domingo, 27 de novembro de 2011

O passarinho e a liberdade

O carinho e a atenção foram chamados de grude, chatice, perene insistência, e outros adjetivos semelhantes. E assim, o gostar que havia aqui foi-se indo, como o passarinho que me deram na gaiola e libertei hoje a tarde, afinal as canções que ele entoava não podiam ser só minhas, era egoísmo de minha parte guardar tudo que era tão belo só pra mim. Por isso a liberdade... Se preciso correr atrás de algo sempre, demonstrar sentimentos nos quais não sinto a mesma reciprocidade, é sinal de que nunca, pois mais preso que esteja a mim, o terei de verdade...

O fim que não acaba

- Em que instante as coisas mudaram? Perguntava ela.
- O problema está em mim! Dizia ele com o clássico dos términos de namoro.
As ligações se tornaram convenções, ficou naquela de “só ligue se tiver vontade, só venha se quiser me ver” da letra da música de Nando Reis, e com isso a cada dia parecia que se jogava uma pedra de gelo na lareira que era o amor dos dois. Os “eu te amo” se tornaram acordos, talvez para tentar reafirmar um ao outro que se gostavam com a mesma intensidade de outrora. Não faziam mais planos juntos porque as suas atividades diárias sufocavam até os poucos e espaçados momentos em que se encontravam.
- Quando vamos nos ver? Indagou ele.
- Em breve! Disse com voz cortante.
Mas o breve não é uma data no calendário...
- Vamos terminar então?
- Acho que já tínhamos terminado!
- Então vamos voltar?
- Vamos!
E a partir daquele dia viveram inícios de namoro durante o dia e términos durante a noite. E se amaram até a eternidade dos seus dias.
Poderia acabar de maneira triste? Sim, poderia. Mas prefiro acreditar que quando tudo se encaminha para o óbvio, uma só coisa por mínima que seja é capaz de fazer tudo mudar.

O ritmo da vida

Um dia pensei que as coisas seriam sempre embaladas pelos ritmos que escolhera. Se queria alegria, samba, melancolia, jazz, dor, fado. Tudo estava atrelado às minhas escolhas, e isso era perfeito no meu pensamento, e só nele mesmo, a vida real, essa na qual meus pés se firmam a cada despertar, possui sons variados, vibratos diferentes, notas agudas e graves, tons altos e baixos e nem sempre a minha voz e os meus desejos nela se encaixam. Porque as coisas não são do jeito que quero? – indagava a mim mesmo como quando era criança e ia sendo repreendido por minha mãe quando queria ver TV até tarde.
Pois é, as perguntas surgiam do nada, sem esperar, e as repostas, no entanto esperavam o momento oportuno para aparecer. Pra mim, ela apareceu num desses folhetos que ficam no balcão da padaria e que poucos se importam com a sua presença ali, nele dizia: “Mudanças, aflições, anseios, lutas, desilusões e conflitos sempre existiram no caminho da evolução. Por isso mesmo, o mais importante não é aquilo que acontece e sim o seu modo de reagir. (André Luiz)”. Entendimento e paciência darão lugar à ansiedade e rebeldia. São os sentimentos que quero e o que buscarei para as músicas que tocarão na minha vida a partir de agora.

sábado, 26 de novembro de 2011

Coisas novas, velhas opiniões


Podem avisar a todo mundo, gritar aos 4 cantos e mais cantos se existirem, colocar em todos os veículos de comunicação possíveis, nas redes sociais e tudo o que estiver ao alcance da massa, que sou, estou e serei feliz! Ceguei os olhos grandes que me invejam, calei as bocas que me caluniam e decidi que a partir de hoje nada me demoverá da idéia de buscar a felicidade plena, minha, só minha. Onde está escrito que preciso ajuda de outra pessoa pra ser feliz? Aliás, dos outros quero apenas que olhem as traves dos seus olhos e deixe que eu sozinho, no espelho tiro o cisco que tem no meu. Do mais, vivo em paz, buscando a alegria que não podem me dar, mas que ali na frente já sorri pra mim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amores possíveis

E eu sonhava com uma história de amor única, uma da qual eu fosse o protagonista e que ela pudesse ser tão linda quanto as do cinema ou dos livros que leio. Mas não acontece assim. Primeiro porque essas belas histórias acabam quando as luzes do cinema se acendem, as cortinas se fecham e somos obrigados a ir cuidar de nossas vidas, ou quando o livro cai, se fecha e dentro dele as narrativas ficam aprisionadas. Agora, quero amores reais, com pequenos finais felizes a cada fim do dia, com “eu te amo” inesgotáveis, beijos infinitos. Amores possíveis, vivências reais.

