segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A nós...



Desejo a nós um novo ano, uma nova vida, um novo começo. Deus joga em nossas vidas um novo livro com folhas branquinhas e nos dá a oportunidade de escrever ali coisas bonitas, divertidas, até tristes, mas nos permite a chance de ousar, de fazer algo novo, de ser diferente. Começa tudo de novo. Pode melhorar? Sim! Pode piorar? Também! Porém isso só depende da gente mesmo. Vai escrever o que neste seu novo livro?

sábado, 29 de dezembro de 2012

Matéria de amor



Mudem o papo, todos nós procuramos um amor. FATO! Todos nós desejamos aquele amor nojento que nos acorda no meio da noite depois de um dia cansativo de trabalho, só pra jogar conversa fora e contar como foram as coisas. O que coloca apelidos tensos que tentamos esconder a qualquer custo dos amigos ou que chega em sua casa e se sente mais dono de lá que você e seus pais. Então não sejamos estúpidos de mentir uma realidade que até o satélite da NASA percebe lá de cima. Nós seres humanos dotados de inteligência e racionalidade nos tornamos dementes nessa matéria de amar, e olha que eu já repeti essa “disciplina” umas três vezes. 


Júlia Siqueira

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Viver


Vivo como se o dia de amanhã fosse nascer só pra mim, mesmo que talvez eu não faça parte dele. Esperança deve ser o nome dessa força que toma conta de mim sempre que algo não sai como queria. Tentar sempre. Mesmo que em algum momento as forças se esvaiam, cessem e o desânimo bata. Viver sempre, mesmo entendendo que nem sempre a vida é tão bonita como Gonzaguinha cantou. Viver, um dia de cada vez, apreciando os momentos, as paisagens, as pessoas e a si mesmo. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Então é Natal!


Você já arrumou a sua árvore de Natal? Já?! Que bom! Comprou muitos enfeites? Não esqueceu do pisca-pisca não né?! Muito bem! Agora é só preparar a ceia farta e jantar com seus familiares, trocar presentes e curtir mais este feriado festivo no calendário. Falta mais alguma coisa? Acho que sim!
Muitas vezes nos preparamos pra o Natal como se fosse mais um feriado dentro de nosso calendário, um momento de lazer entre amigos e família e que acaba quando o dia seguinte chega. Enchemos nossas casas de papai-noel e esvaziamo-nos do sentindo principal que o nascimento daquele que nos salvou. Natal é isso, festa, celebração, amor e carinho, mas quando aquele que nos proporcionou tudo isso está no centro das nossas mesas, dentro dos nossos corações. Vamos aproveitar esse tempo de espera que o tempo do Advento e tentar fazer um pouco diferente. Ao comprar roupas novas pra gente, pensemos em doar, pra quem passa frio, as que amontoam os nossos guarda-roupas e que não usamos mais. Ao comer a ceia farta, possamos levar quem sabe um prato dela pra’quele vizinho que não terá o que jantar no dia. Ao arrumar a nossa casa pra receber os visitantes, arrumemos também o nosso coração pra receber o nosso melhor amigo que é Jesus. Vivamos n’Ele, com Ele e para Ele!
Amém e Boas Festas.




(Escrito em 04 de dezembro de 2012 para a Campanha de Natal da PASCOM)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Medos


Medo de escuro, medo de altura, medo de avião, medo de se re-apaixonar. Medos. Todos nós temos, muitas vezes escondidos em algum baú empoeirado em cima do guarda-roupa, mas por um motivo, do qual ainda não nos pusemos a pensar sobre, o conservamos da mesma forma com que se cuida de um objeto sem valor de um antepassado, em algum momento ele é colocado pra fora e apreciado. Ali, parado, você e ele, olho no olho, e não se pode mais se fazer de tão forte ou esconder-se. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Água, barreiras, amor


Nunca entendi as barragens, as represas, qual o verdadeiro porquê de guardar, prender algo que foi feito pra correr livremente? O homem tem dessas, pois a ele foi dado o direito de pensar e a tarefa de comandar as coisas aqui da Terra. Mas seria o mais correto?
Reprimi o amor! Não seria correto deixar ele livre? Fazer com que ele, assim como faz a água, transpusesse as barreiras, desviasse caminhos, furasse pedras e o que impede com que ela corra livremente? Mas nós, homens, temos dessas. Achar que conseguimos fazer do nosso território emocional o mesmo que fazemos com a Terra. Tentar controlar o incontrolável. Duas barragens romperam essa manhã do outro lado do mundo, deu no jornal. Começarei a romper as barragens do meu peito, quem sabe o amor acumulado possa correr livremente. Quem sabe...

Necessidade



Tenho que te amar em silêncio. Mas às vezes o silencio é tão alto que tenho a impressão que todos podem ouvir.
Tenho que te amar em segredo, sem compartilhar, sem mostrar, mas te amar é algo tão grande que basta olhar pra mim e ver que não há o que esconder.
 Tenho que te amar em sonho e mesmo assim, a realidade, é que junto de você eu só sei sonhar.
Tenho que te amar sorrindo, até mesmo quando te amar causa um pouquinho de dor.
Tenho que te amar quando você não me olha, quando você não está perto de mim, quando meu coração dispara, quando meu pensamento é seu.
Tenho que te amar. Porque é assim que sei te sentir. É assim que meu coração manda. É assim que minha alma se incendeia e escreve com suas chamas, essa frase que ecoa dentro do meu peito. Tenho que te amar. Amo te amar. Porque você é assim, o amor que vive em mim.

