domingo, 28 de abril de 2013

Amo-te mais



Quando te vejo atravessar a rua e correr pro carro fugindo da chuva, sorrindo pela surpresa do tempo, amo-te mais. Quando vejo reclamar que não tem uma roupa pra vestir porque sujou todas e esqueceu que elas não se lavam sozinhas, amo-te mais ainda. E vendo a sua concentração mexendo em papéis e acertando contas matemáticas, amo muito mais. E rindo das piadas sem graça do Zorra Total, enquanto roubo o último pedaço de pizza, me faz amar mais. E suas caretas, sua risada que é mais engraçada do que os casos que conta, e o sua concentração, as conversas animadas, os debates que poderiam ser televisionados de tão bons que são e as coisas mais diferentes e inusitadas que acontecem com a gente me faz te amar mais e mais e mais... Até quando? Pergunta difícil. Espero que dure o tempo necessário para nunca esquecer!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Amar o próximo


E disse-nos Jesus: "Ame ao teu próximo como a ti mesmo.". Hoje passado tantos anos, demonstramos por nossas ações que não nos amamos em plenitude, uma vez que não conseguimos amar ao outro. Ora, uma coisa não se dissocia da outra. Como digo que amo o outro se não amo a mim mesmo agindo de forma vil com meu eu? E como digo que me amo se não consigo transpor esse amor em ações que fujam do julgamento perene do meu irmão e busque insistentemente em convertê-lo a um ritmo de vida que nem eu mesmo quero viver?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pessoas



Não acredito em algumas máximas que dão conta de que certas pessoas aparecem em nossas vidas para atrapalhar, acho errado chegar a essa conclusão simples quando se trata de algo tão complexo. As circunstâncias podem ser adversas, mas ainda sou daqueles que acreditam que alguém chega para ensinar, para acrescentar, ainda que contraditoriamente por vezes existam ações que provem o contrário. Há um propósito em tudo, até nas coisas que julgamos ruins, toda tempestade é seguida de fortes raios solares. E assim a vida segue seu curso...

Alimentando pássaros, entendendo a vida



Um senhor, de idade já avançada, tinha um hábito de sentar todos os dias, próximo do horário do pôr do sol, em um dos bancos da praça central a fim de fazer o seu ritual vespertino de alimentar os pássaros. Bastava que ele sentasse no banco e em poucos minutos uma revoada de passarinhos como por aviso ou hábito mesmo, se aproximava dele uns até comendo em sua mão.
Um biólogo, daqueles mais chatos, vendo a cena, aproximou-se do senhor e disse:
- Não vê que os animais criaram um mau hábito e se acostumarão com o alimento que trazes que chegará o dia em que perderão suas habilidades para coletar seu próprio alimento?
O senhor perguntou:
- Você tem filho?
- Sim, tenho. Dois. – respondeu.
- São pequenos ainda não é?
- Sim! Mas o que isso tem a ver com a conversa? – indagou o biólogo, já nervoso.
- Quando seus filhos crescerem entenderá que o que faço não é nada mais que um pai faz com seus filhos, embora não seja pai de nenhum desses pássaros. Os filhos crescem e como esses pássaros voam em busca de outros lugares, outras oportunidades, mas sempre voltam onde acham segurança, carinho e amor. Assim, esses pássaros voltam todos os dias, muitos que não conseguem voar direito e por isso são dependentes deste alimento, e aqui encontram uma forma de sanar alguns dos problemas que encontram. Entendeu?
O velhinho veio falecer anos mais tarde, mas os grãozinhos de alpiste e girassol vinham agora de um biólogo com filhos crescidos.

