sábado, 31 de dezembro de 2011

Tudo novo de novo


Que no ano que se inicia, daqui a pouco, brindemos a vida, às pessoas, ao amor. Que este novo ano possa nos trazer muitos sorrisos, mesmo que eles escondam em algum momento certo grau de tristeza e apareça em nossos rostos, amarelos e de canto de boca, mas que os surjam. Quero amar, quero chorar, romper barreiras, trabalhar, ter saúde, me divertir. Permitir-me a ousar e andar por caminhos ainda não trilhados, preencher-me de sentimentos bons e destituir-me daquilo que não me acrescenta.
No primeiro dia do ano novo, quero sair na rua, cara limpa, esperanças renovadas, pés tocando a areia da praia e no vento da brisa que me toca sentir o abraço de Deus, sendo o meu primeiro amigo a me abraçar e dizer: - Quero estar mais esse ano ao teu lado!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Kill me

Deixe-me com a alma rasgada, destruída, mas que me deixe. Não me mate com doses homeopáticas para aumentar o meu sofrimento, faça de maneira mais eficaz. Vá até a cozinha e em meios as prateleiras busque uma taça e encha com o vinho caro e de péssimo gosto que me deu no Natal passado. Nele, dilua um veneno poderoso, arsênico, cicuta ou veneno de rato, para que a minha morte seja instantânea e assim eu me veja livre das suas amarras, desse amor doentio que me sufoca e te faz diferente de tudo que eu imaginei.
Depois do meu trágico desenlace, enterre junto ao meu corpo frio os presentes que me deu, os carinhos disfarçados que disse um dia sentir e deixe tudo ali na cova gélida, para que eles sejam corroídos pelos vermes junto com a minha carne em putrefação e o amor (diria agora ilusão) que um dia havia no meu peito. Coloque flores brancas no meu túmulo e saia sem remorso. Aqui me sentirei feliz. Morri pra você e você também pra mim.  

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Entre duas paixões


Certa vez me disseram que não se podia dividir o coração entre dois amores e era impossível tê-los. Administrar a situação, conciliar o amor, tudo isso era tarefa das mais árduas. E eu sabia. Mas mesmo assim queria me sentir como dona Flor, aquela famosa por dividir-se entre duas paixões, uma calma e tranqüila e outra ardente, dessas que desestrutura a pessoa só com o olhar. Dividir meu coração e equilibrar-me pelas cordas bambas da paixão era meu grande desejo e como alma de equilibrista que tinha resolvi aventurar-me. No entanto, as dificuldades que enfrentaria me derrubam do alto do cabo de força que me sustentava e me arremessa arena abaixo do circo que tentava armar pra minha vida. E lá de trás, em meio à platéia, uma voz baixinha ecoa em meus ouvidos dizendo: - Quem muito quer, nada tem!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Alma gêmea


Nos separamos numa vida anterior e desde então passamos a buscar um ao outro no cosmos. O até que a morte nos separe, dito no nosso casamento, não era suficiente para nós. A morte não existe, pelo menos não pra quem ama. Achei você entristecido, coração partido, bichinho arredio como aquela música que ouvi naquele show em que estávamos presente, mas não nos vimos. Lembra? Foi assim que os nossos corações se encaminharam para o reencontro. Você me pegou pra si, cuidou, deu carinho, amor e atenção, porém não entendia que nós éramos aquelas almas que buscavam incessantemente o amor rompido com o nosso desenlace terreno. Talvez seja o esquecimento que nos cobre quando voltamos a habitar a esfera terrestre. Eu, contudo, não esqueci um só instante de todo amor e estou disposto a fazer você relembrar, em cada segundo, que nós somos feitos um para o outro. 

domingo, 25 de dezembro de 2011

Lua em Aquário (ou Mudanças)