Francis Rocha

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Talvez


Talvez eu não faça sentido pra alguns, as minhas ações, os gestos e afins, porque não nasci e cresci para agradar gregos e troianos e sim pra buscar a minha felicidade, afinal ela só depende de mim e da minha batalha diária pra existir. Talvez eu não seja o cara que toda sogra deseja como genro, porque não sei ser modelo e parâmetro, não sei ser efusivo, não aprendi a falar com quem não conheço e tratar alguém com o maior amor e carinho em apenas 3 minutos. Definitivamente o que fica pronto e agradável em 3 minutos, chama-se miojo. Talvez não seja o melhor dos amantes, porque tenho em mim uma coisa bipolar, trago o maior amor do mundo e a maior falta de interesse convivendo aqui sem existir conflito. Talvez não seja bom o suficiente pra você, mas sou suficiente bom pra mim mesmo. 

Vacinas



Pensando sobre vacinas cheguei à conclusão que elas entram em conformidade com os maus amores. Explico! Quando injetado no corpo humano, as suas propriedades têm o poder de favorecer a imunidade para algumas doenças que acometem o nosso organismo. Uma vez imunizado contra tal enfermidade, raramente há propensão para desenvolvê-la.
Mas pra falar de vacinas, temos que falar sobre a razão delas existirem, a doença, afinal não há remédio pra quem está com a saúde em dia. A doença aparece muitas vezes como uma simples febre, aquece o nosso corpo, nos leva pra cama a noite, faze-nos suar, delirar, nos deixa arriado, jogado, largado e se vai, talvez com a mesma velocidade com que se chegou, sem avisar, sem dar pistas sobre a sua origem ou razão ou se instala e nos faz sofrer por dias, meses, anos, torna-se crônica, por vezes terminal.
 Aí da doença se faz a vacina, do mau amor se faz a cura e anticorpos são criados, fortes o suficiente pra que o erro não seja cometido, e a doença não volte ou o “amor” não ache o seu endereço, perca o seu número de celular e entenda que uma vez vacinado se torna impossível (ou pouco provável) de cometer a mesma besteira novamente. 

Júlia Siqueira

Finitude



      E nos descobrimos finitos. Os nossos planos poderão acabar a qualquer momento, as pessoas que amamos podem partir em algum instante inesperado, podemos não ir à reunião importante da sexta, talvez não estejamos aqui pra ir ao churrasco no domingo, e nos defrontamos com uma certeza dura e cruel que não nos atentamos por vezes, a de que a vida tem o seu ponto final. Essa vida material que a gente tanto gosta (ou não!) e que nos proporciona conhecer, experimentar, curtir, lutar e ser um verbo. Ela não é pra sempre! E nos descobrimos finitos! Ou nos redescobrimos... afinal sabe-se lá o que nos espera! 




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Acreditar



Vemos o vento? Não! Mas sabemos que ele existe pelo seu toque nas folhas das árvores, na levantada da areia da praia, no seu sopro suave em nossa pele. Vemos a Deus? Não. Mas o enxergamos em tudo o que nos rodeia. Temos fé? Isso cabe a cada um responder.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A sociedade dos robôs



Vivemos numa sociedade de robôs, onde demonstrar sentimentos é coisa de gente fraca, onde as misérias cotidianas já passam batidas aos nossos olhos, onde a paz justifica a guerra e vice-versa. Vivemos esperando que o amor surja de um vento impetuoso e nos tire do comodismo, esperamos que os empregadores nos procure oferecendo trabalho, buscamos boa forma através de comprimidos minúsculos e não pelo suor de uma malhação bem cansativa. Acomodamo-nos. Cansamos de viver e queremos que vivam por nós. Fazemos revoluções no sofá da sala, criamos levantes no Twitter e não conseguimos tirar o copo de suco da mesa e levar pra cozinha. Triste realidade, triste de nós, triste do mundo. Ficamos excelentes em muitas coisas e medíocres em outras tantas. E assim caminha a humanidade...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eu e você


Segure a minha mão direita bem forte e me leve pra algum lugar que não seja aqui, que não tenha ninguém, que me baste você, que só baste a nós, que só exista nós. Um lugar secreto, nosso, que só a gente sabe o nome, o apelido e a estrada a se tomar. Que tenha apenas o som das nossas vozes, dos nossos beijos, o barulho das gargalhadas de algumas bobagens por vezes pronunciadas e talvez o ruído do mar, o barulho que o vento faz quando balança as árvores, dois passarinhos na janela cantando pra gente.
Mas antes preciso de sua mão entrelaçada na minha, dedos unidos cruzando-se, olhares, sorrisos, eu, você.

sábado, 24 de novembro de 2012

Três horas e... tudo melhor!