Desejos


Estava no ônibus e quando te avistei minha mente me transportou para um momento do qual nunca havia vivido, pelo menos contigo. Tua presença me incomodava, ali, parada na minha frente tentando passar pela catraca, pagando sua passagem para o cobrador e cheia de sacolas nas mãos. Não era incômodo propriamente dito, confesso, parecia mais com tensão sexual. Uma vontade de ali mesmo com todos nos olhando beijar sua boca de maneira ardente de modo que o suor brotasse dos nossos poros apenas pela fricção dos nossos corpos quentes. E desse beijo iniciar as coisas que minha cabeça insiste, teima, tortura e deseja que eu faça com você.
Meu desejo era arrancar nossas roupas com rapidez e entregar os nossos corpos ao sexo mais profano e naquele momento final e instantâneo de êxtase e gozo sacralizar o nosso amor. Nosso amor? Não! Apenas meu. Um amor escondido, sutil, envergonhado e velado, mas não menos intenso. Resta-me agora sentir teu cheiro nos breves momentos que nos encontramos e acreditar que tudo que se passa em minha mente possa um dia se tornar real e concreto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rascunhos, erros e aprendizados


Não se pode apagar o passado. Passar um corretivo nos erros, nas palavras ditas em horas impróprias, nas ações que poderiam ser evitadas, porém nada disso poderá ser feito. Riscar as letras das frases pronunciadas em um momento qualquer e seguir a diante com palavras comedidas e repensadas pode ser uma opção, mas deixará exposto o seu erro ali, nos borrões da sua folha, para todos os que desejam ver aquilo que você deseja esconder. Então qual seria a solução ideal para que a redação final da minha vida, não seja mais um rascunho qualquer? Assuma o que fez, levante e diga: - Errei! Posso corrigir! E se disserem, apague tudo, responda que não se pode apagar o que se tem como aprendizado.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Carta para Deus


Pai,
Sei que ando muito relapso. Que não tenho orado com toda aquela força que tinha antes, que todos os dias antes de dormir só faço o sinal da cruz e adormeço. Sei também que as nossas conversas estão sendo cada vez menos constantes e que delas eu sinto saudades, mas mesmo com esse sentimento vem em meu peito a sensação que sou indigno de estar em Sua Presença.
Nessa carta de hoje que endereço a Ti eu lhe peço que permita eu esquecer as coisas ruins que passaram na minha vida pra que eu consiga prosseguir sendo honesto comigo e com os outros. Peço forças para que eu continue dizendo a verdade, mesmo que esta seja dolorosa, amando mesmo que não ganhe amor em troca, sendo amigo mesmo que mal interpretado por vezes, vivendo bem mesmo que apareçam motivos para me demover da idéia de que isso é possível.
Agradeço por estar sempre presente, atento e amoroso comigo, ainda que não consiga nem sempre retribuir o que tens me dado a cada dia. Obrigado de todo o coração. Boa noite. Te amo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Novas atitudes

Parei de esperar grandes coisas das pessoas, o encanto delas duram menos que os 15 minutos de fama de um ex-BBB. Decidi assim, sem grilo, sem neura, que colocarei em prática as palavras da letra da música que ouvi outro dia “de hoje em diante... eu só vou gostar de quem gosta de mim.”. Talvez agindo assim, quem sabe, visualize possibilidades mais radiantes para minha vida. Se todos os dias escolho a roupa que devo usar, as coisas que tenho que carregar em minha mochila, o humor que devo carregar em minha face, por que não posso escolher também os sentimentos que vão no meu coração? Pois então, eles serão escolhidos de acordo com o merecimento de cada pessoa, se por acaso alguém achar que não está existindo correspondência, não posso fazer nada, é minha nova atitude de vida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

E tudo eram flores...

