sexta-feira, 29 de março de 2013

Ele fez por amor, nós não fazemos por preguiça...



Eu acho válida a reunião das famílias em dias como o de hoje, só não encaro a comilança e diversidade de pratos como algo bom. Penso nas pessoas que são menos favorecidas e hoje terão novamente o jejum como companhia, penso no sistema político-social que nos envolve e vejo a discriminação com o ser humano, a distribuição desigual de renda em um mundo tão rico, e percebo que Jesus hoje sofre mais, que as feridas nos seus punhos e pés sangram com mais intensidade e nos vemos comemorando, no lugar de fazer o papel que Ele nos destinou, o de amar o próximo e servi-los em sua necessidade. Como não fazemos isso por vezes, pelo menos eu oro. 

domingo, 24 de março de 2013

Bipolaridades



Não gosto de bipolaridades. Um dia se quer, o outro não. Um dia se fala, no outro ignora. Um dia sente saudade e no outro não se sente a menor falta. Sim e não são coisas tão fáceis, racionais e úteis, mas tem muita gente insistindo no talvez e culpando os outros por infortúnios causados por si próprios. Seria tão bom se fôssemos mais diretos e assumíssemos cada palavra dita. Mas é mais fácil achar uma vítima que não seja nós mesmos.

Eu não preciso de você



Eu não preciso de você, brado isso de cima da torre mais alta dessa cidade com um megafone a punho separando cada uma das sílabas para facilitar o entendimento até pros analfabetos. EU-NÃO-PRE-CI-SO-DE-VO-CÊ!
Cansei de ser subjulgada, de ter meu amor negligenciado, de ter minhas atenções minimizadas e por vezes esquecidas. Lembra-se de como ficou com medo quando lhe alertei que ficar sem meu amor é muito pior que ser meu inimigo? Pois agora serás esquecido. Irás pro limbo das lembranças. Eu não preciso de você. Preciso apenas de minha vida e meu amor próprio de volta e que foram jogadas na lata de lixo da cozinha e voltar a usá-los em meu benefício.
Vi quando me acenou hoje à tarde e não respondi pelo simples prazer de torná-lo em minha vida um mero desconhecido, desses que falam que nos conhece, mas não conseguimos lembrar. Não lembro mais de ti por que não quero, porque não me faz bem, e aquilo que não me acrescenta não me dá saudade alguma.

Júlia Siqueira

sábado, 23 de março de 2013

Por que as pessoas morrem?



Uma criança acabara de perder um amiguinho da escola e perguntou pro pai: - Papai, porque as pessoas morrem? E o pai prontamente respondeu: – Porque esse é o ciclo da vida filho. E pra onde a gente vai quando a gente morre? – perguntou ele novamente. Pro céu, pra ficar pertinho de Deus! – disse o pai com calma. E continuou: - Antes da gente nascer nós éramos como estrelas, morávamos no céu, aí caímos aqui na terra, cumprimos nossa missão e voltamos de novo pra brilhar no céu. Por isso tem tantas estrelas pai? – questionou o pai a criança. Sim filho – respondeu ele – nascemos todos com o destino de sempre brilhar. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Reinvente-se



Lamentar-se por coisas cotidianas e continuar no ciclo mais que vicioso da vida não vai mudar o rumo de nada, muito pelo contrário, só vai mais e mais enraizar as situações das quais se reclama. Então, reinvente-se, se recicle. Não é reclamando de não ser amado que o amor vai bater em sua porta, com aliança de ouro escondida nas mãos atrás das costas e para pedir-te em casamento. Não é reclamando do trabalho ou da falta dele, que se irá ser promovido ou encontrará um. É nas lutas, nas mudanças mais bruscas e inesperadas é no fugir do mais do mesmo que se encontra a chave para uma vida sem tantos lamentos. Mudar é maravilhoso, quando não se exige do outro o que se deve ser em mudado em você. 

Jornal de amanhã


Extra, extra! Estão impedindo as pessoas de amar! – era o que dizia as manchetes de jornais naquele dia fatídico de março. Como assim? – pensei. Levantei ainda com o burburinho das vizinhas lá fora comentando o caso, fui ao banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e fui até a sala para ver alguma notícia sobre aquilo na televisão. E era tudo verdade. Alegando que o amor era algo visceral e deixava os seres humanos idiotas, alguém no Congresso, em uma dessas pautas representativas que não representa ninguém, impediu que todas as pessoas de todas as orientações sexuais deixassem de amar com a pena de alguns anos de reclusão ou até execução pública.
Então num levante abissal, muito maior que as Diretas e o do Impeachment, toda a população saiu às ruas protestando contra esse abuso de poder. Em todo o país, houve “beijaços”, panelaços, caminhadas, mobilizações, porque simplesmente as pessoas queriam ser livres para expressarem seus sentimentos. O autor da lei foi deposto, a comissão fechada por tempo indeterminado, e, todos comemoravam a superação do susto que tiveram em pouco tempo.
Seria bonito se todas às vezes as pessoas lutassem por um interesse em comum. Que deixassem de olhar pro seus umbigos e mostrassem a cara em prol de todos. Não somos fragmentados em raça, sexo, sexualidade, raça, idade, religião, limitações, somos todos iguais, somos todos irmãos. Moramos num mesmo lugar, sob o mesmo céu e em cima da mesma terra. Não devemos esquecer que vermes nos comerão da mesma maneira, que nossos órgãos e nosso corpo entrarão em processo de putrefação igual ao daquele rico ou daquele mendigo. Deus nos fez diferentes, mas semelhantes, para nos completar e não julgar. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Paixões