Ainda bem que não perdi a capacidade de ver beleza nos gestos e atitudes das pessoas, mesmo muitas tendo me magoado. Três horas são o bastante pra sentir raiva de alguém, sempre me permiti ter apenas esse tempo reservado pra esse sentimento não tão legal. Mesmo assim há as cicatrizes deixadas, que não se curam miraculosamente em pouco tempo. Mas elas se curam, muitas vezes se apagam e somem com o mínimo de sol que se toma na praia. Hoje me sinto assim! Livre de cicatrizes, pronto pra viver, pronto pra experimentar o novo que vem, com vontade de sorrir, a ter momentos felizes e acima de tudo disposto a amar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negro



Quando eu ouvia o batuque do tambor na roda de samba meu coração acompanhava o ritmo daquele som, meus pés tomavam as rédeas da situação, meu corpo se contagiava pela melodia alegre das músicas entoadas. Em algum lugar perdido no meu ser, eu era filho de santo, eu era escravo fugido, um príncipe de um reino africano, um escritor do simbolismo, um músico famoso. Mas minha cor era CLARA, um misto de amarelo desbotado e vermelho guarani que não sabia explicar pra mim e nem pra moça do censo. Então como podia ser assim, como podia me sentir negro?  
Minha alma... ah, essa era negra, meu coração era negro, minha vida era negra. Só quem sabe o que é lutar pela liberdade reconhece-se NEGRO mesmo tendo uma cor clara opaca e sem graça. Só quem sabe que não somos apenas frutos de um processo que chamam de mestiçagem ou miscigenação e sim o resultado da resistência de povos guerreiros unidos com o objetivo de buscar a felicidade, sabe que o 'Black is Beautiful'.
Somos brancos, somos índios, somos imigrantes, somos negros, somos irmãos, somos Brasil. E o batuque, esse continua mexendo comigo. 

sábado, 17 de novembro de 2012

Desenho?


Voltemos ao primário onde a professora tem que se desenhar as coisas, usar objetos, mímicas, teatro e mais uma infinidade de técnicas pedagógicas para ser compreendida por seus alunos. Faremos o mesmo? Não! Acho que já esgotei as minhas táticas para que você entenda que não quero apenas uma amizade e sim ter um apelido de gosto duvidoso (mas carinhoso) na tela do seu aparelho de celular, na sua mente, na sua vida. Quero fazer parte dessa coisa por vezes visceral que chamam amor, outros atenção, e eu acho que seja relacionamento. Será relacionamento sério? Não! Prefiro os relacionamentos engraçados.

Maldade


Gente sempre boazinha demais cansa. Aquela voz mansa, aquele olhar condenatório quando se fala uma verdade mais que latente e que todos ignoram ou fingem não existir. Eca! Dá nojo! Não que queremos um mundo em que o mal prevaleça e as coisas andem mais fora dos trilhos do que estão. Não somos tão loucos a esse ponto. Mas somos loucos. Loucos para escancarar verdades e fazer com que elas doam, como espinho em ferida em cicatrização. Loucos para que as máscaras caiam e um dia sejamos aqueles que dirão a famosa frase “Eu não te disse?” ou aquela outra “Eu te avisei”, cheio de ironia, sarcasmo e ódio velado embutido em cada vogal e cada consoante.
Cansei de ser bonzinho - frase mais usual que papel higiênico em noite com diarreia, porém que sempre vale em dias ruins e de raiva. Então vamos ser maus. Vamos dar uma volta do lado contrário só pra ver como é que tá. Quem sabe a gente pega gosto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E depois do amor...



Agora nós vamos seguir em frente, não mais dois lado a lado. Mas separados. Ainda que te ame. Ou que você me ame. Sabia que a vida era uma tragédia e eu me espanto com ovos sobre a mesa, com cachorros ruivos, com rosas. E você gosta de filosofia. Você quer pensar como as coisas vieram parar no mundo. E eu tento sobreviver dentro desse mundo, mundo de liquidificador. Estaremos misturados, pra sempre. Ainda que a vida tenha coado nosso sumo. Beberemos e brindaremos a vida com outros sorrisos. Com outros braços. Tua boca, que boca é essa que jamais sentirei. E a minha que também não sentirás. A vida me anestesiou, a cada pequena tragédia foi me preparando para o que era certo. O final. Estamos no ponto final? Sempre podemos pegar o mesmo ônibus, com sorte e rever aquele amor secreto que guardamos em olhares espiados.
Como ontem, passei pela rua e a lâmpada piscava. Pensei em nós. Sabia que estávamos piscando. Hoje eu passei e a lâmpada queimara. Estava escuro e suas mãos foram pra longe. Você se apagou. Eu me apeguei. Eu sofreria mais um pouco, quem sair por último que desligue a luz. Sobrou pra mim a tarefa de soprar a pequena flama de uma paixão que se prometia eterna, e foi enquanto durou. Esses clichês cheios de poesia.
Quando escrevia pensava que podia te colocar dentro de todas aquelas coisas, agora eu sei que a arte é maior do que qualquer amor. Roberto estava certo, ficaram as canções e você não ficou. E é tão pouco que posso falar. Que vai minguando as possibilidades da escrita. Da língua. Das nossas línguas separadas.
 Agora vivo o Amor, sem ninguém por perto. E não tenho mais medo da vida e nem do perigo que é viver. 

