quarta-feira, 22 de maio de 2013

Desencontros e despedidas




Até! – disse enquanto cerrava a porta e por entre as frestas olhava você partir. Partindo pra não mais voltar nem pra uma visita ou um café inesperado pela manhã. Você se foi... e eu fiquei. Fiquei triste, desamparado, observando impaciente a hora marcada no relógio do aparador da sala, esperando uma ligação, um contato por carta, e-mail, SMS, qualquer coisa. Mas nada aconteceu. E aos poucos, em doses homeopáticas miúdas, fui me dando conta de que não sentia mais saudade, que tudo era um desencontro, e passei a não ter tanto ódio das conjunções adversativas, aquelas que dão uma conotação contrária ao que já havia sido dito. Ontem estava triste, PORÉM hoje não me encontro assim mais.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morre


Quer alguém perfeito? Morre! Há um boato, que corre a boca miúda, que dá conta de que as pessoas depois de mortas se tornam perfeitas e sem defeitos, sempre lembradas com pesar por não ter vivido mais. Verdadeiros modelos de santidade. Será que é por isso que as pessoas só são consideradas santas só depois que morrem, mesmo tendo feito grandes coisas em vida? Difícil pergunta pra uma resposta mais difícil de obter.
Pois então eis a dica, única e exclusiva que servirá para acabar com seu tormento em procurar a metade da laranja e a tampa da panela. Morre, simples assim! E lá no além quem sabe encontre alguém que preencha com louvor esse seu longo cadastro de expectativas.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Nova versão de mim



O sol já não parece nascer com mesma intensidade. Os programas da TV parecem mais chatos que o habitual. As roupas parecem ter escolhido os tons de cinza, um desprazer monocromático pra qualquer olho. As comidas não tem sabor. Os sorrisos são todos banguelas e nem assim lhe faz achar graça alguma. Há uma névoa, um pensamento depressivo, uma vontade de suicídio. Será interessante continuar vivendo nesse mundo mesquinho e sem graça? – pensamento perene que lhe envolve a cabeça. O travesseiro, o grosso cobertor de lã e as roupas largas denunciam que nada vai bem, mas você entende que eles são as suas melhores companhias uma vez que as multidões que te cercam parecem animais vorazes nada acolhedores e prestes a te atacar a qualquer momento. Solidão, melhor definição para esse instante que demora de passar, sua imagem apática no espelho demonstra que não há palavra melhor para descrever-te.
Nada se encaixa como num jogo de Lego. Nada faz sentido. O que esperar de um futuro se vivo uma bagunça no presente e não sei o que foi meu passado? Fim da linha. O trem daqui não passa. Atiro-me nesse precipício? Não! Reajo. Junto todas essas lembranças que me atormentam e me fizeram aqui chegar e incinero-as. Novas roupas me caberão, novos sorrisos me encontrarão, novo rosto no espelho encontrarei, mas continuarei sendo eu, ali, fumaça de lembranças e renascendo para o que nem sei ainda, numa versão melhorada de mim. Sou forte, eu posso, eu consigo.



Pra uma nova estação...



Talvez por algum motivo, desconhecido a nós meros mortais, pessoas se encontrem, desencontrem, cheguem, se vão, nesse ritmo frenético que lembra as grandes estações de trem, em que os risos dão lugar às lágrimas e vice-versa. Mas nenhuma delas se vai sem antes deixar pra nós uma lição ou sem que antes nós mesmos as ajudemos a compreender o que até agora está incompreendido. Sempre é assim. A gente abre as fechaduras de um trinco enferrujado e revela um mundo novo de possibilidades que era escondido para tantas pessoas e de quebra entendemos que nem sempre é bom ser aberto demais e nem se fechar em excesso, tudo tem sua medida, tudo tem sua quantidade. E de repente nos vemos revivendo situações antigas com um novo olhar, uma nova maturidade, um novo sentimento que alguém trouxe, deixou conosco e foi embora pra uma nova estação. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Em segredo