domingo, 21 de abril de 2013

Não abandonamos o quarto no domingo




Acordamos e não nos levantamos. Desde que nos apaixonamos, a cama é o nosso acampamento. Despertamos cedo e ficamos conversando, recapitulando a rotina, rindo à toa. É um domingo inteiro assim, entre travesseiros, almofadas e edredom.
O quarto permanece trancado, as cortinas fechadas, o jornal empilhado na porta. De vez em quando, um dos dois é sorteado como emissário da geladeira, para buscar frutas ou água. É uma visita rápida pelos demais aposentos, na ponta dos pés para não assustar as pálpebras. Não é aconselhável demorar pela sala, para a claridade não quebrar o encanto e nos obrigar a sair à rua. Somos sonâmbulos um do outro. Viciados um no outro. Intoxicados um do outro. Passamos os dias no colchão travando histórias e revelando segredos. A cama é o nosso hotel, nossa casa na serra, nossa residência de praia, nosso bunker, nosso pub, nossa água-furtada.
A cama é o que precisamos do mundo, o resto pode levar. Reduzimos o universo àquele estrado de madeira, e nos divertimos com os problemas antigos, com as dores antigas, com aquilo que nos antecedeu e ainda não era a gente. Na verdade, sinto que estudo para o vestibular de sua memória. Olho o teto coberto de fórmulas, fotos, cenas, equações e cálculos de sua vida. Decoro suas sobrancelhas, seus suspiros, sou um mímico atento de seu rosto. Faço perguntas despropositadas - nunca prevejo o que vai cair na prova do amor. Interesso-me por qual lugar que sentava no colégio Champagnat. Me diz que era no fundo, com as costas coladas na janela. E você me interroga a cor da minha térmica no jardim de infância do Santa Inês. Falo rápido que era azul. Quem teria coragem de fazer essas questões senão quem ama? Mais: quem responderia com naturalidade essas questões senão quem ama?
Não nos assustamos com nenhuma gratuidade. Não estranhamos a curiosidade ou nos envergonhamos da loucura. Intimidade é não temer o que será feito com nossas palavras. Deitamos de lado, atravessados, você em meu peito, eu encaixado na moldura de seu pescoço. Giramos para esquerda, tonteamos para direita, argumentamos, confortamos, descrevemos nossos amigos, confessamos nossos pecados, sussurramos bobagens. Os ouvidos se tornam rápidos como a boca. Falo e ouço na mesma hora. Nossas mãos se beijam, nossos pés se beijam. Tudo é intenso entre nós a ponto da lembrança criar a experiência. É como se nossos olhos fossem aquela máquina polaroid cuspindo fotos. Os vizinhos devem suspeitar que já morremos, mas nunca estivemos tão vivos.


Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Evoluiu ou involuiu?



Tem certeza que isso algum dia foi amor, paixão, querer ou simplesmente fantasia de sua mente carente que buscava alguém que lhe completasse, que entendesse suas manias, erros e oscilações de humor e mesmo assim gostasse de você? Melhor, acredito que foi uma progressão de uma realidade inventada por você e idealizada em mim e como não pude atender as expectativas “press delete”. Amor é diferente! Será que é capaz de diferencia-lo?
Como e em que momento as pessoas se tornaram tão descartáveis assim (acho que não acompanhei a ‘evolução’ da espécie a isso)? Em que mundo estamos em que vivemos impelidos a todo instante a agradar alguém, num ritmo de servidão que já não existe mais nem nos livros infantis, e quando não agradamos não se há diálogo e sim descarte. Lixo orgânico em putrefação sem condição de reciclagem, esses somos nós.
E ainda abrem a boca pra falar de amor, de gostar, de querer. Involução humana. Amam quando o amam, gostam quando gostam e querem quando querem. Amor não é interesseiro, para gostar de algo não se precisa dizer a todo instante e pra se querer, ah... pra querer é preciso respeitar em algum momento o tempo das esperas. Quem aguarda o que quer, sabe valorizar o que tem. 
Evoluir ou involuir, eis sua questão, a vida não gravita em torno de você, saiba e se não tomar uma atitude sobre o que você é, será banido por seleção natural.

Júlia Siqueira

Cama de gato




Tudo podia ser tão mais simples, sim ou não, quero ou não quero, amo e odeio, preto e branco. Mas aí vem uma série de nuances, várias tonalidades, várias desculpas, vários modos de se pensar. E tudo se torna imensamente complicado. Poderia ser mais simples? Poderia. E quem complicou isso tudo? Nós mesmos.

sábado, 13 de abril de 2013

Encontrei quando não quis mais procurar...



Te conhecer foi um presente caprichado de Deus. Sem ao menos saber o seu segundo nome, você conseguiu ocupar um lugar que até hoje poucos conseguiram. As conversas, os conselhos, as experiências de vida, os problemas, tudo fora compartilhado de maneira que nenhum carregasse o fardo sozinho. Tão pouco tempo, tão pouca vivência, mas tanta afinidade. E de tanta afinidade, a descoberta que era bem mais que bem querer. Era um querer bem... Bem perto, bem constante, bem juntinho, bem intenso. E de tanta intensidade, surgiu aquele sentimento bonito que todo mundo procura, e que sem querer eu acabei encontrando em você.

Nina Ramos

terça-feira, 9 de abril de 2013

As cartas que nunca mandei




Primavera
 Deveria te odiar pelo que me fizeste passar, mas só consegui chorar enquanto bebia alguns goles da pinga ruim do armário do meu avô e lembrar em que momento a massa desandou, o bolo solou e você teve que procurar alento em braços que não eram os meus. Li vários livros depressivos ou ouvia qualquer música e chorava, mas aos poucos estou me reerguendo. Dói ainda lembrar e cada dia que parecia eterno. Tentei fixar minha mente na carreira, trabalho e amigos e você passou a ser apenas a saudade que gosto de ter. Masoquista eu sei, gosto de sofrer. 