Caio Augusto Leite

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Volta



Quanto tempo se passou? Um dia? Duas semanas? Seis meses? Um ano? Às vezes acho que o tempo brinca comigo, pois parece que foi ontem. Nós dois ali, feito crianças, brincando de fazer castelo com areia da praia e sonhando que ali que iríamos morar. Abandonamos o castelo, as ondas do mar o levou e com ele talvez os nossos sonhos juntos. Os meus, pelo contrário, continuam aqui, intactos, como se o tempo pra mim não houvesse passado, como se o fim fosse apenas mais uma palavra no dicionário.
Comprei uma casa perto de você, sabia? Te vejo todos os dias passar rapidamente para ir pro trabalho e escondido pela cortina do quarto aceno pra ti um beijo de amor. Quem sabe o tempo passa pra mim? Ou ele retrocede, volta pra você? Quem sabe o mar nos devolve o nosso castelo? Quem sabe o mundo devolve os nossos sonhos? Quem sabe? Eu não sei! E enquanto isso deito, peço proteção a Deus para a sua vida, me aninho na cama grande e vazia na esperança de que um dia, veja você abrir a porta e deite ao meu lado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pequeno grande amor


Quando o amor bater à sua porta, saudai-o. Não com um bom dia, um boa tarde ou um boa noite, mas com um abraço forte, desses que quando damos em alguém os botões da blusa marcam a nossa pele. E que ele marque não só a sua pele, mas a sua alma. Que te faça um bobo, um palhaço, que lhe vire do avesso, que lhe faça travesso, falante, mudo, que lhe desperte sentimentos absurdos, que te encha de alegria. E que se acaso estes sentimentos quiserem sair de ti, que o amor ainda te dê forças pra ir de encontro ao que foi perdido, que lhe dê asas para voar pra onde quiser, que lhe dê coragem para perdoar os erros que talvez tenham sido cometidos, mas que lhe dê mais e mais capacidade para amar. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tá cada vez mais down o high society


Alô, alô marciano aqui quem fala é da Terra. Elis pediu uma ajudinha de vocês a um tempo atrás, será que podem ajudar novamente? Quero embora daqui! Aqui tem corrupção, miséria, as pessoas magoam as outras por besteira, falando antes de ponderar questões, não se respeita opiniões, não se evidencia ações. Me fale um pouco do seu povo, do seu planeta, conhecer o lugar antes de ir é sempre bom... 
Melhor, não fale! Apenas me leve! Qualquer lugar deve ser melhor que aqui...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ela


Tinha todos os sonhos do mundo e não tinha sonho algum, na verdade sonhara em ser ela mesma, um conflito, um rito, uma visão. Naquela manhã de outubro, no alto de um salto 15, ela andava apressada, usando um short jeans folgado com pequenos rasgos e tachinhas, como manda a moda atual, e uma camisa de alfaiataria preta. Corria atrás de seu destino, assim, sem bolsa, sacola ou mala em nenhuma das mãos, só a vontade de ser ela e mudar a sua atual condição de vida. Certa vez me confidenciara em uma conversa no Café da esquina: - Minha vida aqui já deu, está na hora de recomeçar! Ver outras pessoas, outro lugar, outras oportunidades! Bater asas, sabe? Apenas assenti com a cabeça, afinal aquela alegria era tão contagiante e tão radiosa que não queria estragá-la com minhas palavras nem sempre otimistas.
 Ela não satisfeita pediu minha opinião:
- Por que tá tão calado?
- Não dá pra competir com a sua alegria.
- O que você acha disso tudo?
- Vá. Pé parado não leva topada!
E ela se foi. Sinto uma pontinha de saudade admito, mas saudade nenhuma se compara com a felicidade que vai ao peito dela.

sábado, 27 de outubro de 2012

Eu odeio amar você


Não sei se amo o fato de te odiar ou se odeio o fato de te amar, o que sei realmente é que dentro dessa bagunça que chamam de coração há esses dois sentimentos, e eles são direcionados pra você como a mira da arma de um matador de aluguel.
Como eu queria que meus sentimentos de ódio fossem balas de um 38 e te atingissem em cheio quando me tratas com indiferença, mas sei que se tais balas te achassem de verdade, os sentimentos de amor fariam com que discasse 192 e chamasse a ambulância para lhe prestar socorro. Tenho certeza que ao lembrar tantas coisas incríveis que passamos juntos, estaria falando com a enfermeira do SAMU com as mãos no telefone lavadas de lágrimas de arrependimento. 
Droga! Não tem jeito, eu odeio amar você. 

Júlia Siqueira

Sonhos


Eu tinha um desejo, daqueles que se fazem quando se defronta com uma fonte e se tem uma moeda no bolso, e ele se transformou em sonho, desses que não morrem quando acordamos, mas que permanece em nossa mente durante todo o tempo. E sonhos não são feitos pra ficar numa abstração, na imaginação, muito menos em um destaque na agenda, tem que lutar pra que eles saiam da mente e ganhe vida na realidade, mesmo que não seja como planejamos. Estou batalhando pelos meus. E você? O que faz com os seus?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sofrer e acreditar


Se eu tivesse um dom especial, desses que só os super heróis de quadrinhos e da TV possuem, queria ter o poder de fazer, por algum instante sequer, com que as pessoas que amo esquecessem de algumas coisas. Esquecer que sofreram na luta diária da vida, que tiveram perdas significativas, que um amor teve que partir (e não só ir embora, mas partir o coração). Mas depois me questiono sobre o seguinte: será que teria boas recordações para colocar no lugar das lembranças ruins? Não sei.
Às vezes o sofrimento ajuda a crescer, amadurecer, a tomar as rédeas de algumas situações, no entanto, aprisionar-se a ele, não! “Tudo um dia dará certo!” ,“O momento pode ser esse! As pessoas não são as mesmas, as circunstâncias também não, nós também não somos os mesmos de outrora. E a vida? Essa tem oportunidades grandiosas pra nós! Eu acredito!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Onde andará o meu amor?


