quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tá cada vez mais down o high society


Alô, alô marciano aqui quem fala é da Terra. Elis pediu uma ajudinha de vocês a um tempo atrás, será que podem ajudar novamente? Quero embora daqui! Aqui tem corrupção, miséria, as pessoas magoam as outras por besteira, falando antes de ponderar questões, não se respeita opiniões, não se evidencia ações. Me fale um pouco do seu povo, do seu planeta, conhecer o lugar antes de ir é sempre bom... 
Melhor, não fale! Apenas me leve! Qualquer lugar deve ser melhor que aqui...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ela


Tinha todos os sonhos do mundo e não tinha sonho algum, na verdade sonhara em ser ela mesma, um conflito, um rito, uma visão. Naquela manhã de outubro, no alto de um salto 15, ela andava apressada, usando um short jeans folgado com pequenos rasgos e tachinhas, como manda a moda atual, e uma camisa de alfaiataria preta. Corria atrás de seu destino, assim, sem bolsa, sacola ou mala em nenhuma das mãos, só a vontade de ser ela e mudar a sua atual condição de vida. Certa vez me confidenciara em uma conversa no Café da esquina: - Minha vida aqui já deu, está na hora de recomeçar! Ver outras pessoas, outro lugar, outras oportunidades! Bater asas, sabe? Apenas assenti com a cabeça, afinal aquela alegria era tão contagiante e tão radiosa que não queria estragá-la com minhas palavras nem sempre otimistas.
 Ela não satisfeita pediu minha opinião:
- Por que tá tão calado?
- Não dá pra competir com a sua alegria.
- O que você acha disso tudo?
- Vá. Pé parado não leva topada!
E ela se foi. Sinto uma pontinha de saudade admito, mas saudade nenhuma se compara com a felicidade que vai ao peito dela.

sábado, 27 de outubro de 2012

Eu odeio amar você


Não sei se amo o fato de te odiar ou se odeio o fato de te amar, o que sei realmente é que dentro dessa bagunça que chamam de coração há esses dois sentimentos, e eles são direcionados pra você como a mira da arma de um matador de aluguel.
Como eu queria que meus sentimentos de ódio fossem balas de um 38 e te atingissem em cheio quando me tratas com indiferença, mas sei que se tais balas te achassem de verdade, os sentimentos de amor fariam com que discasse 192 e chamasse a ambulância para lhe prestar socorro. Tenho certeza que ao lembrar tantas coisas incríveis que passamos juntos, estaria falando com a enfermeira do SAMU com as mãos no telefone lavadas de lágrimas de arrependimento. 
Droga! Não tem jeito, eu odeio amar você. 

Júlia Siqueira

Sonhos


Eu tinha um desejo, daqueles que se fazem quando se defronta com uma fonte e se tem uma moeda no bolso, e ele se transformou em sonho, desses que não morrem quando acordamos, mas que permanece em nossa mente durante todo o tempo. E sonhos não são feitos pra ficar numa abstração, na imaginação, muito menos em um destaque na agenda, tem que lutar pra que eles saiam da mente e ganhe vida na realidade, mesmo que não seja como planejamos. Estou batalhando pelos meus. E você? O que faz com os seus?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sofrer e acreditar


Se eu tivesse um dom especial, desses que só os super heróis de quadrinhos e da TV possuem, queria ter o poder de fazer, por algum instante sequer, com que as pessoas que amo esquecessem de algumas coisas. Esquecer que sofreram na luta diária da vida, que tiveram perdas significativas, que um amor teve que partir (e não só ir embora, mas partir o coração). Mas depois me questiono sobre o seguinte: será que teria boas recordações para colocar no lugar das lembranças ruins? Não sei.
Às vezes o sofrimento ajuda a crescer, amadurecer, a tomar as rédeas de algumas situações, no entanto, aprisionar-se a ele, não! “Tudo um dia dará certo!” ,“O momento pode ser esse! As pessoas não são as mesmas, as circunstâncias também não, nós também não somos os mesmos de outrora. E a vida? Essa tem oportunidades grandiosas pra nós! Eu acredito!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Onde andará o meu amor?


A geografia do mundo e a geografia dos corpos me desafiam na procura do meu amor. Onde se encontra? - questiono-me. Será que sente saudades de mim? Será que sente alegria quando me vê em algum anúncio desses de TV? São tantos “serás” e “porquês” que chego a me perder nessa infinidade de pensamentos questionadores. Mas de uma coisa eu tenho certeza, e não é da morte que nos atingirá em um dia qualquer, em alguma data no calendário em algum horário que também não sei, o meu amor me encontrará e tudo se iluminará em minha vida. Tenho fé.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Frieza



Estou morrendo congelado. Há tanto frio em meu peito que meu coração já bate fraco. Não sei se a vida que existiu aqui um dia voltará a ser vista por mim e por todos ao meu redor. Desaprendi o ardor de viver e amar. Desaprendi a ser eu. 

Uma história pra não esquecer


Não sei onde estou! Se me encontro em um futuro distante ou em um passado próximo, vivendo o agora em um lugar que não há calendários, relógios ou qualquer mecanismo que seja capaz de contar o tempo. –Temos nosso próprio tempo – disse-me uma mulher gorda e sagaz, de dentes alinhados e sorriso sincero enquanto ajeitava os seus óculos esquisitos em seu rosto.
Naquele lugar que nem sabia o nome ouvi histórias feitas pra esquecer, de reis e rainhas que passaram cola em seus tronos e jazeram ali com os traseiros grudados para nunca sair do poder. De pessoas que usavam os seus corpos como tapetes, escadas, rampas para o povo passar. De crianças que andavam de ré e idosos que caíram em abismos por andar sempre pra frente. Nada ali soava normal. Nada ali aparentava o mínimo de normalidade.
Foi quando um forasteiro ali chegou. Trazia em suas mãos um enorme embrulho, todos os olhavam admirados. - O que será que traz ali? – falou a criança tropeçando em seu skate. - De onde vem? – falou uma mulher-tapete. O burburinho quanto ao que trazia o homem aumentava. Ele subiu até a torre alta da Igreja e ali colocou um relógio grande e ajustou-o de acordo com o que trazia em seu pulso. Marcava 14h23min.
A falta do tempo marcado em compassos, segundos, minutos, horas, dias, deixaram as pessoas desorganizadas, a vida maluca. As pessoas não sabiam mais quem eram, pra onde iriam, de onde vieram e um simples relógio e com ele um novo tempo, trouxe novas formas de se viver. As pessoas deixaram de ser tapetes para os outros pisarem e escada para subirem, os poderosos perceberam que a cola os deixavam atrofiados em seus corpos e isso fazia com que logo morressem, as crianças souberam que andar pra frente é melhor e os idosos entenderam que sempre há uma hora pra recuar. A vida ali voltou a existir. E a história se tornou uma pra não ser esquecida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perdas e ganhos


Que eu não perca a minha indignação, a minha força de vontade de tentar mudar o mundo, ainda que o mundo ao qual me refiro seja eu mesmo. Que não me anestesie com as mazelas humanas, com a podridão sociopolítica que nos cerca e que minha boca não se canse um só dia de dizer as verdades que incomodam o meu peito. Uma vez que a vida é de perdas e ganhos, sei que terei que engolir muitos sapos, mas que eu nunca saia por aí vomitando vespas. É tudo o peço todas as vezes quando coloco minha cabeça no travesseiro.