O jornal do dia havia sido abandonado na porta de casa à sorte dos cachorros dos vizinhos fazerem com dele uma montanha de papel picado na rua recém varrida pela limpeza pública. Então bocejando, dentes a escovar, cara amassada e roupa de dormir vestida na noite anterior pelo avesso, fui até a porta fazer minha boa ação do dia. Salvar o jornal novo da destruição canina.
Vislumbrei a manchete em destaque que trazia em letras garrafais vermelhas: LUA EM AQUÁRIO SE APROXIMA TRAZENDO MUDANÇAS POSITIVAS PARA TODOS. Notícias maravilhosas para o ano que vem. E sou de Aquário, será que tem a ver comigo também? -pensei.  Olha que nunca me liguei a essas coisas de astrologia. Irritava-me ver as meninas no colégio passando umas pras outras nas aulas de matemática os testes mais que óbvios daqueles livretos de horóscopo de R$ 0,99. Mas o que custa tentar? – pensei desta vez, dizendo as palavras em voz alta. Então comecei a ler. No amor, lute por quem você ama, persiga, vá atrás sem medo e não se arrependerás. Saúde? Terás um ano saudável. E quanto ao dinheiro e trabalho boas oportunidades estarão disponíveis para todos.
Depois de ler essas palavras, decidido subi até meu quarto, fiz uma mala com as minhas melhores roupas, tomei banho e arrumei-me. Agarrei o velho álbum de fotos, enfiei o tercinho que foi presente do meu vô no bolso esquerdo da minha calça jeans e peguei a Bíblia que ganhei na rifa da minha paróquia e descendo as escadas rapidamente peguei o caminho da rua. Na janela da cozinha minha mãe gritava-me dizendo:
- Vai pra onde menino?
- Vou atrás do meu amor, persegui-lo enquanto não tenho medo de arriscar e tenho o endereço onde mora, disse.
- Hã? Você deve tá doente! Só pode!
- Não mãe, o ano todo estarei saudável.
- E com essa mala desse tamanho deve ir viajar, e vai com que dinheiro criatura? Dai juízo a quem não tem meu Deus.
- Relaxe mãe. Boas oportunidades estarão disponíveis para todos. Ficarei bem. Não se preocupe com dinheiro. Vou te ligar sempre. Te amo!
E uma silhueta desapareceu pela esquina. Era a Lua em Aquário dizendo que as mudanças já começariam a ser feitas.


Cuidado! Frágil!

Cuidado! Frágil! Era a inscrição que deveria vir junto com ela, embora as camadas de plástico-bolha que a revestia mostrassem aos outros o contrário. Bom artifício usado para quem quer demonstrar ser forte a todo instante, mas há momentos em que as melhores baterias descarregam. Então chora, chateia-se, mas logo recupera o riso e a alegria na qual fora constituída e tenta esquecer as coisas que lhe desagradara. Sábia decisão. Decidiu aumentar sua força fundando-a em sua fragilidade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O laço

E numa manhã, tarde ou noite situada em uma estação do ano qualquer, o destino, este que adora brincar com os nossos caminhos, nos juntou para que pudéssemos caminhar lado a lado, coração com coração, riso com riso. Estávamos órfãos de nossas famílias, buscando algo além do que poderíamos nela encontrar e com um toque de mágica, ou melhor, com um rápido movimento desses dos jogos de xadrez, peças semelhantes, mas de pensamentos opostos resolveram unir-se por um laço chamado amizade. Laço este muito forte para quem consegue compreendê-lo da forma que se constitui, puro, fundado no zelo e no carinho e acima de tudo no amor.

Rabiscos


Não fui, não sou e não sei se serei daqueles que escreve cartas de amor para impressionar, que causa um frisson ao chegar em algum lugar, que chama a atenção e toma todos os holofotes e câmeras fotográficas para si. Vivo num mundo meu, tranqüilo, sossegado, fechado, uma coisa quase autista que só eu sou capaz de entender...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Jesus nasce outra vez

“Havia naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam durante vigílias da noite o seu rebanho. E eis que o Anjo do Senhor veio sobre eles e a glória do Senhor os cercou de esplendor. E o Anjo lhes disse: - Não temais, porque eis que vos trago novas de grande alegria que será para todo o povo, pois na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E na mesma hora com o Anjo, apareceu uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: - Glória a Deus nas alturas e paz na terra, boa vontade para com os homens.”
(Evangelho de São Lucas, capítulo 2, versículos 8 a 14)

E o Senhor Jesus nasce mais uma vez em nossas vidas enchendo-nos de esperanças de que um dia as coisas serão muito melhores...

Pra sempre

       Quero passar com você todos os dias da minha vida. Acordar com o sol que levanta, e parece se esgueirar pela nossa janela, refletindo-se em seus olhos castanhos. Anoitecer e ter sempre depois de um dia inteiro várias histórias para compartilhar com você e depois dormir, ou não. Sorrir e ter a felicidade como nossa cúmplice. Amar-te e respeitar-te por longo tempo até que a finitude da existência nos conceda o último suspiro para podermos nos amar na eternidade.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Entre amarras e nós desfeitos

Não me assuste com seus anseios, talvez não seja capaz de correspondê-los. Nasci livre, emancipado, as amarras que me prendiam na mais tenra idade foram cortadas com tesoura cirúrgica na sala de parto. Hoje os laços, os nós que me seguram a alguém são invisíveis como a roupa fina de certo rei dos contos de fadas. Só enxerga aquele que se interessa em vê-los. Então não busque enjaular o leão mais feroz e livre das savanas, porque as conseqüências podem ser das mais danosas, desde marcas profundas na face ao gosto amargo da frustração da tentativa em vão de aprisionar a liberdade alheia. Isto posto, desfaça os laços ridículos com o quais quer enfeitar os presentes que sonha pra mim. Antes de tudo aprenda e treine fazê-los de maneira correta ou todos esses nós que tentar fazer serão facilmente desfeitos por mim.