A geografia do mundo e a geografia dos corpos me desafiam na procura do meu amor. Onde se encontra? - questiono-me. Será que sente saudades de mim? Será que sente alegria quando me vê em algum anúncio desses de TV? São tantos “serás” e “porquês” que chego a me perder nessa infinidade de pensamentos questionadores. Mas de uma coisa eu tenho certeza, e não é da morte que nos atingirá em um dia qualquer, em alguma data no calendário em algum horário que também não sei, o meu amor me encontrará e tudo se iluminará em minha vida. Tenho fé.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Frieza



Estou morrendo congelado. Há tanto frio em meu peito que meu coração já bate fraco. Não sei se a vida que existiu aqui um dia voltará a ser vista por mim e por todos ao meu redor. Desaprendi o ardor de viver e amar. Desaprendi a ser eu. 

Uma história pra não esquecer


Não sei onde estou! Se me encontro em um futuro distante ou em um passado próximo, vivendo o agora em um lugar que não há calendários, relógios ou qualquer mecanismo que seja capaz de contar o tempo. –Temos nosso próprio tempo – disse-me uma mulher gorda e sagaz, de dentes alinhados e sorriso sincero enquanto ajeitava os seus óculos esquisitos em seu rosto.
Naquele lugar que nem sabia o nome ouvi histórias feitas pra esquecer, de reis e rainhas que passaram cola em seus tronos e jazeram ali com os traseiros grudados para nunca sair do poder. De pessoas que usavam os seus corpos como tapetes, escadas, rampas para o povo passar. De crianças que andavam de ré e idosos que caíram em abismos por andar sempre pra frente. Nada ali soava normal. Nada ali aparentava o mínimo de normalidade.
Foi quando um forasteiro ali chegou. Trazia em suas mãos um enorme embrulho, todos os olhavam admirados. - O que será que traz ali? – falou a criança tropeçando em seu skate. - De onde vem? – falou uma mulher-tapete. O burburinho quanto ao que trazia o homem aumentava. Ele subiu até a torre alta da Igreja e ali colocou um relógio grande e ajustou-o de acordo com o que trazia em seu pulso. Marcava 14h23min.
A falta do tempo marcado em compassos, segundos, minutos, horas, dias, deixaram as pessoas desorganizadas, a vida maluca. As pessoas não sabiam mais quem eram, pra onde iriam, de onde vieram e um simples relógio e com ele um novo tempo, trouxe novas formas de se viver. As pessoas deixaram de ser tapetes para os outros pisarem e escada para subirem, os poderosos perceberam que a cola os deixavam atrofiados em seus corpos e isso fazia com que logo morressem, as crianças souberam que andar pra frente é melhor e os idosos entenderam que sempre há uma hora pra recuar. A vida ali voltou a existir. E a história se tornou uma pra não ser esquecida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perdas e ganhos


Que eu não perca a minha indignação, a minha força de vontade de tentar mudar o mundo, ainda que o mundo ao qual me refiro seja eu mesmo. Que não me anestesie com as mazelas humanas, com a podridão sociopolítica que nos cerca e que minha boca não se canse um só dia de dizer as verdades que incomodam o meu peito. Uma vez que a vida é de perdas e ganhos, sei que terei que engolir muitos sapos, mas que eu nunca saia por aí vomitando vespas. É tudo o peço todas as vezes quando coloco minha cabeça no travesseiro.

domingo, 30 de setembro de 2012

Procura



Você vivia tão só e triste, ali brincando por entre as flores plantadas perto de sua casa e eu aqui morando entre as estrelas lhe via assim e me entristecia também. Eu queria estar contigo, você precisava de alguém ao seu lado e eu sabia que eu seria sua melhor companhia, então resolvi descer daqui naquela manhã quente de verão. Infelizmente a vida não é tão fácil aqui embaixo como pensei, procuro por você como alguém que procura uma moeda na areia da praia, mas tenho certeza que serei feliz quando te encontrar. 

sábado, 22 de setembro de 2012

Eu sou livre?



Ser livre em expressar o que pensa e manifestar suas opiniões e pensamentos constitui-se um conceito basilar das sociedades democráticas modernas e um princípio da Constituição brasileira vigente (Art. 5, IV). Desse modo, a censura dentro da nova dinâmica social, consiste em um atraso, um retrocesso daqueles que vêem o mundo e a sociedade por um viés anacrônico, olhando pra o passado achando que ele se pode fazer valer dentro das novas realidades do presente. Todos nós temos direito de expressar o que queremos e o que sentimos. Não devemos ter medo de ser criticados em nossas escolhas. Cada ser humano é um universo e cada um sabe de si. Querer que o nosso pensamento e a nossa vontade se assemelhe com a do outro, em gênero e grau, é também um atentado à dignidade humana e ao direito de liberdade que conquistado, mas acima de tudo é um ato de censura. Sejamos nós mesmos e que os outros que não entendem que se resguardem ao direito de respeitar as decisões alheias.

