terça-feira, 30 de julho de 2013

Corpo, calor e frio

Meu corpo anseia pelo calor, que queima minha pele nos dias de verão, fazendo com que brote dos poros pequenas gotículas de suor, que me dá vontade de beber água numa sede ensandecida, provoca desvarios quando aquece minha alma e me retira de uma zona confortável e me vira pelo avesso. Mas concomitantemente necessito do frio. Preciso sentir aquele vento gelado na nuca e arrepia os pelos do braço, ver aquela fumaça que sai da boca, e tomar algo que me esquente e me faça lembrar o calor que precisa do meu corpo como meu corpo precisa dele. E vivendo essa ciranda a três, essa relação interdependente, visceral, que ainda não sei descrever como é, mas meu corpo sabe do que se trata. 

Não era pra ser agora

Não era pra ser agora, não pode ser agora, mas quando percebi já me vi preso numa teia astuta de uma aranha pronta pra me devorar. Era sonho, eu sei. Devaneio de minha mente psicótica e inventiva. Na verdade era tudo uma metáfora do que vivo, vivi, viverei. Não sei! O que sei é que não pode ser agora, não pode ser hoje, não pode ser presente e nem futuro, por que foi passado, e passado não volta, e se volta assusta, atormenta, machuca, enlouquece. O relógio atrasou nossa hora ou adiantou? Ou fui que eu que cheguei atrasado ou você que chegou mais cedo? Não sei, tenho medo. Acabou, acabamos, acabaremos! Tem que ser assim, calmo e sereno. Pra ter certeza que se findou, que não voltará, que será espírito de luz e não me atormentará os dias cobrando algo que não fiz e que só trará lembranças, estas boas, por que de ruim já basta a vida e a essa certeza de que já passou a nossa hora. 

Conselhos, amores e gênios (ou Tempo para o amor)

Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia, - quem nunca ouviu esse famoso dito popular? Mas contrariando a voz do povo, que dizem que é a voz de Deus - desculpa Deus, sempre sinto pena de Você nessa comparação – selecionei aqui o conselho que todos nós deveríamos saber ou sabemos e não colocamos em prática: NÃO SE APAIXONE! ISSO É COISA DE GENTE BURRA! Assim escrito CAPS LOCK pra ver se nós, pobres mortais brincando de ser deuses, conseguimos por fim entender.
Explico. Já viu pessoas inteligentes se apaixonando? Nunca vi. Pelo menos não consigo lembrar algum gênio da humanidade que tivesse alguém pra ter uma DR no almoço, uma cobrança no fim de um dia de trabalho, um ciúme bobo de um ‘like’ numa foto de rede social. Jesus não quis se envolver em problemas de relacionamento e É o Homem que É. Você acha que Steven Jobs criou o IPHONE numa briga com a namorada, por não ter sei lá esquecido o dia do aniversário de 2 meses de namoro? Não.
As pessoas mais felizes são as mais solitárias, isso é fato, ainda não comprovado cientificamente, mas com certeza um dia será. Às vezes você está lá apaixonado, vivendo uma relação que pra você é maravilhosa, quando na verdade está mais solitário que um ermitão no deserto. Solidão a dois é osso que nenhum cachorro gosta de roer. Então, coloque sua força em algo que eleve o seu nome. Até o poeta fica triste imaginando os amores que não teve, por opção, e fica assim famoso pela sua poesia. E você aí se apaixonando? Até quando? Conselho dado: Viva a solidão! E seja feliz, ou pelo menos tente ser.

Júlia Siqueira/ Taynan Brandão

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Foi fácil

Foi fácil, mais fácil que aprender as vogais na escola primária. Me encantei com uma timidez transparente, um sorriso franco e uma conversa agradável. Como fora possível ultrapassar as camadas de titânio que coloquei clandestinamente numa clínica de robótica e atingir meu coração em cheio? E eu como pude me encantar pelo desconhecido, por palavras soltas que fizeram meus olhos brilharem como duas estrelas, me fazendo esquecer um passado de sofrimento? Quantas perguntas! Me deu vontade de descobrir as respostas.

Exijo-te apenas isso!


Cuide de mim, exijo apenas isso! Dispense todos os seus afazeres, todas as pessoas de sua vida, os trabalhos pendentes da gaveta da mesa do escritório e dedique esse tempo exclusivamente pra mim. Melhor, dedique sua vida pra mim! Que eu seja o seu trabalho, o seu remédio, o seu sono, o seu deitar e o seu levantar. Não acho que exijo muito de ti, peço-te só isso. Coisa pouca. Começamos quando?

sábado, 20 de julho de 2013

De todos os loucos do mundo...