Engana-se quem acha que as paixões têm lugares certos para acontecer. A paixão não escolhe esses lugares comuns e clichês para juntar os felizardos (ou vítimas) da vez, ela escolhe um ônibus lotado, uma fila de banco, uma queda na rua movimentada. Sabe por quê? Porque só quando alguém se apaixona por você nos piores momentos, naquele instante em que não se espera e se está com a camisa com a gola mais retorcida do guarda-roupa, e mesmo assim ainda quer você, é aí que a paixão entende que para dar lugar ao amor entrar é preciso antes enxergar o outro do jeito que se é. 

domingo, 10 de março de 2013

Uma flor ao lado da cama


Corre, vem depressa. Meus lábios já estão entreabertos esperando os seus pousarem neles como borboleta pousa nas flores do jardim.
Sorria! O mundo se encanta quando os seus dentes em alinho se abrem para ele. O meu mundo também fica feliz com isso, meu coração parece artista de circo, faz piruetas, malabarismos e os meus braços só pensam em encontrar os seus em mais um abraço forte e duradouro.
Agora tenho que ir, não sinta muito pela minha ausência. Vê esta flor ao lado da cama? Cuida dela, ponha-a num vaso com água. Antes que ela murche ou suas pétalas caiam, estarei aqui. Esse é o meu sinal de que logo, logo voltarei para ti. 

Um amor de filme


Eu sempre quis viver um amor desses das comédias românticas que lotam os cinemas de casais apaixonados. Sempre ouvi dizer que isso seria possível caso eu não procurasse de maneira enlouquecida por minha metade da laranja (preferia que a fruta fosse melancia, mas paciência!) e blá blá blá. E não é que é verdade isso? Geralmente quando a gente não procura ou desistiu de fazê-lo é que a vida nos prega a surpresa e transforma a nossa rotina em uma coisa mais empolgante, como andar de montanha russa sem usar as travas de segurança.
Tudo isso é muito bom, mas vamos ver até quando durará. Sempre desconfiei do que acontece com os personagens quando a luz do cinema acende. Pode ser que seja algo bom, mas se a vida fosse eternamente feliz, a gente não morava na Terra e sim no céu. Aguardemos...
To be continued... 

Júlia Siqueira

Finais



Às vezes é sempre melhor colocar um ponto final depois de revisar o texto e identificar a falta de alguns pingos nos is, prontamente colocados em seu lugar. Os finais, muito diferente do que geralmente se pensa, é apenas um estímulo para que terminemos uma história e assim poder dar prosseguimento a outras diferentes, com  novos personagens, novos cenários, novo texto e novas certezas ou apenas esperanças de que o que se viverá aqui pode ser melhor do que se experimentou anteriormente.

Saudade, daqui uns dias eu te mato!



Sim, sinto saudade. Saudade dos sorrisos sinceros e das conversas intermináveis. Saudade do riso solto, da gargalhada estridente, das músicas cantadas juntos. Faz falta as festas, as loucuras, as resenhas, as piadas, os maneirismos ao falar, os almoços, jantares e lanches e as comemorações sem motivo. Faz falta. Mas aí recordo de tudo isso e as lembranças me consolam aliviando a saudade que tenho. Saudade da minha família, dos meus amigos, do povo que amo.
Saudade você está jurada, daqui uns dias eu te mato!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Carta de despedida


É melhor me afastar e deixar que você busque os caminhos para a sua felicidade, afinal seria injusto querer que continue ao meu lado quando na verdade só está em corpo e seu espírito anda por aí, pairando em um canto qualquer. Quem ama sabe a hora de renunciar, então renuncio à minha alegria pela sua e te peço apenas que, mesmo eu indo, não se esqueça de mim.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A gata e o periquito: Uma fábula de amor



Uma gata se apaixonou por um periquito e esse amor tão inusitado era a coisa mais linda de se ver. O periquito cantava todos os dias para acordar sua amada e com o bico fazia carinhos nela e ainda lhe catava as poucas pulgas que tinha.  Algumas pessoas achavam aquilo loucura, claro que um dia a gata mataria o periquito, afinal esse era o seu instinto, outros, porém achavam fofa a relação dos dois.
 Mas um dia o periquito cansado das críticas dos os outros animais e da sua própria espécie, viu em outro pássaro a possibilidade de viver um amor mais correto, mais padrão, menos criticado e quem sabe mais feliz. Tentou, tentou, mas não conseguia esquecer a gatinha que tanto amava. Mas mesmo amando não deu o braço a torcer. Vou continuar tentando, - dizia ele, quem sabe um dia acerto e me apaixono novamente.
A gatinha ia todos os dias se deitar embaixo da sobra da grande mangueira, palco de tantos encontros dos dois. Ficava ali por horas na esperança de vê-lo passar. Quando se encontravam, conversavam coisas triviais, perguntavam coisas vazias, não se cumprimentavam direito, evitavam um ao outro, faziam-se de fortes.
Mas certo dia, cansada de tanto dar murro em ponta de faca, a gatinha resolveu agir, disse que ia sumir e foi ver o seu amado periquito, para lhe dar a notícia.
- Vou embora!
- Pra onde?
- Não sei. Só saiba que eu te amo de verdade e vou continuar te amando sempre.
- Eu também.
- Também o que?
- Te amo e decidi ir embora com você.
E assim se foram, caminhando pela longa estrada à sua frente. O periquito no lombo da gatinha entoando lindas canções de amor. E viveram felizes num lugar só deles, onde o amor era mais forte que as suas visíveis diferenças.