Dom



Um sorriso franco, sincero, com duas covinhas do lado de cada bochecha quando se é aberto para o mundo. Um coração gigante desses que a caixa torácica não suporta, cheio de coisas boas para dar, vender, emprestar e ainda caber em si e não esgotar. Um jeito cativante de ser, de sonhar, de falar, de se enraivecer. Alguém que só de olhar dá vontade de cuidar pra vida inteira.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Platônico


Te ver passar do outro lado da rua faz meu coração saltar como se estivesse participando de uma competição de salto à distância. Perco o chão, não encontro as palavras certas pra dizer quando olha pra mim e, sem saber dos meus sentimentos escondidos, me cumprimenta com apenas um “oi” e me faz ser obrigado à apenas dizer a mesma coisa. Não achava ser possível um amor platônico, se é que se pode chamar assim, mas é. Quantas foram as vezes que fechei os olhos e imaginei um futuro contigo? Inúmeras. Uma ligação tua no meio da noite, um passeio numa tarde de sexta, uma praia no sábado, um filme no domingo e mais uma semana inteira de mimos e carinho. Como pode ser, gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu? - já dizia Vanessa da Mata em sua música. Como pode ser? Ainda não encontrei uma resposta racional para isso. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Imagine

‎           
           Imagine se o sol nascesse só pra os corretos. Que Deus só olhasse pros que oram, para os justos ou para aqueles que obedecem a determinadas leis. Pense por um momento como seria a vida se não existisse o erro, a dúvida e todos tivessem certeza daquilo que fazem e do que dizem.
 Imagine se todos respondessem de maneira igual às questões e situações propostas no cotidiano, tomassem a mesma direção como àqueles que seguem um manual de condutas...
Imagine... só imagine... Porque é só no mundo da imaginação que essas coisas existem.

Procura-se alguém



E de repente você começa a achar a sua vida de solteiro mais sem graça que picolé de chuchu e percebe que o trecho da música de Jobim que diz que é impossível ser feliz sozinho é uma constatação da realidade. Amigos não substituem um amor, por mais pura e linda que seja a amizade.
Procura-se um amor que ria de suas piadas, mesmo aquelas mais batidas e sem graça. Alguém que te ligue às 02:00 quando você já dorme e liga às 06:00 só pra ouvir sua voz ao acordar. Procura-se um alguém pra ficar assistindo uma comédia pastelão na TV num domingo chuvoso, alguém que pregue um susto e te acalme com um beijo.
Procura-se alguém que não elenque os seus defeitos aparentes, mas o ajude a minimizá-los. Que te entenda, que te atenda, que não seja perfeito, mas que te ame do jeito que és, torto, bobo, chato. Procura-se alguém...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Como pode ser?


Eu achava que realmente o tempo curava feridas, fazia-nos esquecer, nos colocava em um estado de memória seletiva em que só o que importa é lembrado ou amnésia temporária, mas não tenho mais tanta certeza disso. Bastou um olhar, pra que tudo pudesse ser trazido de novo à superfície. Lembranças ainda latentes e que eu achava estarem perdidas em um canto qualquer do meu quarto. Conclusão: não se desconstrói um sentimento tão fácil, principalmente se esse tocou a alma, se te fez conhecer o paraíso sem ao menos ter passado pro outro lado, se te fez sentir-se especial diante de tanta gente sem graça. Fácil é ter apenas lembranças, difícil é olhar nos olhos do outro frente a frente e ter uma ponta de certeza que seja de que aquilo não é mais seu. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tempo, tempo, tempo, tempo


Hoje já pego na caneta e escrevo coisas que não são mais remorsos do nosso fim e nem saudades de você. Os nós se desfizeram tão facilmente assim que fico surpreso a ponto de pensar em talvez estabelecer outro elo contigo, de amizade talvez, uma vez que já éramos amigos antes mesmo sermos um do outro. Consigo escutar aquelas músicas que roubamos de seus autores dizendo que eram nossas, passar a mão nos presentes, olhar o álbum de fotografia ganhado de aniversário, hoje sinto o perfume que você usava sem ter de imediato sua imagem na cabeça, hoje tudo voltou a ser eu. Nada que o tempo não se encarregue em mudar. É vida que segue. 

domingo, 9 de setembro de 2012

Distantes



— Oi. Como você está?
— Indo…
— Tenho percebido mesmo.
— O que?
— Que você tem ido. Cada vez mais longe de mim…”


(João Pedro Bueno in Sabedorias)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O que você pediria?