...eu quis você, porque a sua loucura parece um pouco com a minha!


As conversas até de madrugada no telefone, os risos incontidos e altos, as farras e bebedeiras, os golpes e micos, os choros e o chorar junto, os conselhos e o querer bem, as brigas e a falta de vergonha de minutos depois estarem se falando depois de jurar inimizade eterna.
Amizade é uma roda-gigante, uma montanha russa ou um brinquedo novo de um parque ultramoderno, do qual não sei o nome, mas com grandes oscilações. Bipolaridade seria o nome bem empregado. Aprender com as divergências de humor do outro, entender quando o amigo está bem ou não, viver com ele do lado 24 horas, mesmo que não estejam fisicamente perto. Amar, amar, amar. Talvez a amizade seja (e creio que é de verdade) uma das formas mais puras de amor, uma vez que quando estamos apaixonados nos encantamos pelas qualidades da pessoa e na amizade nos fortalecemos e afinamos com alguém pelos defeitos. A mística de só com um olhar dizer: eu já fiz e/ou faço pior.
Usando as aulas de português, para falar de amigos utilizo antes o pronome possessivo MEU, um dos que mais gosto de usar, porque me dá sensação de propriedade, de ser dono de algo ainda que não o seja dono por completo. Por isso sempre digo MEUS AMIGOS, assim de boca cheia e com a maior falta de educação e etiqueta, sinto-me como se fosse apenas o único contemplado no mundo por tê-los, e sou de alguma forma.
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Conjugação do verbo amar


Eu te amo, tu não me amas, porque ele/ ela te ama. Mas, e se nós nos amamos? Quando ele/ ela me amar, se eu tiver amando, pode me prender que estou doente terminal convalescente com Alzheimer e esqueci realmente que eu tinha amado, continuei amando e o que aconteceu foi que acabei me ferrando.

Júlia Siqueira

Hipócritas dirão que enlouqueci


Corram de gente que ama todo mundo! Toda pessoa no mundo tem que ter alguém pra odiar, senão não é vida! Como se vive sem ter alguém pra colocar apelidos, caçoar e falar mal? Hipócritas se agitarão nas cadeiras diante de seus computadores e nervosos lerão esse texto condenando-me por dizer uma verdade que todos já estão cansados de saber: NÃO HÁ COMO AMAR A TODOS ou NENHUM DE NÓS VALE MUITA COISA!
Somos humanos, vivemos do mesquinho, do politicamente incorreto, da podridão e assim somos felizes, simples assim como nos diria alguma criança da propaganda da Oi. Uma pessoa que senta na frente da TV no domingo e se põe a rir das vídeo-cassetadas do Faustão, presta? NÃO! Rir da desgraça e da derrota alheia faz com que nos tornemos imensamente satisfeitos, numa situação sado masoquista, uma vez que sabemos que o nosso riso é passageiro e alguém um dia rirá de nós, mas assim que a vida segue, rindo dos outros e a vida rindo de todos nós.

Nunca gostei de escrever textos longos...


