segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eu e você


Segure a minha mão direita bem forte e me leve pra algum lugar que não seja aqui, que não tenha ninguém, que me baste você, que só baste a nós, que só exista nós. Um lugar secreto, nosso, que só a gente sabe o nome, o apelido e a estrada a se tomar. Que tenha apenas o som das nossas vozes, dos nossos beijos, o barulho das gargalhadas de algumas bobagens por vezes pronunciadas e talvez o ruído do mar, o barulho que o vento faz quando balança as árvores, dois passarinhos na janela cantando pra gente.
Mas antes preciso de sua mão entrelaçada na minha, dedos unidos cruzando-se, olhares, sorrisos, eu, você.

sábado, 24 de novembro de 2012

Três horas e... tudo melhor!


Ainda bem que não perdi a capacidade de ver beleza nos gestos e atitudes das pessoas, mesmo muitas tendo me magoado. Três horas são o bastante pra sentir raiva de alguém, sempre me permiti ter apenas esse tempo reservado pra esse sentimento não tão legal. Mesmo assim há as cicatrizes deixadas, que não se curam miraculosamente em pouco tempo. Mas elas se curam, muitas vezes se apagam e somem com o mínimo de sol que se toma na praia. Hoje me sinto assim! Livre de cicatrizes, pronto pra viver, pronto pra experimentar o novo que vem, com vontade de sorrir, a ter momentos felizes e acima de tudo disposto a amar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negro



Quando eu ouvia o batuque do tambor na roda de samba meu coração acompanhava o ritmo daquele som, meus pés tomavam as rédeas da situação, meu corpo se contagiava pela melodia alegre das músicas entoadas. Em algum lugar perdido no meu ser, eu era filho de santo, eu era escravo fugido, um príncipe de um reino africano, um escritor do simbolismo, um músico famoso. Mas minha cor era CLARA, um misto de amarelo desbotado e vermelho guarani que não sabia explicar pra mim e nem pra moça do censo. Então como podia ser assim, como podia me sentir negro?  
Minha alma... ah, essa era negra, meu coração era negro, minha vida era negra. Só quem sabe o que é lutar pela liberdade reconhece-se NEGRO mesmo tendo uma cor clara opaca e sem graça. Só quem sabe que não somos apenas frutos de um processo que chamam de mestiçagem ou miscigenação e sim o resultado da resistência de povos guerreiros unidos com o objetivo de buscar a felicidade, sabe que o 'Black is Beautiful'.
Somos brancos, somos índios, somos imigrantes, somos negros, somos irmãos, somos Brasil. E o batuque, esse continua mexendo comigo. 

sábado, 17 de novembro de 2012

Desenho?


Voltemos ao primário onde a professora tem que se desenhar as coisas, usar objetos, mímicas, teatro e mais uma infinidade de técnicas pedagógicas para ser compreendida por seus alunos. Faremos o mesmo? Não! Acho que já esgotei as minhas táticas para que você entenda que não quero apenas uma amizade e sim ter um apelido de gosto duvidoso (mas carinhoso) na tela do seu aparelho de celular, na sua mente, na sua vida. Quero fazer parte dessa coisa por vezes visceral que chamam amor, outros atenção, e eu acho que seja relacionamento. Será relacionamento sério? Não! Prefiro os relacionamentos engraçados.

Maldade


Gente sempre boazinha demais cansa. Aquela voz mansa, aquele olhar condenatório quando se fala uma verdade mais que latente e que todos ignoram ou fingem não existir. Eca! Dá nojo! Não que queremos um mundo em que o mal prevaleça e as coisas andem mais fora dos trilhos do que estão. Não somos tão loucos a esse ponto. Mas somos loucos. Loucos para escancarar verdades e fazer com que elas doam, como espinho em ferida em cicatrização. Loucos para que as máscaras caiam e um dia sejamos aqueles que dirão a famosa frase “Eu não te disse?” ou aquela outra “Eu te avisei”, cheio de ironia, sarcasmo e ódio velado embutido em cada vogal e cada consoante.
Cansei de ser bonzinho - frase mais usual que papel higiênico em noite com diarreia, porém que sempre vale em dias ruins e de raiva. Então vamos ser maus. Vamos dar uma volta do lado contrário só pra ver como é que tá. Quem sabe a gente pega gosto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E depois do amor...



