quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Talvez...



Mudei. Mudamos. Seguindo direções contrárias, tornando-nos hoje meros desconhecidos como se uma amnésia acometesse os nossos cérebros no mesmo instante. Desconhecemos o que nos tornamos, desconhecemos o que somos agora. Amigos? Não. Amigos se procuram e nós nos rechaçamos. Repelimos a nossa presença que se torna insuportável até quando juntos. Afastamos desejos incompletos, não finalizados. Afugentamos palavras, ações, gestos. Desviamos os nossos olhares que cismam em se encontrar numa rua lotada em dia de segunda-feira, desviamos as nossas rotas, metas, trajetórias. Melhor assim, eu acho. Mudei. Mudamos. Talvez.

Estradas



Dizem por aí que a vida é feita de ciclos, eu, porém acredito que ela seja arquitetada em estradas. Estradas ora bem projetadas outras nem tanto, mas estradas, dessas que te levam a algum lugar ou outras que se assemelham a becos sem saídas em um grande labirinto. Estradas, apenas.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A âncora


A âncora é a certeza para aqueles que navegam em um mar bravio; o amor é a certeza da completude para aqueles que buscam a si mesmos.

 (André del Roso Guirronda)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O menino e o castelo de areia



Sentado à beira mar, tentando me distrair um pouco e poder pensar na vida, me pus a observar um garotinho de seus cinco anos, entretido brincando na praia. Ele corria de um lado pro outro com seu baldinho, pegava água no mar, voltava e se punha a construir um castelinho de areia. Aquela construção não era apenas uma distração, uma brincadeira, ali tinha empenho, dedicação e trabalho. Trabalho árduo por sinal visto a quantidade de vezes em que ele ia e voltava do mar para alicerçar o seu “projeto”. O menino ria contente quando enfim havia terminado a sua obra prima. Correu, chamou a sua mãe, que contente o abraçava feliz e o rodava agarrando-o pelos braços enquanto ria feliz.
Eu me sinto agora como o menino brincando com areia da praia construindo o seu castelo, no entanto veio o mar, com ondas bravias e o desfez...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Doentes de amor

Os sintomas já me eram conhecidos, afinal já havia sofrido desse mal há algum tempo atrás, no entanto, me surpreendi quando eles reapareceram. Mãos suadas, frio no estômago, coração descompassado. Juro que cheguei a consultar meus médicos virtuais, todos, um a um, desde o site do Dr. Dráuzio Varela até as perguntas débeis do Yahoo e nada. Tudo o que foi pesquisado demonstrava ser apenas sintomas aleatórios de alguma virose desconhecida. Tomei duas aspirinas – remédio base na lista de qualquer hipocondríaco – porém nada do incomodo passar.
A virose fora descoberta. Possuía nome, sobrenome, RG e umas duas contas bancárias no vermelho além de uma pendência antiga no SERASA. Não quis tomar remédio algum, muito pelo contrário, quis adoecer, padecer, prostrar-me diante daquele vírus letal que ia ao meu coração. P-A-I-X-Ã-O, assim com as sílabas separadas, entretanto trazendo os lábios, corpo, sentimentos colados, entrelaçados, juntos.
A paixão é uma doença, fato. Mas uma doença boa. Nos faz ter sintomas que são curados apenas pela presença, como se existisse algum fator energético desconhecido que fosse capaz de explicar tal feito. Faz-nos crianças bobas, alegres. Faz o nosso pensamento ser direcionado em todos os momentos do dia pra quem se ama, como um perseguidor, um psicopata, um maluco transtornado de um filme de Tarantino. Faz-nos doentes, doentes de amor.

Júlia Siqueira

Afinidade X Cordialidade

           
             Não acho que seja falta de maturidade você preferir fazer alguma coisa com um grupo com quem se afina em detrimento de outro que não se sente tão a vontade. Isso é viver. Sempre existirão aqueles que você gosta e aqueles que por condições diversas se há a necessidade de conviver. Não quer dizer com isso, que você tenha que forçar a natureza agindo além da cordialidade e educação para atender anseios alheios depositados em cima de ti, se assim o fizer estará sendo falso com o outro e acima de tudo com você. Basta seguir instintos e saber que o modo certo em se viver em grupo é sabendo escolher qual grupo você realmente se sente bem e convivendo harmonicamente com os outros que você tem que estar próximo. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Parabéns colegas (professores)!