Mergulho em mim


“Conhece-te a ti mesmo”, era o que estava escrito no Oráculo de Delfos na Grécia, mas não precisei ir tão longe para saber o quão essencial e forte é essa máxima. Então, pé ante pé encaminhei-me para a ponte do que os outros conheciam ao meu respeito para dali saltar na vastidão das águas do desconhecido que sou eu. Não levava comigo roupa especial, oxigênio reserva – talvez até precisasse em alguns momentos – apenas a minha vontade de atirar-me neste deserto habitado de águas caudalosas e calmas. Imergi. Desliguei-me do mundo, das vozes exteriores, dos estardalhaços rotineiros que me consomem. Andei por lugares fantásticos, outros inóspitos. Casas com paredes coloridas e quinquilharias destroçadas jogadas pelo caminho. Jardins de alegrias samambaias e dores de raízes profundas.
Era um lugar labiríntico e ao mesmo tempo espaçoso e aberto como campos de futebol. Permaneci ali, estático, por horas, dias pensei, no entanto tudo ocorrera em apenas alguns segundos. Voltei. Mergulhei em mim e ao retornar só tinha uma coisa em mente. Agora eu sabia o que precisava exatamente para organizar a bagunça vista.  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ser professor

E nós gritamos, brigamos, nos chateamos, mas um simples “fiquei até agora para assistir sua aula” derrete qualquer professor. Ser educador talvez seja assim, por mais amarga que são as situações cotidianas vividas, é nos mais singelos doces ofertados pelos alunos que se encontram a nossa força para acreditar que é na educação que se encontra a maior de todas as revoluções.

Presença

O que eu quero? Você! Desse jeitinho... Olhos caídos perdidos em algum ponto do planeta, distante de tudo e próximo a mim. Sorrindo de preferência, gargalhando se possível, mas você... Num cinema lotado em que eu possa visualizar, além do filme, só nós dois. Mãos se encontrando, cabeça pousada em meu peito, coração batendo num ritmo só, sincronizado perfeitamente como as nossas frases por vezes soam em uníssono ao telefone. Ou por aí mesmo na sua casa, lendo planilhas no seu computador, enquanto me diz no MSN coisas como “eu nunca amei alguém assim antes”. Pois é... Mas enquanto existir essa tal de distância, continuo materializando as formas de sua presença. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Distância


- Distância só existe pra quem quer...
- Disso discordo! Queria está aí agora, mas posso?
- Você está aqui sim! Tem um pedaço seu no meu coração!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobre amores e amantes

É inegável afirmar que todos preferem o sexo com amor. O toque, o cheiro, as risadas durante, os beijos depois, o carinho, as besteiras. Tudo se intensifica, tudo se torna mais vivo. Dois corpos se unem e formam um só, um só corpo, uma só alma. Pode não ser a alma gêmea ou o copo perfeito, mas é o que te completa naquele instante pequeno perante o que é eterno. Sem o amor é como experimentar ser um parque de diversões, te usam como um brinquedo e depois se vão sem se preocupar com o depois. É frio mesmo que o corpo esteja quente e é morto mesmo havendo nos dois a vida. E então, você escolhe qual pra você?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O show não pode parar

A vida não é como um seriado em produção que se pode editar, voltar, cortar a cena ou refazê-la outra vez. Os tropeços nela podem ser bons por nos impulsionar pra frente ou ruins por nos fazer cair no abismo. Isso só depende através de qual ponto de vista vislumbramos as coisas ou a forma que as nossas vivências pessoais se encontram. Tudo é um eterno ensaio, nada está pronto e acabado, e os deslizes, quedas fazem parte de qualquer percurso. Rasgar-se em pesar por algo que fez de errado e deixar correr pelo rosto lágrimas de arrependimento seria o ideal? Não sei. Talvez o choro sirva para lavar de dentro pra fora tudo aquilo que estava represado, varrendo a culpa, a mágoa. Mas depois desse esvaziamento é necessário encher-se de coisas boas, felizes e simples. Erguer a cabeça como aquela modelo que caiu da passarela, refazer a maquiagem como fez o palhaço que chorou pela morte de um ente querido, rever métodos como faz um professor quando suas aulas não vão bem e junto com eles dizer ao grande público que mesmo com tantas adversidades, o show não pode parar!