Era o fim. Toda a humanidade acabaria. Os jornais davam conta de anunciar que extinção da espécie humana e todo o seu legado se findariam dentro de alguns dias. Programas na TV só falavam sobre o assunto. Qual seu último desejo se o mundo acabasse amanhã? – perguntava a famosa repórter ao público. Respostas das mais variadas. Um casal de namorados disse que se o mundo fosse acabar mesmo que pelo menos que pudessem morrer juntos, já uma senhora de idade disse que queria ter tempo pra ver os netinhos crescerem.  As respostas variavam, cada um pedindo o que era de seu interesse próprio.
Mas a resposta de um menino de 6 anos surpreendeu a todos. Ele poderia pedir coisas pra si, como ter a coleção do brinquedo que sempre sonhou, ou ter a família reunida pela última vez, contudo falou apenas à repórter: - Tia, se o mundo acabasse amanhã eu pediria que ele não acabasse. A repórter sorriu e tornou a dizer: - Mas o mundo já vai acabar, o que você quer pedir antes disso? Ele voltou a dizer: - Que ele não acabe! Por que senão todo mundo que pede coisa boa não terá como alcançar em pouco tempo, só terão um dia, né?
No outro dia as estações espaciais falaram sobre um erro de cálculo quanto a passagem do asteróide que colidiria com a Terra e poria um fim na humanidade. Ninguém deu muita importância ao fato, afinal outros apocalipses já haviam sido anunciados e não aconteceram. Mas não teria sido o pedido do menino atendido?
Não basta pedir. Tem que saber como e o que pedir. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Palavras da Estrada II



Rostos estáticos sorriem para mim através da janela. Pessoas pobres parecem-me mais ricas de alegria do que meus ricos amigos pobres de amor. Rostos paralisados pela velocidade que me movo contam-me mil histórias de luta pela vida em apenas um segundo. Uma senhora vagueando encostada ao seu casebre fumando cachimbo (cachimbo, acredita?), em toda sua simplicidade, parece saber mais da vida que os doutores.
O rio barroso segue seu curso e se encontra com o céu pacificamente lá na linha do horizonte e, assim, distantes, começam uma transa louca. O sagrado já é mais vil que o profano e todo milagre, por mais que seja humano, é aplaudido em tons róseos e dourados pelo pôr-do-sol.
É triste a vida de quem não viaja, mesmo que lendo um livro sentado numa cadeira, de quem não cruza um novo horizonte, de quem não cruza uma nova fronteira todos os dias. É infeliz a vida de quem não passeia, mesmo que seja na praia, sentado numa rede, o coração morre de fome e a alma de sede; não evoluímos e nos tornamos apenas seres anônimos dentro do trem parado da nossa própria vida.

Valber Santos

domingo, 2 de setembro de 2012

Ainda não passou


O tempo voa, as coisas mudam, e ainda ontem éramos amantes apaixonados traçando planos de um futuro feliz juntos, hoje não mais. Ainda não passou, ainda não saiu de mim a sua voz dos meus ouvidos, mesmo que ela tenha hoje se tornado apenas uma lembrança, um som do qual tento me lembrar, como as músicas boas que tenho descobrir qual o nome quando as ouço no rádio. Lembranças boas, fotografias gravadas em minha memória de um tempo bom, que talvez pra você já se foi, mas que pra mim ainda não passou.


“Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado por você?” (Nando Reis - Ainda não passou)



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Traído


O dia já tinha dado lugar a noite. Cigarro queimando no cinzeiro, dedos segurando um copo pequeno de bar, olhos atentos em algum ponto do cosmos e coração em alguma galáxia perdida. Como pude ter sido enganado assim? Como pude empregar muito da minha energia vital em algo que não me levou a canto qualquer? Perguntas sobrevoavam a mente como aves de rapina prontas para devorarem sua presa. A presa em questão era eu. Ingênuo que fui não conseguia enxergar nada além daquilo que meus olhos míopes queriam me mostrar. Vi pouca coisa, visão vaga e turva, ainda que a razão me fizesse vários sinais de SOS o coração insiste em nos vendar.
But just a lie! Todo peixe morre pela boca! E você morreu pelo excesso de mentiras e pela traição moral que é maior que a física. A mim coube a responsabilidade de voltar a ver, voltar a me enxergar, e entender que eu era além do que podia ter.
Nova tragada, cigarro apagado com o a ponta do sapato, copo deixado com dois dedos de uma bebida qualquer, casaco no ombro e certeza na mente de quem foi traída novamente foi uma consciência que está cansada de apanhar, e essa não é a minha. 

domingo, 19 de agosto de 2012

Clichê


Só vou te bater essa real: EU SEI QUE VOU TE AMAR, POR TODA A MINHA VIDA EU VOU TE AMAR... Não tenho costume de escrever desse jeito meloso, ainda mais usando uma canção batida e clichê como essa, mas o amor não é o maior clichê de todos? Pura realidade. Tô podremente apaixonada mesmo. Já desculpei 1, 2, 6 furadas desde que resolvi ingressar no seleto grupo dos namorados, aqueles “eu te amo” não dado e embutido nos SMS, a festa que não foi comigo, as duas brigas em que eu tinha a razão, mas mesmo assim eu perdoei e relevei e mais outras coisas que só me fazem crer que isso só pode ser amor. Não tem outra desculpa convincente que consiga fazer minha razão entender.
O que fazer nesse contexto? Entregar-me mais e mais a você.    