Agora nós vamos seguir em frente, não mais dois lado a lado. Mas separados. Ainda que te ame. Ou que você me ame. Sabia que a vida era uma tragédia e eu me espanto com ovos sobre a mesa, com cachorros ruivos, com rosas. E você gosta de filosofia. Você quer pensar como as coisas vieram parar no mundo. E eu tento sobreviver dentro desse mundo, mundo de liquidificador. Estaremos misturados, pra sempre. Ainda que a vida tenha coado nosso sumo. Beberemos e brindaremos a vida com outros sorrisos. Com outros braços. Tua boca, que boca é essa que jamais sentirei. E a minha que também não sentirás. A vida me anestesiou, a cada pequena tragédia foi me preparando para o que era certo. O final. Estamos no ponto final? Sempre podemos pegar o mesmo ônibus, com sorte e rever aquele amor secreto que guardamos em olhares espiados.
Como ontem, passei pela rua e a lâmpada piscava. Pensei em nós. Sabia que estávamos piscando. Hoje eu passei e a lâmpada queimara. Estava escuro e suas mãos foram pra longe. Você se apagou. Eu me apeguei. Eu sofreria mais um pouco, quem sair por último que desligue a luz. Sobrou pra mim a tarefa de soprar a pequena flama de uma paixão que se prometia eterna, e foi enquanto durou. Esses clichês cheios de poesia.
Quando escrevia pensava que podia te colocar dentro de todas aquelas coisas, agora eu sei que a arte é maior do que qualquer amor. Roberto estava certo, ficaram as canções e você não ficou. E é tão pouco que posso falar. Que vai minguando as possibilidades da escrita. Da língua. Das nossas línguas separadas.
 Agora vivo o Amor, sem ninguém por perto. E não tenho mais medo da vida e nem do perigo que é viver. 

Caio Augusto Leite

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Volta



Quanto tempo se passou? Um dia? Duas semanas? Seis meses? Um ano? Às vezes acho que o tempo brinca comigo, pois parece que foi ontem. Nós dois ali, feito crianças, brincando de fazer castelo com areia da praia e sonhando que ali que iríamos morar. Abandonamos o castelo, as ondas do mar o levou e com ele talvez os nossos sonhos juntos. Os meus, pelo contrário, continuam aqui, intactos, como se o tempo pra mim não houvesse passado, como se o fim fosse apenas mais uma palavra no dicionário.
Comprei uma casa perto de você, sabia? Te vejo todos os dias passar rapidamente para ir pro trabalho e escondido pela cortina do quarto aceno pra ti um beijo de amor. Quem sabe o tempo passa pra mim? Ou ele retrocede, volta pra você? Quem sabe o mar nos devolve o nosso castelo? Quem sabe o mundo devolve os nossos sonhos? Quem sabe? Eu não sei! E enquanto isso deito, peço proteção a Deus para a sua vida, me aninho na cama grande e vazia na esperança de que um dia, veja você abrir a porta e deite ao meu lado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pequeno grande amor


Quando o amor bater à sua porta, saudai-o. Não com um bom dia, um boa tarde ou um boa noite, mas com um abraço forte, desses que quando damos em alguém os botões da blusa marcam a nossa pele. E que ele marque não só a sua pele, mas a sua alma. Que te faça um bobo, um palhaço, que lhe vire do avesso, que lhe faça travesso, falante, mudo, que lhe desperte sentimentos absurdos, que te encha de alegria. E que se acaso estes sentimentos quiserem sair de ti, que o amor ainda te dê forças pra ir de encontro ao que foi perdido, que lhe dê asas para voar pra onde quiser, que lhe dê coragem para perdoar os erros que talvez tenham sido cometidos, mas que lhe dê mais e mais capacidade para amar.