De início me sentia como se vivesse em um jardim florido. Era acordado todos os dias com o cheiro das rosas, a alegria das begônias e a simplicidade dos girassóis. Mas o tempo passou, o jardim não foi cuidado e as ervas daninhas se apossaram daquilo que um dia pra mim foi belo. As sementes do que foi plantado estão ainda aqui esperando água, calor e carinho, embora a sua apatia demonstre que nada disso será possível. O que faço? Abandono o jardim de coisas bonitas que um dia me deu um brilho intenso no olhar ou risco o fósforo nas folhas secas e espero tudo virar cinzas e pó? Não depende só de mim, afinal as duas decisões são definitivas. Depende de nós!
Reconstruir ou destruir? Eis a questão!

O conselho


Nunca pensei que isso fosse possível mesmo sempre tendo escutado essas coisas dos meus familiares. Lembro que certo dia, sentado na varanda de minha casa enquanto brincava com meus carrinhos, minha avó vem em minha direção, óculos no rosto e avental amarrado na cintura dizendo-me o costumeiro conselho quando conversava com alguém: - Quando encontrares alguém que sacuda o seu coração, amarás não só as qualidades mas acima de tudo os seus tropeços, suas falhas, suas caras nada convidativas. Encontrarás o seu ódio, a sua ira, mas também com o seu amor e a sua generosidade. Quando isso acontecer entenderás cada uma de minhas palavras e as ações que hoje condenas e acha errado. Amar é possível meu filho, só que para isso é necessário esquecer tudo aquilo que você aprendeu sobre o amor, jogar fora todas as concepções forjadas ao bel prazer de não sei quem e um dia sentirá e entenderás o que digo.
Começo a compreender...

domingo, 6 de novembro de 2011

Como nascem as histórias de amor


E tudo aconteceu numa madrugada de primavera. O dia já dava os sinais de proximidade, os sabiás já cantavam próximo a minha casa, só não sabia se acontecia o mesmo onde você mora. Tudo era mágico, embora fosse a mágica mais simples. Um instante do qual não conseguirei esquecer nem com Alzheimer. A despedida e a promessa da conversa horas mais tarde. E as horas pareciam que não passavam. O que será isso meu Deus perguntava a mim e a Ele, como que querendo obter uma resposta praquilo que já sabia, nem no vestibular fiquei tão apreensivo e ansioso. Naquele momento mesmo sem saber eu prestava o vestibular do amor.
Foi tudo tão rápido confesso, porém tinha uma intensidade ímpar, havia distância, mas mesmo assim permanecíamos próximos. Eram sentimentos diversos, sensações confusas, mas que me davam alegria por ser capaz de senti-las.
O tempo passou e tudo foi se edificando. Os sonhos se tornaram concretos, as alegrias experimentadas em conjunto e o amor não era mais nosso, mas de todos os que estavam ao nosso redor. Os terremotos? Ah... esses existiram e existirão, mas a solidez de tudo o que foi vivido até aqui será capaz de enfrentar todos eles.
Leoni diz em uma canção “que depois de você os outros são os outros e só...” estaria ele falando da gente? Afinal o que veio antes foi passageiro e não conseguiu se fixar na minha escala das importâncias, apenas passaram usando meias de lã não causando barulho ou deixando marca alguma. Mas você será lembrado pelo infinito, não enquanto durar como diz Vinicius, mas enquanto eu respirar...

Um brinde

Leve batida com um talher na taça de cristal e o anfitrião diz: - Sentemos hoje a mesa com a hipocrisia e brindemos à futilidade das pessoas, ao apodrecimento das relações familiares, a efemeridade das relações humanas, à falta de amor ao próximo, à escassez de sentimentos e por fim às mentiras ludibriantes e às atenções mascaradas e cheias de falsos interesses. Quem se sentir à vontade para fazer outro brinde, por favor, o faça. Todos se calaram. Alguém que estava acabando de chegar ao local se pronunciou: - O silêncio calou a voz de todos que se acostumaram a viver em meio a tudo o que acabou de ser dito. Eu não! Até mais...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Duas opções