Todos os dias às 17:00 em ponto corro até a janela lateral que fica na cozinha e por entre as frestas da persiana olho-te passar. A espera, o olhar incessante para o relógio no aparador da sala e os 4 segundos mais felizes de todos os meus dias. Ver-te passar ali, distraído, olhando as horas no relógio ou simplesmente mexendo no celular, faz meu coração descompassar num ritmo que lembra uma bateria de escola de samba.
Amo-te em segredo, sempre amei. Acho que é amor, não sei, será? Confusão essa minha, desejo grande esse meu. Escrevo o seu nome entrelaçado com o meu no jeito mais brega e infantil, umas vezes em acrósticos, outras com corações pintados a lápis enfeitando. Quero dizer que lhe amo, que te quero, que desejo passar os meus dias junto de você, mas tenho medo das respostas serem duras e machucar esse meu coração que só agora quer reaprender a amar. Então, me contento por esses 4 segundos por dia, os mais felizes, os mais doces e assim vivo te amando, te gostando, em segredo.

Júlia Siqueira

domingo, 5 de maio de 2013

Deus



Nós precisamos de Deus, nós ansiamos Deus. Quando nos damos conta do que somos neste mundo o nosso coração e a nossa existência se percebe incompleta. Precisamos preencher o vazio que nos acomete por vezes. Ao admirar o nosso redor percebemos que queremos viver e experimentar o que está além do véu do conhecimento humano e da erudição, o que está por detrás das coisas visíveis, a pequenez grandiosa, e nos pegamos impelidos a querer vivenciar um grande mistério.
Deus é esse mistério. Seus caminhos, embora tortuosos, nos direciona sempre para o bem e para a verdade. Ele é aquela voz no coração que fala tão forte e nos cala de tal maneira nos momentos em que nos reconhecemos limitados e precisamos de uma ajuda. E é nesse momento em que as lágrimas escorrendo pelo rosto se transformam em oração e agradecimento. Agradecimento por não ser apenas mais uma das inúmeras obras da Criação, mas por ser um dos seus filhos bem amados.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Que país é esse?




Os indígenas chamavam de Pindorama, na certidão tem República Federativa do Brasil ou puramente Brasil, mas eu não sei mais como chamar a nação que nasci. Tantas coisas importantes a serem feitas e nós cruzamos os nossos braços pra discutir besteiras. Nós, sim. Os políticos não são tão somente culpados pela nossa mania arcaica de escolhê-los. E não reclamemos de falta de informação porque hoje ela atinge a todos. Quantos mensalões, leis tortas, maracutaias, precisam acontecer para que acordemos pra vida? Ou melhor, quando acordaremos pra vida? Se é que já não estamos todos anestesiados pela gana de galgar um lugar ao sol ou loucos para fazer parte de toda essa sujeira. Dá nojo.
Hoje levantando da cama, clamando para que seja um dia melhor, Murphy sobrepõe os meus desejos pela força de sua lei cortante. Tudo que está ruim sempre pode piorar. O deputado Marco Feliciano, agora inventou de criminalizar a heterofobia. Como assim? Tentei vislumbrar as seguintes situações:  – Olha, você está sendo despedido do emprego porque você é hétero e nós não toleramos nessa empresa este tipo de comportamento, ou melhor alguém passa na rua e grita: - Ei, seu heterozinho! Herege, você vai pro inferno! Até agora não entendi o princípio de tal projeto. Mas como tudo sempre pode ser pior, uma outra notícia dá conta de que um outro deputado, que me foge o nome da cabeça, decidiu criminalizar a morte de animais durante os sacrifícios do candomblé. Será que acham que todas as galinhas, seja de granja ou caipira, para serem consumidas se espera que elas morram de causas naturais?
Não existe coisa melhor pra esses políticos pensarem? E as fiscalizações dos projetos de lei emperrados porque o dinheiro público está sendo destinado para outros fins? E as farras, o nepotismo, as irregularidades não são mais urgentes do que criminalizar banalidades? Parafraseando Cazuza, Brasil sua cara é de corrupção e ignorância, e quem paga pra gente ficar assim somos nós mesmos que somos tão sujos quanto os que estão nas assembleias e ministérios. Com tantas dessas, me dá vontade de rasgar meu titulo de eleitor, mas ainda o considero minha maior arma. Acordemos!