Verão
Calor, praia, sol, verão. Dizem que é a estação da pegação. Eu, porém não ando “pegando” ninguém. Tudo eu comparo, desde a abordagem até o sexo, e as pessoas me fazem ficar com tédio muito facilmente. Lembro-me de você ainda, pelas poucas ligações que ainda me faz e que corro rapidamente pra atender no primeiro toque. Considero um amigo, alguém que quero bem, apenas e tento reafirmar a mim isso a todo instante. Será?

Outono
Que droga! Me descobri cuidando de você ainda que longe. Preocupei-me com a cirurgia que fez perto das férias e só recebi recados monossilábicos como resposta. Masoquista! Eu sei. Todos nós gostamos de amar e dispensar tempo a quem não nos dá a mínima e dizem que o fazemos pelo simples fato de nos tornar mártires de nossos próprios sentimentos, eu, contudo acredito que quando se ama alguém de verdade (amor e não paixão) se faz de tudo mesmo que seja um mínimo diante de tudo o que se fez um dia.

Inverno
Cartas guardadas. Nova etapa: viver. E por vezes viver não é lembrar e sim esquecer!

Dor




“...Perder é também uma forma de ganhar. Um dia eu precisei amar minha dor. Era o único jeito que tinha de continuar vivendo. Quando acolhida, a dor se dissipa aos poucos e, de maneira incrível e surpreendente, o que parecia ser definitivo transforma-se em matéria transitória...”

Pe. Fábio de Melo, Tempo de Esperas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ontem e hoje (Passado, presente. Futuro?)


Ontem ardorosos amantes, hoje meros desconhecidos. Fico pensando em como a nossa vida deu tantas voltas e como nosso nó de marinheiro se desfez tão facilmente. Ontem tínhamos planos de morarmos juntos, de vivermos os nossos últimos dias num pequeno rancho à beira mar em meio à natureza, acordando ao som dos pássaros todos os dias enquanto os nossos filhos já crescidos batalhavam o seu futuro numa cidade grande. Hoje, porém, não suportamos a presença um do outro permanecendo em profundo silêncio, um silêncio cortante e letal que nos distancia mais e mais.
O que fizemos pra chegarmos até aqui? O que não fizemos pra chegar até esse ponto? Nem puxando a mais vaga lembrança, nem fazendo uma retrospectiva minuciosa minuto a minuto eu consigo vislumbrar um hoje tão estranho diante de um ontem tão importante. O que fazemos então? Essa é a resposta que ninguém nos dará, nem nós mesmos, sendo assim, eu vou até a janela do meu quarto, procuro a Lua ou aquela estrela que nos demos de presente e peço a Deus que numa vida qualquer das que virão eu posso ter você, minha alma gêmea, por inteiro.

Dia da verdade



Imaginem se o dia de hoje, conhecido por ser um dia de pegadinhas e brincadeiras entre amigos, fosse o dia da verdade, e que nesse único dia do ano nós pudéssemos dizer todos aqueles fatos que guardamos para as pessoas que mais merecem ouvir determinadas coisas, mas que nós, por ética ou educação, insistimos em esconder. Como será que seria? Vejo uma possibilidade de caos, mas seria um ótimo começo pra uma sociedade que não preza por sinceridade. Ser sincero às vezes é sinônimo de ser grosseiro. Então sejamos eternamente grosseiros apenas por um dia.
Comecemos então, dizendo ao patrão pra se afastar um pouco porque ele tem um bafo insuportável ou falando àquela amiga fashionista que certas roupas apenas combinam nas modelos e nas passarelas e não na vida real nem muito menos nela. Ou melhor, dizer aos políticos que eles têm que trabalhar e não ficar passeando e gastando o dinheiro público, que nós estamos de olho neles e se pisar na bola um milímetro é xilindró na certa. Bradar para uns aí que Deus não é comércio, e ainda gritar pra’quele “amigo” xarope, que você não gosta dele, apenas o tolera por educação e simpatia.
Eu acho que esse dia da verdade seria mais fácil pra uns e muito difícil pra outros, afinal mentir se tornou tão verdade pra alguns que é melhor viver nesse mundo iludindo-se do que acordar pra um mundo de novidades mais reais e menos ilusórias. Então, pra vocês, feliz dia da mentira... E eu continuo grosseiro, vivendo mais um dia de verdades!