Abri as portas da minha casa com o intuito de poder ver o sol, mas ele não apareceu hoje. Então, imaginei-o vindo e tirando toda a tristeza que aparenta os dias de chuva. Pintei o céu com o azul costumeiro dos dias felizes, coloquei sorrisos nos rostos das pessoas e felicidade no coração delas. Pendurei passarinhos no topo das árvores e pedi que cantassem, emprestei bolas, gudes e cordas para as crianças brincarem. Imaginação fértil a minha não? Não! Apenas tenho duas opções todos os dias, me acostumar com o que tenho pra cada dia ou mudar fazendo a diferença. Escolho sempre a segunda opção.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cicatrizes

Tentei reafirmar a mim mesmo que daria certo. Não se esqueça nunca que tentei, que fiz um esforço enorme para ser enxergado na multidão como aquele figurante que quer aparecer mais que o artista de cinema, mas nada deu certo. Pra dar certo alguma coisa em grupo precisa todos quererem a mesma coisa, aprendi isso nas atividades em grupo das aulas de português, ou senão, você fica sobrecarregado tentando levar consigo a displicência da turma. Só que cansei como já havia cansado quando terminei a escola. A mágica acabou e o circo foi embora. E eu estou indo costurar as entranhas dilaceradas pela sua falta de atenção. É isso mesmo, a faca afiada do seu egoísmo e falta de atenção rasgou-me ao meio como uma autópsia mal feita. Mas deixe estar, procurarei alguém para consertar o estrago, e a cicatriz ah... essa pedirei que deixem, não farei uma cirurgia plástica, afinal preciso carregar em mim o peso que foi a nossa história, pra nunca poder esquecer o quanto fui idiota em acreditar em palavras bonitas, conversas fiadas e atenções disfarçadas. 

Um beijo


O olhar. O desejo. As bocas se atraem como se fossem ímãs. Ímãs humanos. Sedentos. À procura do encaixe perfeito. A respiração próxima. O toque. O sentimento. Os olhos se fechando. Talvez eles se fecham pra poder procurar dentro da alma o mecanismo que consiga diminuir a pulsação do coração. Esse coração parece que pula feito uma criança numa cama elástica. Então, a separação. A vontade da repetição. O carinho, o amor.

A gota


Perdido nos pensamentos mais ocultos e envolvido pela solidão desértica e seca da alma. Deliciosos sonhos inacabados... Sonhos interrompidos por mais um amanhecer. Seria bom não mais acordar. Seria bom não mais enxergar pelas fissuras de um simples e belo sonho. Quão ilusória é a mente! Quão frágil e vulnerável é o coração! Quais conclusões tirar a respeito das imaginações? Quais sentimentos alimentar depois de inacabados sonhos ter? Uma busca incessante por apenas uma gota! Uma gota... A gota! Uma gota de pensamentos ilusórios ou sonhos, que sejam! De onde vem? Pouco importa. Melhor concentrar esforços nos seus efeitos transformadores e realizadores a perder tempo imaginando suas causas e origens. - Utopia? -Não! VIDA! Que graça teria ela sendo fácil entender os confusos e sonhadores pensamentos escritos até aqui?


(Wálas Figueredo)
"O fracasso só será definitivo para aqueles que o compreenderem como ponto final da obra. É melhor encará-lo como reticências..."

(Gabriel Chalita)

Tiro ao alvo


Ela vinha caminhando em passos fortes e descompassados e chegou a minha casa com uma cara de preocupação que colocava qualquer atriz global no chinelo. Havia em seu rosto uma dramaticidade nunca vista por mim. O sofrimento estava arraigado e isso ela não fazia a menor questão em esconder, pelo menos de mim. Estou gostando de alguém, - me disse, e eu fiquei em silêncio tentando entender o motivo da apreensão se era uma coisa tão boa afinal. Disse assim: - Sim, e...? Acontece que não sei como agir, tudo é tão confuso pra mim! – respondeu-me. Pronunciei as seguintes palavras em tom de discurso, desses que não dizem coisa alguma mais de alguma forma nos nocauteia: - Gostar de si requer uma permissão que só pode partir de você mesmo, já gostar de alguém requer a permissão do outro. Tiros no escuro nem sempre acertam ao alvo que se pretende atingir!
Ela então se levantou do sofá, saiu e da porta me disse: - Irei arriscar! O nem sempre pra mim é a probabilidade de que posso acertar. E eu gosto de viver do perigo! Sorri e falei pra mim mesmo: - Eu disse as palavras certas!