sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Despir-se

Desfazer-se daquilo que pesa, que cansa os ombros, que nos puxa pra baixo além da força gravitacional da Terra. Desfazer-se das grossas roupas que cobrem o corpo e andar despido pelas ruas chocando com a nudez e revelando-se como se é de verdade. Andar sem a proteção nos pés, encarar situações sem as máscaras na face. Despir-se, desconstruir-se, refazer-se.

O caminhante

Pobre homem, sufocado em suas gravatas e preso em seus grandes edifícios, vejo por atrás disso como é difícil ser feliz vivendo tanta agrura. E eu, pobre viajante livre como pássaro voando em revoada, escondendo-se da noite da escura que vem toda estrelada, sou aquele que os olhos passam e em mim não enxergam nada, mas tenho o coração tocando mil toadas, a felicidade no peito de quem sabe que pra ser feliz não se precisa de muito e sim de nada. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Achar e perder


Perdi alguma coisa dentro dessa casa cheia e tumultuada. Procurei e não encontrei. Desisti e tempos depois, por acaso, acabei achando. Quantas vezes passamos por isso? 5, 10, mil vezes? Então porque insistentemente, incessantemente e loucamente tentamos de todas as maneiras possíveis e imagináveis achar o amor? Espere.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O sentinela

Ei, passei a noite velando o seu sono, como anjo guardião ou cão de guarda – ainda não sei qual dos dois me assemelho mais –, os dedos acariciando de leve a sua pele macia enquanto você fazia expressões faciais involuntárias, ora chateando-se pela perturbação do sono ora pelo acolhimento do toque. Você se debatia muito na cama, roubava a todo instante o meu cobertor, outras vezes não se cobria como deveria, ria, conversava enquanto sonhava e assim permanecia. Já pela manhã, você levantou, tomou banho, vestiu-se e saiu para trabalhar, então o seu sentinela finalmente pôs-se a dormir para poder fazer tudo de novo na noite que viria.

Estou aqui

Estou aqui, não preciso correr atrás de você uma vez que sabe onde estou, onde moro, o que faço e quais minhas rotinas diárias. Entretanto estou aqui parado te esperando, esperando a decisão, aguardando as respostas pra'quelas perguntas tortas que você sabe todas as respostas, mas não diz por que sente vergonha como alguém tímido numa plateia lotada. Mas só existimos nós aqui nesse teatro vazio, não há o que temer, ou há? Na certa, você se teme, se treme, não sei, o que sei é que toda espera tem um fim e por vezes esse fim não se encaminha necessariamente pro que é bom e sempre sai alguém arrependido.

Subjuntivos

E se aquelas palavras não tivessem sido ditas? E se não estivéssemos partido, fugindo um do outro pra se encontrar ou se perder em algum lugar, como seria? Como seria a leitura da vida se a nossa escrita fosse diferente e se ao invés de tomarmos caminhos opostos, pegássemos juntos no lápis pra escrever uma história a quatro mãos. Como seria? Nem consigo imaginar.
Hoje esse sentimento paira em meu ser. Arrependimento? Não, acho que não, mas poderia ser essa a palavra enquanto não encontro outra capaz de exprimir o que é sentido. Acho que é mais vontade de prever o futuro e antes de tomar alguma decisão importante saber se realmente dará certo. Porém, vejo que todas as coisas se encaminham para o que devem ser, ou não. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Chá de vida infeliz

Me dê duas colheres bem cheias de mentiras disfarçadas de verdade, de carinhos velados, de presenças ausentes, de amores forçados. Me dê isso. Só isso! Pra eu misturar no meu chá de vida boa infeliz.

Perguntas

Qual o objetivo de ter um trabalho imenso em buscar lenha, juntar em um espaço formando uma fogueira, acendê-la, se em menos de dois minutos a apagará sem ao menos consumir a última lenha recolhida na mata fechada? Trabalho em vão ou, sem trocadilhos, fogo de palha? E qual o objetivo de conhecer alguém, chamá-la pra sair, fazer planos juntos, demonstrar ciúme, brincar como namorados adolescentes se não há a vontade em fazer com que aquilo dê certo? Trabalho em vão ou, sem trocadilhos, fogo de palha? Perguntas. Respostas?

Quando é preciso mudar

Sim a mutabilidade é boa para o ser humano, muda-se conforme a estação, as condições que a vida lhe oferece, mas se muda. Triste daquele que é e quer continuar sendo a mesma pessoa todo dia, uma vez que lhe é oferecido a oportunidade diária de ser diferente, de trilhar novos caminhos, de respirar novos ares. Mudemos, sempre pra melhor. É o que é esperado.