segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Traído


O dia já tinha dado lugar a noite. Cigarro queimando no cinzeiro, dedos segurando um copo pequeno de bar, olhos atentos em algum ponto do cosmos e coração em alguma galáxia perdida. Como pude ter sido enganado assim? Como pude empregar muito da minha energia vital em algo que não me levou a canto qualquer? Perguntas sobrevoavam a mente como aves de rapina prontas para devorarem sua presa. A presa em questão era eu. Ingênuo que fui não conseguia enxergar nada além daquilo que meus olhos míopes queriam me mostrar. Vi pouca coisa, visão vaga e turva, ainda que a razão me fizesse vários sinais de SOS o coração insiste em nos vendar.
But just a lie! Todo peixe morre pela boca! E você morreu pelo excesso de mentiras e pela traição moral que é maior que a física. A mim coube a responsabilidade de voltar a ver, voltar a me enxergar, e entender que eu era além do que podia ter.
Nova tragada, cigarro apagado com o a ponta do sapato, copo deixado com dois dedos de uma bebida qualquer, casaco no ombro e certeza na mente de quem foi traída novamente foi uma consciência que está cansada de apanhar, e essa não é a minha. 

domingo, 19 de agosto de 2012

Clichê


Só vou te bater essa real: EU SEI QUE VOU TE AMAR, POR TODA A MINHA VIDA EU VOU TE AMAR... Não tenho costume de escrever desse jeito meloso, ainda mais usando uma canção batida e clichê como essa, mas o amor não é o maior clichê de todos? Pura realidade. Tô podremente apaixonada mesmo. Já desculpei 1, 2, 6 furadas desde que resolvi ingressar no seleto grupo dos namorados, aqueles “eu te amo” não dado e embutido nos SMS, a festa que não foi comigo, as duas brigas em que eu tinha a razão, mas mesmo assim eu perdoei e relevei e mais outras coisas que só me fazem crer que isso só pode ser amor. Não tem outra desculpa convincente que consiga fazer minha razão entender.
O que fazer nesse contexto? Entregar-me mais e mais a você.    

Júlia Siqueira

Amanhã


... E viveram felizes para sempre... Fim! Acaba a história. Voltemos a cuidar das nossas vidas! Mas o que acontecem com os seus personagens? Vivem mesmo felizes até o fim dos seus dias? Acho que não! Sempre achei que os fins alegres dos romances, novelas, desenhos fosse uma forma de nos fazer acreditar em um amanhã melhor. Acreditamos? Não! Qual história de amor sobreviveu ao até o que a morte os separe? Em que momento o mal padece pelos erros cometidos?  Fechei o livro! Quem sabe o amanhã ali escrito exista em algum canto. Se existir realmente, que um dia eu possa experimentar. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Masoquismo


Te amo ainda. Eu sei que é errado, pois você já não sente o mesmo, mas mesmo assim alegro-me apenas em ter as migalhas da sua atenção, em ouvir alguma mentira que me faça momentaneamente feliz, em ter você como contato no meu celular apenas pra poder ver seu nome quando abro a agenda do meu celular. Restos de atenção, eu sei. Alma masoquista a minha, isso eu também sei, mas sofrendo por amar-te tanto e ser amado de menos é a forma que acho em ter você sempre ao meu lado de alguma forma. 

Ditados populares



Quem procura acha! Não há ditado popular mais coerente. Aliado a este só aquele que diz que os olhos não veem o coração não sente. Mas quem disse que nós os seguimos a risca? Há em nós aquela coisa de detetive que nos leva pra onde o nosso coração há muito já sabe onde vai dar, talvez para que soframos, nos desencantemos ou só pelo simples fato de trazer-nos de volta ao nosso próprio eu acobertado pelas afirmações de que está tudo bem quando se está mais do que na cara que não está. O amor dentro desse arcabouço é um clichê biológico, nasce, cresce, reproduz-se e morre, cabendo-me apenas enterrá-lo com dignidade ou deixar jazendo ao relento. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escalada