Pontos finais e pontos de seguimento


Não acredito que a morte é o ponto final que encerra a história, prefiro o entendimento de que as pessoas que vão permanecem em nós e na capacidade que temos em rememorar momentos, conversas, risadas, datas e outras tantas coisas.
Quando me lembro dos que foram dessa vida é como se os visse olhando pra mim lá de cima e com uma piscadela de olho malandra e um sorriso nos lábios me dizendo: - Agora é com você! Então compreendo que o ponto final, que pra muitos é a morte, não passa de apenas um ponto de seguimento. Na outra linha, afastado da margem, com letra maiúscula se constrói um novo argumento.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Soprando certezas

Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro. Sonhos, desilusões, amores, medo, insegurança, coragem, alegria, choro, trabalho, dor. Todos esses sentimentos e ações nos acompanharam em cada instante desse ano, levando-nos ora ao desespero ora à felicidade. E no final de tudo afirmamos a nós próprios que deveria se ter mais uns meses pra consertar o que foi feito, pra dizer o que não foi dito, pra chutar o balde quando se silenciou.
Foi então que dezembro soprou no meu ouvido palavras que me diziam que todas as dificuldades desse ano estão acabando. E janeiro lá de longe me acenou, e em suas mãos trazia uma faixa que dizia: - Esperanças novinhas em folha, logo aqui!

domingo, 27 de novembro de 2011

O passarinho e a liberdade

O carinho e a atenção foram chamados de grude, chatice, perene insistência, e outros adjetivos semelhantes. E assim, o gostar que havia aqui foi-se indo, como o passarinho que me deram na gaiola e libertei hoje a tarde, afinal as canções que ele entoava não podiam ser só minhas, era egoísmo de minha parte guardar tudo que era tão belo só pra mim. Por isso a liberdade... Se preciso correr atrás de algo sempre, demonstrar sentimentos nos quais não sinto a mesma reciprocidade, é sinal de que nunca, pois mais preso que esteja a mim, o terei de verdade...

O fim que não acaba

- Em que instante as coisas mudaram? Perguntava ela.
- O problema está em mim! Dizia ele com o clássico dos términos de namoro.
As ligações se tornaram convenções, ficou naquela de “só ligue se tiver vontade, só venha se quiser me ver” da letra da música de Nando Reis, e com isso a cada dia parecia que se jogava uma pedra de gelo na lareira que era o amor dos dois. Os “eu te amo” se tornaram acordos, talvez para tentar reafirmar um ao outro que se gostavam com a mesma intensidade de outrora. Não faziam mais planos juntos porque as suas atividades diárias sufocavam até os poucos e espaçados momentos em que se encontravam.
- Quando vamos nos ver? Indagou ele.
- Em breve! Disse com voz cortante.
Mas o breve não é uma data no calendário...
- Vamos terminar então?
- Acho que já tínhamos terminado!
- Então vamos voltar?
- Vamos!
E a partir daquele dia viveram inícios de namoro durante o dia e términos durante a noite. E se amaram até a eternidade dos seus dias.
Poderia acabar de maneira triste? Sim, poderia. Mas prefiro acreditar que quando tudo se encaminha para o óbvio, uma só coisa por mínima que seja é capaz de fazer tudo mudar.

O ritmo da vida

Um dia pensei que as coisas seriam sempre embaladas pelos ritmos que escolhera. Se queria alegria, samba, melancolia, jazz, dor, fado. Tudo estava atrelado às minhas escolhas, e isso era perfeito no meu pensamento, e só nele mesmo, a vida real, essa na qual meus pés se firmam a cada despertar, possui sons variados, vibratos diferentes, notas agudas e graves, tons altos e baixos e nem sempre a minha voz e os meus desejos nela se encaixam. Porque as coisas não são do jeito que quero? – indagava a mim mesmo como quando era criança e ia sendo repreendido por minha mãe quando queria ver TV até tarde.
Pois é, as perguntas surgiam do nada, sem esperar, e as repostas, no entanto esperavam o momento oportuno para aparecer. Pra mim, ela apareceu num desses folhetos que ficam no balcão da padaria e que poucos se importam com a sua presença ali, nele dizia: “Mudanças, aflições, anseios, lutas, desilusões e conflitos sempre existiram no caminho da evolução. Por isso mesmo, o mais importante não é aquilo que acontece e sim o seu modo de reagir. (André Luiz)”. Entendimento e paciência darão lugar à ansiedade e rebeldia. São os sentimentos que quero e o que buscarei para as músicas que tocarão na minha vida a partir de agora.

sábado, 26 de novembro de 2011

Coisas novas, velhas opiniões


Podem avisar a todo mundo, gritar aos 4 cantos e mais cantos se existirem, colocar em todos os veículos de comunicação possíveis, nas redes sociais e tudo o que estiver ao alcance da massa, que sou, estou e serei feliz! Ceguei os olhos grandes que me invejam, calei as bocas que me caluniam e decidi que a partir de hoje nada me demoverá da idéia de buscar a felicidade plena, minha, só minha. Onde está escrito que preciso ajuda de outra pessoa pra ser feliz? Aliás, dos outros quero apenas que olhem as traves dos seus olhos e deixe que eu sozinho, no espelho tiro o cisco que tem no meu. Do mais, vivo em paz, buscando a alegria que não podem me dar, mas que ali na frente já sorri pra mim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amores possíveis

E eu sonhava com uma história de amor única, uma da qual eu fosse o protagonista e que ela pudesse ser tão linda quanto as do cinema ou dos livros que leio. Mas não acontece assim. Primeiro porque essas belas histórias acabam quando as luzes do cinema se acendem, as cortinas se fecham e somos obrigados a ir cuidar de nossas vidas, ou quando o livro cai, se fecha e dentro dele as narrativas ficam aprisionadas. Agora, quero amores reais, com pequenos finais felizes a cada fim do dia, com “eu te amo” inesgotáveis, beijos infinitos. Amores possíveis, vivências reais.