Nunca soube e talvez nunca saiba o que é ser um bom professor, o que é ministrar uma boa aula, como entreter e satisfazer as aspirações de 45 alunos em sala de aula.
Mas estou aqui para parabenizar a minha classe, da qual sinto orgulho e vergonha algumas vezes. Sinto orgulho daqueles que ganham R$ 900,00 e trabalham com verdadeira maestria, porque não estão ali simplesmente pelo salário, mas por honrar a profissão na qual se formou e por nela ainda acreditar.
Entristeço-me por professores que gritam por salários de deputados e desempenham papel medíocre (que nem eles) e só trabalham pelo salário. Tem profissional que é um desrespeito à classe: não se preocupa com o aluno, não se envolve com a escola, não participa dos projetos, só chega atrasado, sente-se o dono da verdade, não colabora, não coopera, só passa trabalho e cópias livrescas. Nunca inova! Só vai para sala de aula para falar da vida pessoal, das dívidas que contraiu, do salário medíocre e que tudo é culpa do governo, não leva o aluno à reflexão e no fim do ano quer reprovar todo mundo.
Orgulho-me do profissional que vai às ruas, que grita, que xinga e condena o governo pelo salário medíocre que recebe. Que debate política em sala de aula, que leva os alunos à reflexão. Envolve-se com os projetos da escola, que não vive de fofocas nos corredores, que opina, debate, discute, questiona, propõe, contrapõe... Se frustra quando a nota vermelha impera na média da classe. Zanga. Reclama. Xinga. Diz que vai largar a profissão. Que já não sabe o que fazer, mas no outro dia está lá. Forças renovadas. Salário de miséria! Noites mal dormidas! Mesmo com todas as frustrações uma esperança: quem um dia um dos seus pupilos dê bons frutos. Tem esperança que antes da aposentadoria e até da morte que os governantes lhe paguem um salário digno. Salário que não precise de 80 horas, cursinhos, venda de AVON, Natura, salgadinhos entre outras para complementar a renda familiar. 
Parabéns para você, que mesmo lutando por salário digno, criticando as atitudes arbitrárias do governo cumpre com “seus serviços”, e mesmo sob olhares de reprovação de certos colegas, por ser “certinho”, cumpre com o juramento que fez quando escolheu a árdua profissão de professor.
Parabéns a você professor PST que tem carga horária maior que um professor efetivo, que não recebe décimo terceiro, 1/3 de férias, não tem direito a plano de saúde e fica três, quatro meses sem receber, mas “cumpre com as obrigações” e às vezes se dá mais que certos efetivos. 
Parabéns ao professor REDA que tem carga horária de 18h/aula às 20h/aula em sala de aula e não recebe nenhum centavo a mais por isso.
Parabéns para você que não é valorizado pelo governo, pelos alunos, pelos pais e pela sociedade que não o apoia nas greves. Parabéns para você que tem mais de 200 provas para corrigir no final de semana e feriado prolongado em homenagem ao seu dia. Parabéns para quem contraiu a Síndrome de Burnout, mas é brasileiro e não desiste nunca.
PARABÉNS A TODOS OS PROFESSORES, PELOS SERVIÇOS PRESTADOS À SOCIEDADE.


Cristiane Belém

Estar perto não é físico


No seu primeiro “eu te amo” eu estremeci, os dedos quase não seguram a emoção e por um instante vi o celular caindo das minhas mãos e se espatifando em mil pedaços. Era como se o mundo por um instante fosse apenas meu e eu pudesse realizar todas as coisas que sempre quis. Eu tinha você e o melhor, sentia isso, sentia que era real. Mas estamos distantes. Não que pra mim isso seja um problema, estar perto não é físico, disse alguém em algum lugar por aí. Saber que meu coração bate em dois lugares diferentes já é o suficiente em acreditar que coisas extraordinárias sempre acontecem. 

Insatisfações e rodas-gigantes

Nunca estamos satisfeitos, se assim estivéssemos não seríamos seres humanos e sim seres de um planeta qualquer que não este. Nós humanos, temos uma necessidade de estar sempre em desacordo consigo, com o mundo, com as pessoas. Trocamos corte de cabelo ou o colorimos, mudamos de roupa, trocamos de amigos, de tribos, seguimos tendências, e nunca, mas nunca mesmo, encontramos satisfação e prazer em tais mudanças, e assim mudamos de novo e nos frustramos, vivendo numa roda gigante em que sempre se busca o alto, mas quando lá se atinge se cansa da paisagem. Vai entender! Nem nós mesmos conseguimos.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O que você faria?

Existe um mar bravio, com ondas revoltas e dentro de um barco minúsculo está você e as pessoas que mais ama na vida em meio a uma tempestade que não se sabe quando irá passar. E do outro lado você vê uma balsa a deriva com vários coletes salva-vidas e um alerta de SOS. O que fazer? Jogar-se no mar e tentar alcançar a balsa a nado, mesmo lutando contra as fortes ondas a fim de trazer os recursos dali para tentar salvar as pessoas que você ama ou esperar no barco até que um dia pro obra meteorológica a tempestade passe? A escolha é sua.

Procurando no lugar errado

Uma coisa eu aprendi nessa vida, não se acha aquilo que se quer quando a procura no lugar errado! Acaso se acha diamante em livraria? Ou óculos de grau em padaria? Então por que achar o amor da vida (ou de parte dela) em qualquer lugar. Tá, entremos no mérito da discussão piegas e monótona daqueles que acham que os amores surgem de lugares inesperados – coisa da qual não discordo - , mas é necessário entender que isso é uma exceção e não uma regra. O amor, o amado, a paixão, a garota, o cara, o bater forte e descompassado do coração e as mãos frias e úmidas só irão acontecer quando se estiver aberto pra realmente viver isso, e não apenas na tentativa a ermo de que as coisas magicamente aconteçam, e os astros, num impasse zodiacal fantástico nunca visto antes, vá juntar seres que se procuram em lugares inapropriados. Acordemos desse sonho.

Júlia Siqueira