Nunca gostei de escrever textos longos, e por dois motivos, primeiro me cansa e depois cansa aquele que se põe a ler algo tão grande. As pessoas desacostumaram a ler com o tempo, as coisas mudaram e as notícias são mais visuais e empolgantes do que no século XIX, por exemplo, em que os jornais eram apenas recheados de letras minúsculas e apagadas pela precariedade das máquinas de tipografas. Hoje não se lê bula de remédio, não se lê contratos, não se livros e a sociedade tá a merda que tá. Acredito que seja a falta de leitura. Ou falta de educação? Ou as duas coisas? Refiro-me aqui a educação escolar e não a que se aprende em casa, de valores e moral – que também está outra porcaria.
Atualmente fico impressionado com o tanto de analfabetos funcionais, idiotas, medíocres, ou apenas gente burra mesmo, ocupando espaços que antes eram de intelectuais e estudiosos – não defendendo os estudiosos e letrados que também são, em sua maioria, uma qualidade podre de frutas de final de xepa, mas que pelo menos possui argumentos plausíveis ou até discutíveis.
Hoje o Ministério da Educação no ápice de sua inteligência e perspicácia inventou que mudar a grade curricular atual em blocos de estudos seria o mais acertado para se resolver o problema da fragilidade do Ensino Médio no Brasil. Como se a fusão de disciplinas fosse resolver o ensino do país. Melhoria da educação não é mexer em grade curricular e sim valorizar o profissional como parte do processo educacional e dar a eles condições para efetuar seu trabalho. Nas escolas particulares os recursos digitais, pedagógicos, profissionais são inúmeros. Os alunos não são avançados nas séries sem um mínimo de aprendizagem, visto que muitos alunos da escola pública chegam ao ensino Médio como analfabetos funcionais. E a culpa é de quem? Dos professores da rede pública que tem que multiplicar as suas cargas horárias em 3 pra conseguir ter uma vida decente? Dos alunos que mudaram com os últimos anos? Ou dos órgãos públicos e pseudo-teóricos da educação que fazem da escola pública um ninho de teorias e experimentos descabidos? Desde quando o mundo é mundo saber e aprender/ apreender sobre alguma coisa é fruto de experimentos e dúvidas, questionamentos e explicações. Uma educação baseada nisso não tem segredo algum, é a forma mais pura e simples. Acho que o governo tem coisa melhor para se preocupar.
Agora sei por que não gosto de escrever textos longos. Não consigo atingir a todos. Ler não é bom, cansa. Se você conseguiu ler até aqui, sinta-se privilegiado, tem gente que se satisfez com o desenho e o título. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Contos reais


Você acha que me engana com esse seu jeito meio torpe de dizer que um dia me fará feliz, colocará uma aliança no anelar da mão esquerda e construirá um abrigo pra nós nos escondermos do mundo? Não acredito mais em conto de fadas, nem príncipes que despertam damas com um beijo e nem sapos que viram príncipes. Vivo num mundo real, doente, sádico, amoral, em que as coisas machucam e que os finais felizes acabam em um final de tarde atípico durante uma cerveja e outra no barzinho na orla e não num felizes para sempre ou até que a morte os separe. Então não minta, não finja que se importa, que ama, que sente algo (duvido da capacidade de sentimentos bons vindos de ti), seja você, esse sujeito torto, esse sorriso sacana na boca de quem gosta de iludir e jogar fora como copo de café em fim de expediente, porque só assim, real, visceral e falso é que eu consigo te amar. As pessoas não gostam daquilo que realmente vale a pena, e eu não seria exceção.

Júlia Siqueira/ Taynan Brandão

Tomando o ônibus de volta


Caímos no limbo da pós-modernidade, o período da história que é caracterizado pela efemeridade das relações humanas. Aqui nós conversamos com todo o mundo, mas não dialogamos com nossos familiares em casa. Criamos amizades, namoramos e até fazemos sexo online, afinal se há um cardápio variado de espécimes ao gosto do freguês, no entanto temos medo de puxar uma conversa com moça que se sentou ao nosso lado na viagem de ônibus ao trabalho. Onde iremos nós? Quem souber me responda, preciso tomar o primeiro ônibus de volta pra casa.

Noite


E com o passar dos dias, o inverno marca sua presença  no vento frio ao entardecer e nos grossos casacos nos corpos das pessoas e desde então, quando tudo parece apenas calmaria e deserto, me tranco no quarto, apago todas as luzes, me prostro na janela e ponho-me a olhar as estrelas, pois é na escuridão que elas se tornam mais claras. 

O vento e as árvores




Sabe aquelas árvores novas que se apequenam para fincar profundamente suas raízes no solo? Elas não são vistas pelos que passam admirando a paisagem nas estradas, nem são ponto de atenção dos jardineiros não sendo podadas por vezes. Mas na primeira tempestade, as que foram podadas e contempladas pela sua grandeza e beleza na estrada, são as primeiras a cair quando se aproxima um vento forte, já as árvores pequenas continuam ali, paradas, observando silenciosamente a queda daquelas que se fizeram grande. Elas, pois, envergaram, mas não quebraram. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

O menino que lia pessoas


Comecei a ver que algumas pessoas são poesias, só isso! Ora de extrema beleza, com rimas e métricas perfeitas ora desordenadas conforme a vontade do autor. Assim, estou tentando aprender a ler a vida diferente do que meus olhos enxergam! (confuso isso, bem verdade). Querer que os outros fossem como eu queria, fez com que tudo entrasse em atrito. Não quero mais isso, nem com você nem com ninguém, quero apenas ler as entrelinhas, as poesias, a pessoa, as pessoas especiais e poderia bem começar por você.

João Paulo