Desejos


Estava no ônibus e quando te avistei minha mente me transportou para um momento do qual nunca havia vivido, pelo menos contigo. Tua presença me incomodava, ali, parada na minha frente tentando passar pela catraca, pagando sua passagem para o cobrador e cheia de sacolas nas mãos. Não era incômodo propriamente dito, confesso, parecia mais com tensão sexual. Uma vontade de ali mesmo com todos nos olhando beijar sua boca de maneira ardente de modo que o suor brotasse dos nossos poros apenas pela fricção dos nossos corpos quentes. E desse beijo iniciar as coisas que minha cabeça insiste, teima, tortura e deseja que eu faça com você.
Meu desejo era arrancar nossas roupas com rapidez e entregar os nossos corpos ao sexo mais profano e naquele momento final e instantâneo de êxtase e gozo sacralizar o nosso amor. Nosso amor? Não! Apenas meu. Um amor escondido, sutil, envergonhado e velado, mas não menos intenso. Resta-me agora sentir teu cheiro nos breves momentos que nos encontramos e acreditar que tudo que se passa em minha mente possa um dia se tornar real e concreto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rascunhos, erros e aprendizados


Não se pode apagar o passado. Passar um corretivo nos erros, nas palavras ditas em horas impróprias, nas ações que poderiam ser evitadas, porém nada disso poderá ser feito. Riscar as letras das frases pronunciadas em um momento qualquer e seguir a diante com palavras comedidas e repensadas pode ser uma opção, mas deixará exposto o seu erro ali, nos borrões da sua folha, para todos os que desejam ver aquilo que você deseja esconder. Então qual seria a solução ideal para que a redação final da minha vida, não seja mais um rascunho qualquer? Assuma o que fez, levante e diga: - Errei! Posso corrigir! E se disserem, apague tudo, responda que não se pode apagar o que se tem como aprendizado.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Carta para Deus


Pai,
Sei que ando muito relapso. Que não tenho orado com toda aquela força que tinha antes, que todos os dias antes de dormir só faço o sinal da cruz e adormeço. Sei também que as nossas conversas estão sendo cada vez menos constantes e que delas eu sinto saudades, mas mesmo com esse sentimento vem em meu peito a sensação que sou indigno de estar em Sua Presença.
Nessa carta de hoje que endereço a Ti eu lhe peço que permita eu esquecer as coisas ruins que passaram na minha vida pra que eu consiga prosseguir sendo honesto comigo e com os outros. Peço forças para que eu continue dizendo a verdade, mesmo que esta seja dolorosa, amando mesmo que não ganhe amor em troca, sendo amigo mesmo que mal interpretado por vezes, vivendo bem mesmo que apareçam motivos para me demover da idéia de que isso é possível.
Agradeço por estar sempre presente, atento e amoroso comigo, ainda que não consiga nem sempre retribuir o que tens me dado a cada dia. Obrigado de todo o coração. Boa noite. Te amo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Novas atitudes

Parei de esperar grandes coisas das pessoas, o encanto delas duram menos que os 15 minutos de fama de um ex-BBB. Decidi assim, sem grilo, sem neura, que colocarei em prática as palavras da letra da música que ouvi outro dia “de hoje em diante... eu só vou gostar de quem gosta de mim.”. Talvez agindo assim, quem sabe, visualize possibilidades mais radiantes para minha vida. Se todos os dias escolho a roupa que devo usar, as coisas que tenho que carregar em minha mochila, o humor que devo carregar em minha face, por que não posso escolher também os sentimentos que vão no meu coração? Pois então, eles serão escolhidos de acordo com o merecimento de cada pessoa, se por acaso alguém achar que não está existindo correspondência, não posso fazer nada, é minha nova atitude de vida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

E tudo eram flores...

De início me sentia como se vivesse em um jardim florido. Era acordado todos os dias com o cheiro das rosas, a alegria das begônias e a simplicidade dos girassóis. Mas o tempo passou, o jardim não foi cuidado e as ervas daninhas se apossaram daquilo que um dia pra mim foi belo. As sementes do que foi plantado estão ainda aqui esperando água, calor e carinho, embora a sua apatia demonstre que nada disso será possível. O que faço? Abandono o jardim de coisas bonitas que um dia me deu um brilho intenso no olhar ou risco o fósforo nas folhas secas e espero tudo virar cinzas e pó? Não depende só de mim, afinal as duas decisões são definitivas. Depende de nós!
Reconstruir ou destruir? Eis a questão!

