cinismo. 

Júlia Siqueira

Casa vazia



Silêncio em casa. Não ouço mais os passo rápidos pela escada quando chegava para me beijar depois de um longo e agitado dia. Os móveis parecem ter incorporado minha solidão, daqui da cama os vejo em tons de cinza e marrom sem graça, talvez, penso, assim como eu, eles também sintam falta de seu toque, sintam falta de você.
As flores do vaso no aparador da sala jazem secas e seus pedacinhos são levados pelo vento que entra pela vidraça quebrada, aquela que foi quebrada durante aquele futebol com as crianças no quintal e que você nunca tinha tempo pra consertar, e, que quando reclamava, dizia entre beijos e carinhos que em dias quentes a sala ficava mais fresca com o vento que vinha do buraco do vidro.
Hoje me sento aqui na cozinha, xícara entre as mãos, vontade nenhuma de comer e me lembro desses nossos detalhes, e do dia em que você me abraçou aqui nesse mesmo lugar e se despediu pra não voltar nunca mais. Restam-me então, migalhas. Migalhas de mim, farrapos de amor presos nas ferragens ou nas engrenagens enferrujadas do meu coração. E a casa, continua em silêncio, mas minha alma continua gritando por ti.

Amar é mais...


Ficamos assustados quando aquelas mágicas palavras são novamente pronunciadas endereçadas pra nós, não sendo de forma banal: “eu te amo” dizem elas. Três palavras que juntas carregam uma grande responsabilidade. Amar alguém faz bem, é lindo, mas requer de nós que amemos antes a nós mesmos de tal maneira e com tanta grandiosidade de modo que esse imenso amor não suporte habitar somente o nosso corpo e nossa alma apenas e encontre em alguém a moradia para repousar seus dias. Não é utópico, é real. Desse modo, quem assim não consegue fazer que se resguardasse a pronunciar essas palavras, um “eu gosto de você” não carrega tantas responsabilidades embutidas.