Engraçado que mesmo depois de tantos anos ainda consigo me emocionar com o Escalada. O encontro, as músicas, as palestras, as pessoas. Longe de tudo ser uma eterna maravilha, e não é, mas há algo de mágico ali que nos faz ser transportados pra um lugar utópico, diferente e ao mesmo contraditório. Avesso no sentido de que são as mesmas pessoas, pessoas comuns que vemos todos os dias, erradas, errantes, pessoas que julgamos por vezes, brigamos, são seres humanos lotados de defeitos e imperfeições, mas que quando abrem a boca pra falar de Deus parecem que nasceram exclusivamente para fazerem isso.
A tudo isso se reconhece a ironia de Deus, esse brincalhão que sabe escancarar nossas falhas e fazer piada de nós. Um Deus que não vê hierarquias, muito menos grandiosidade, mas que usa de pessoas simples e pecadoras para fazer sua obra acontecer. Entender os seus desígnios não é tarefa das mais fáceis, mas deixar fazer o que Ele deseja em nós é sempre o melhor e mais acertado caminho. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo mudou?



Tudo mudou. O beijo, o toque, o olhar, o jeito de pronunciar meu nome – dizia-me ele, está tão diferente de quando a gente se conheceu. Eu via o brilho de felicidade nos olhos dela, o simples tocar dos nossos lábios me dava arrepios, mas hoje, não sei o que dizer sobre. Perguntei: - Diferente como? Não sei explicar, é complicado. – respondeu-me. As pessoas são como as estações do ano, os aniversários, as datas no calendário, elas mudam o seu jeito de pensar e de agir mais rápido que uma fração de segundos, quando você entender que você também mudou de algum jeito, aí vai perceber que o que você sente atingiu outro patamar, que não é mais paixão, que se tornou amor. – falei a ele. E qual a diferença entre paixão e amor? Pra mim é tudo uma coisa só! – disse ele confuso. Respondi: - A paixão é boa, mas ela passa! Ela não tem o poder de entendimento, de espera, de paciência, ela se acende, se consome e se apaga de maneira rápida, já o amor é diferente. Ele suporta qualquer dor, é compassivo, se alegra com a alegria do outro muito mais do que a própria. Será que a mudança que ocorreu é que a paixão de antes virou amor? –perguntou-me. Assim espero! Se não que pelo menos seja o início de uma grande amizade. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Procuro-me



Onde estou? Quem sou? Me perdi de mim, como criança em festa de largo. Ouço as vozes de minha mãe me chamando. Mas como é meu nome? Como sei que ela me chama? Ela é minha mãe? Ela existe? Eu existo? O que sou? Disseram-me que nós somos um sonho de um ser evoluído que sonha conosco quando adormece e que adormecemos quando ele acorda! Será verdade? Procuro-me e não me acho, quem me encontrar, avise! 
 Perdoe, mas não há recompensas, não sei se valho tanto assim. 

Viagens



Ouvia Los Hermanos dentro do ônibus lotado, era a forma que encontrei de esquecer o tanto de gente que estava ao meu redor e me transportar unicamente pra ti. Quantas horas serão até lá? – perguntei ao motorista já impaciente por minhas constantes indagações. Não gosto de viajar pra muito longe, confesso, me dá impaciência, quero chegar logo, é um saco. Ele me respondeu que teríamos ainda em torno de 16 horas de estrada pra pegar e mais duas paradas pra lanche. Quase morri de tanta ansiedade.
Direcionei então as perguntas a mim mesmo. Será que você mudou? O corte de cabelo, talvez. Emagreceu? Engordou? Estará me esperando na rodoviária? Adormeci. Ao fundo ouvia as palavras de uma música dizendo “eu só penso em você, já não sei mais por que, em ti eu consigo encontrar o caminho, o motivo, o lugar, pra eu poder repousar meu amor.” Sorri e pensei: - Certas respostas vêm mesmo em forma de canção.