O conselho


Nunca pensei que isso fosse possível mesmo sempre tendo escutado essas coisas dos meus familiares. Lembro que certo dia, sentado na varanda de minha casa enquanto brincava com meus carrinhos, minha avó vem em minha direção, óculos no rosto e avental amarrado na cintura dizendo-me o costumeiro conselho quando conversava com alguém: - Quando encontrares alguém que sacuda o seu coração, amarás não só as qualidades mas acima de tudo os seus tropeços, suas falhas, suas caras nada convidativas. Encontrarás o seu ódio, a sua ira, mas também com o seu amor e a sua generosidade. Quando isso acontecer entenderás cada uma de minhas palavras e as ações que hoje condenas e acha errado. Amar é possível meu filho, só que para isso é necessário esquecer tudo aquilo que você aprendeu sobre o amor, jogar fora todas as concepções forjadas ao bel prazer de não sei quem e um dia sentirá e entenderás o que digo.
Começo a compreender...

domingo, 6 de novembro de 2011

Como nascem as histórias de amor


E tudo aconteceu numa madrugada de primavera. O dia já dava os sinais de proximidade, os sabiás já cantavam próximo a minha casa, só não sabia se acontecia o mesmo onde você mora. Tudo era mágico, embora fosse a mágica mais simples. Um instante do qual não conseguirei esquecer nem com Alzheimer. A despedida e a promessa da conversa horas mais tarde. E as horas pareciam que não passavam. O que será isso meu Deus perguntava a mim e a Ele, como que querendo obter uma resposta praquilo que já sabia, nem no vestibular fiquei tão apreensivo e ansioso. Naquele momento mesmo sem saber eu prestava o vestibular do amor.
Foi tudo tão rápido confesso, porém tinha uma intensidade ímpar, havia distância, mas mesmo assim permanecíamos próximos. Eram sentimentos diversos, sensações confusas, mas que me davam alegria por ser capaz de senti-las.
O tempo passou e tudo foi se edificando. Os sonhos se tornaram concretos, as alegrias experimentadas em conjunto e o amor não era mais nosso, mas de todos os que estavam ao nosso redor. Os terremotos? Ah... esses existiram e existirão, mas a solidez de tudo o que foi vivido até aqui será capaz de enfrentar todos eles.
Leoni diz em uma canção “que depois de você os outros são os outros e só...” estaria ele falando da gente? Afinal o que veio antes foi passageiro e não conseguiu se fixar na minha escala das importâncias, apenas passaram usando meias de lã não causando barulho ou deixando marca alguma. Mas você será lembrado pelo infinito, não enquanto durar como diz Vinicius, mas enquanto eu respirar...

Um brinde

Leve batida com um talher na taça de cristal e o anfitrião diz: - Sentemos hoje a mesa com a hipocrisia e brindemos à futilidade das pessoas, ao apodrecimento das relações familiares, a efemeridade das relações humanas, à falta de amor ao próximo, à escassez de sentimentos e por fim às mentiras ludibriantes e às atenções mascaradas e cheias de falsos interesses. Quem se sentir à vontade para fazer outro brinde, por favor, o faça. Todos se calaram. Alguém que estava acabando de chegar ao local se pronunciou: - O silêncio calou a voz de todos que se acostumaram a viver em meio a tudo o que acabou de ser dito. Eu não! Até mais...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Duas opções


Abri as portas da minha casa com o intuito de poder ver o sol, mas ele não apareceu hoje. Então, imaginei-o vindo e tirando toda a tristeza que aparenta os dias de chuva. Pintei o céu com o azul costumeiro dos dias felizes, coloquei sorrisos nos rostos das pessoas e felicidade no coração delas. Pendurei passarinhos no topo das árvores e pedi que cantassem, emprestei bolas, gudes e cordas para as crianças brincarem. Imaginação fértil a minha não? Não! Apenas tenho duas opções todos os dias, me acostumar com o que tenho pra cada dia ou mudar fazendo a diferença. Escolho sempre a segunda opção.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cicatrizes

Tentei reafirmar a mim mesmo que daria certo. Não se esqueça nunca que tentei, que fiz um esforço enorme para ser enxergado na multidão como aquele figurante que quer aparecer mais que o artista de cinema, mas nada deu certo. Pra dar certo alguma coisa em grupo precisa todos quererem a mesma coisa, aprendi isso nas atividades em grupo das aulas de português, ou senão, você fica sobrecarregado tentando levar consigo a displicência da turma. Só que cansei como já havia cansado quando terminei a escola. A mágica acabou e o circo foi embora. E eu estou indo costurar as entranhas dilaceradas pela sua falta de atenção. É isso mesmo, a faca afiada do seu egoísmo e falta de atenção rasgou-me ao meio como uma autópsia mal feita. Mas deixe estar, procurarei alguém para consertar o estrago, e a cicatriz ah... essa pedirei que deixem, não farei uma cirurgia plástica, afinal preciso carregar em mim o peso que foi a nossa história, pra nunca poder esquecer o quanto fui idiota em acreditar em palavras bonitas, conversas fiadas e atenções disfarçadas. 