Júlia Siqueira

Amanhã


... E viveram felizes para sempre... Fim! Acaba a história. Voltemos a cuidar das nossas vidas! Mas o que acontecem com os seus personagens? Vivem mesmo felizes até o fim dos seus dias? Acho que não! Sempre achei que os fins alegres dos romances, novelas, desenhos fosse uma forma de nos fazer acreditar em um amanhã melhor. Acreditamos? Não! Qual história de amor sobreviveu ao até o que a morte os separe? Em que momento o mal padece pelos erros cometidos?  Fechei o livro! Quem sabe o amanhã ali escrito exista em algum canto. Se existir realmente, que um dia eu possa experimentar. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Masoquismo


Te amo ainda. Eu sei que é errado, pois você já não sente o mesmo, mas mesmo assim alegro-me apenas em ter as migalhas da sua atenção, em ouvir alguma mentira que me faça momentaneamente feliz, em ter você como contato no meu celular apenas pra poder ver seu nome quando abro a agenda do meu celular. Restos de atenção, eu sei. Alma masoquista a minha, isso eu também sei, mas sofrendo por amar-te tanto e ser amado de menos é a forma que acho em ter você sempre ao meu lado de alguma forma. 

Ditados populares



Quem procura acha! Não há ditado popular mais coerente. Aliado a este só aquele que diz que os olhos não veem o coração não sente. Mas quem disse que nós os seguimos a risca? Há em nós aquela coisa de detetive que nos leva pra onde o nosso coração há muito já sabe onde vai dar, talvez para que soframos, nos desencantemos ou só pelo simples fato de trazer-nos de volta ao nosso próprio eu acobertado pelas afirmações de que está tudo bem quando se está mais do que na cara que não está. O amor dentro desse arcabouço é um clichê biológico, nasce, cresce, reproduz-se e morre, cabendo-me apenas enterrá-lo com dignidade ou deixar jazendo ao relento. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escalada



Engraçado que mesmo depois de tantos anos ainda consigo me emocionar com o Escalada. O encontro, as músicas, as palestras, as pessoas. Longe de tudo ser uma eterna maravilha, e não é, mas há algo de mágico ali que nos faz ser transportados pra um lugar utópico, diferente e ao mesmo contraditório. Avesso no sentido de que são as mesmas pessoas, pessoas comuns que vemos todos os dias, erradas, errantes, pessoas que julgamos por vezes, brigamos, são seres humanos lotados de defeitos e imperfeições, mas que quando abrem a boca pra falar de Deus parecem que nasceram exclusivamente para fazerem isso.
A tudo isso se reconhece a ironia de Deus, esse brincalhão que sabe escancarar nossas falhas e fazer piada de nós. Um Deus que não vê hierarquias, muito menos grandiosidade, mas que usa de pessoas simples e pecadoras para fazer sua obra acontecer. Entender os seus desígnios não é tarefa das mais fáceis, mas deixar fazer o que Ele deseja em nós é sempre o melhor e mais acertado caminho. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo mudou?



Tudo mudou. O beijo, o toque, o olhar, o jeito de pronunciar meu nome – dizia-me ele, está tão diferente de quando a gente se conheceu. Eu via o brilho de felicidade nos olhos dela, o simples tocar dos nossos lábios me dava arrepios, mas hoje, não sei o que dizer sobre. Perguntei: - Diferente como? Não sei explicar, é complicado. – respondeu-me. As pessoas são como as estações do ano, os aniversários, as datas no calendário, elas mudam o seu jeito de pensar e de agir mais rápido que uma fração de segundos, quando você entender que você também mudou de algum jeito, aí vai perceber que o que você sente atingiu outro patamar, que não é mais paixão, que se tornou amor. – falei a ele. E qual a diferença entre paixão e amor? Pra mim é tudo uma coisa só! – disse ele confuso. Respondi: - A paixão é boa, mas ela passa! Ela não tem o poder de entendimento, de espera, de paciência, ela se acende, se consome e se apaga de maneira rápida, já o amor é diferente. Ele suporta qualquer dor, é compassivo, se alegra com a alegria do outro muito mais do que a própria. Será que a mudança que ocorreu é que a paixão de antes virou amor? –perguntou-me. Assim espero! Se não que pelo menos seja o início de uma grande amizade. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Procuro-me



Onde estou? Quem sou? Me perdi de mim, como criança em festa de largo. Ouço as vozes de minha mãe me chamando. Mas como é meu nome? Como sei que ela me chama? Ela é minha mãe? Ela existe? Eu existo? O que sou? Disseram-me que nós somos um sonho de um ser evoluído que sonha conosco quando adormece e que adormecemos quando ele acorda! Será verdade? Procuro-me e não me acho, quem me encontrar, avise! 
 Perdoe, mas não há recompensas, não sei se valho tanto assim. 

Viagens



Ouvia Los Hermanos dentro do ônibus lotado, era a forma que encontrei de esquecer o tanto de gente que estava ao meu redor e me transportar unicamente pra ti. Quantas horas serão até lá? – perguntei ao motorista já impaciente por minhas constantes indagações. Não gosto de viajar pra muito longe, confesso, me dá impaciência, quero chegar logo, é um saco. Ele me respondeu que teríamos ainda em torno de 16 horas de estrada pra pegar e mais duas paradas pra lanche. Quase morri de tanta ansiedade.
Direcionei então as perguntas a mim mesmo. Será que você mudou? O corte de cabelo, talvez. Emagreceu? Engordou? Estará me esperando na rodoviária? Adormeci. Ao fundo ouvia as palavras de uma música dizendo “eu só penso em você, já não sei mais por que, em ti eu consigo encontrar o caminho, o motivo, o lugar, pra eu poder repousar meu amor.” Sorri e pensei: - Certas respostas vêm mesmo em forma de canção.