Um beijo


O olhar. O desejo. As bocas se atraem como se fossem ímãs. Ímãs humanos. Sedentos. À procura do encaixe perfeito. A respiração próxima. O toque. O sentimento. Os olhos se fechando. Talvez eles se fecham pra poder procurar dentro da alma o mecanismo que consiga diminuir a pulsação do coração. Esse coração parece que pula feito uma criança numa cama elástica. Então, a separação. A vontade da repetição. O carinho, o amor.

A gota


Perdido nos pensamentos mais ocultos e envolvido pela solidão desértica e seca da alma. Deliciosos sonhos inacabados... Sonhos interrompidos por mais um amanhecer. Seria bom não mais acordar. Seria bom não mais enxergar pelas fissuras de um simples e belo sonho. Quão ilusória é a mente! Quão frágil e vulnerável é o coração! Quais conclusões tirar a respeito das imaginações? Quais sentimentos alimentar depois de inacabados sonhos ter? Uma busca incessante por apenas uma gota! Uma gota... A gota! Uma gota de pensamentos ilusórios ou sonhos, que sejam! De onde vem? Pouco importa. Melhor concentrar esforços nos seus efeitos transformadores e realizadores a perder tempo imaginando suas causas e origens. - Utopia? -Não! VIDA! Que graça teria ela sendo fácil entender os confusos e sonhadores pensamentos escritos até aqui?


(Wálas Figueredo)
"O fracasso só será definitivo para aqueles que o compreenderem como ponto final da obra. É melhor encará-lo como reticências..."

(Gabriel Chalita)

Tiro ao alvo


Ela vinha caminhando em passos fortes e descompassados e chegou a minha casa com uma cara de preocupação que colocava qualquer atriz global no chinelo. Havia em seu rosto uma dramaticidade nunca vista por mim. O sofrimento estava arraigado e isso ela não fazia a menor questão em esconder, pelo menos de mim. Estou gostando de alguém, - me disse, e eu fiquei em silêncio tentando entender o motivo da apreensão se era uma coisa tão boa afinal. Disse assim: - Sim, e...? Acontece que não sei como agir, tudo é tão confuso pra mim! – respondeu-me. Pronunciei as seguintes palavras em tom de discurso, desses que não dizem coisa alguma mais de alguma forma nos nocauteia: - Gostar de si requer uma permissão que só pode partir de você mesmo, já gostar de alguém requer a permissão do outro. Tiros no escuro nem sempre acertam ao alvo que se pretende atingir!
Ela então se levantou do sofá, saiu e da porta me disse: - Irei arriscar! O nem sempre pra mim é a probabilidade de que posso acertar. E eu gosto de viver do perigo! Sorri e falei pra mim mesmo: - Eu disse as palavras certas!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Amor e paixão

Existe uma diferença abissal entre o que chamamos de amor, mas que na verdade não passa de paixão. E as paixões passam, mas o amor permanece. Pode parecer clichê pra alguns, mas o amor é caricato sem nenhuma pretensão de esconder isso. Quando se ama a alma é revelada tal como é, as fraquezas são expostas, os “eu te amo” são dito do fundo do coração, não temos medo do que as pessoas acham quando dizem que agimos de maneira ridícula. Essas se apegaram as paixões e nunca tiveram a oportunidade de amar. E as paixões cegam, quantificam o que não pode ser quantificado, como se gostar de alguém ou ser amado pudesse ser enquadrado em regras matemáticas. Amar é sentir, é perdoar, é se destituir daquilo que é não em função de alguém, mas em função de si próprio, sabendo que seu coração é capaz de fazer você sentir coisas inimagináveis. Paixão tem um fim, amor é pra sempre. 

sábado, 29 de outubro de 2011

Desejo

    
      "Desejo que não tenha tanta pressa e que não esqueça de colher estrelas com os olhos, nas noites em que o céu vira jardim, e leva para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça."

Ana Jácomo

Daquele pensamento em diante...


Imaginei-me tendo uma vida diferente dessa que eu vivo e sendo obrigado a consertar coisas feitas nessa que vivo agora. Promessas não cumpridas, abraços negados, beijos renegados, alegrias não distribuídas. Eu era obrigado a passar a massa corrida nas paredes mal rebocadas destruídas pelos meus acessos de ira. Mas eu não conhecia as pessoas, não me sentia pertencendo aquele lugar queria voltar e consertar as coisas ao meu jeito e assim fiz. Daquele pensamento em diante, resolvi não vislumbrar a oportunidade de outra vida para mudar as coisas que fiz nessa. Tentei viver essa não como se fosse a última, mas como se fosse a única. E assim aprendi a pensar mais antes de falar, ser o primeiro em tudo, ser o primeiro a entregar os trabalhos na faculdade, ser o primeiro a dizer “eu te amo”, ser o primeiro a sorrir, a querer o beijo, a rir das minhas infelicidades.
 Daquele pensamento em diante resolvi mudar.

Sinceridades

          Eu nunca lhe prometi nada. Muito pelo contrário, você que havia me prometido coisas que não estavam ao seu alcance. O céu, o mar, as estrelas são o exemplo clássico das promessas que não havia a menor possibilidade de levar a diante, e eu nunca fui idiota a ponto de achar que poderia cumprir com o tudo o que disse me oferecer um dia. Espere de mim educação, cordialidade e um pouco de minha amizade. Se quiser algo a mais se esforce e conquiste para ter a certeza depois, que aconteceu por méritos próprios – foi o que lhe disse. E embora parecesse grosseiro de minha parte, foi a mais pura sinceridade. Às vezes sendo sinceros somos mal interpretados, mas antes façam um juízo equivocado do que eu digo, do que eu sinta estar sendo hipócrita com alguém e acima de tudo comigo mesmo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A lição da borboleta



Aprendi com a borboleta que todos nós temos os nossos dias de lagarta. Corremos folha por folha fugindo daqueles que a querem se ver livre de nós. Andamos devagar, quase parando, enquanto muitos correm quase que tropeçando ou pisando em nós. Aprisionamo-nos em lugares fechados, escuros e esperamos pacientemente o momento em que possam enxergar a nossa verdadeira beleza e por fim nos libertamos. A couraça monocromática que nos fechava agora não existe mais. Ela foi colorida pela beleza de nossas lindas asas. Passamos a ser admirados, todos querem que nós pousemos em suas mãos e proporcione momentos de êxtase e alegria. Estes, são aqueles mesmos que tropeçavam, chutavam e queriam se ver livre de nós. Mas demos uma lição maior. Um dia você é lagarta outro você pode ser borboleta. Essa é a lição da metamorfose.

sábado, 22 de outubro de 2011

Caminhando

Não sei como foi, como chegou, como aconteceu. Quando dei por mim já me vi preso nesse visgo do qual não me queria ver livre. Era bom, me fazia bem. Não sei o nome, a procedência, origem, aliás, pouco sei a seu respeito, no entanto o fato de colorir os meus dias com a sua simples presença, presença essa sutil, comedida eu diria, me dá a certeza que posso caminhar por entre as ruas dessa cidade que me mostra, que dominarei estes terrenos ora inóspitos pela falta de entendimento do que vem a ser você de verdade, ora paisagísticos por compreender um pouco da sua essência. O que vale realmente de tudo isso, de toda essa contradição é a autorização que me foi dada de poder caminhar por seus caminhos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entre pensamentos

E eu continuava pensando em você, mesmo existindo entre nós uma barreira física que contraditoriamente nos aproximava ainda mais. E eu tendia a te querer mais a cada instante, ainda que a razão tentasse alertar-me sobre os perigos que poderia correr e eu a sufocando com os devaneios do coração, este louco desvairado, que me diz que tudo é possível.
E pensando e querendo idealizava lugares, situações, conversas, beijos, carinhos e abraços. Imaginava seu sorriso, a sua fala, o seu encanto, mas de repente um barulho qualquer me trazia de volta à realidade ao meu redor. Calma, uma coisa de cada vez, dizia a mim mesmo, como se pronunciando essas palavras conseguiria acalmar a rapidez dos meus pensamentos e assim concentrar nas tarefas que deixara de lado para fixar meu pensamento em você.
Sempre soube que pequenas coisas eram capazes de abalar grandes estruturas, como aquele castelo de carta que ontem não consegui finalizar, eu colocava a última carta e tudo que estava pronto ruía. Será que é sempre assim quando se gosta de alguém? Desabar o seu mundo para juntar as cartas certas para a construção de um mundo nosso?
Não quero teorizar quero sentir. Cartas na mesa! Vamos escolhê-las?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Respostas? Aguarde as próximas emoções...

Queria entender as entrelinhas das suas frases, as pausas das nossas conversas, o brilho do seu olhar. Em momentos assim acho necessário ter o poder de saber o que se passa na cabeça das pessoas, ter o poder de um telepata, desses que só se vê nas séries de televisão. Mas me pergunto se seria realmente importante ter tal poder. Não sei ao certo, afinal a confusão e o mistério me fascinam. A falta de certeza do que se acontecerá nos próximos capítulos da história, as reviravoltas, os ganchos é o que dá fôlego aos folhetins, as novelas. Aguardo ansiosamente os próximos capítulos então e tempo ao tempo.

Semente

Eu era semente. Um dia me jogaram na terra. Fui terra e semente misturadas, uma confusão sem fim. Veio o calor do sol e queimou a terra, chegou a chuva e a molhou. E eu, semente confusa sentia frio e calor, e experimentava a prisão também, estar ali na terra me aprisionava de algum modo. Então resolvi crescer. Abri meus brotos, finquei minhas raízes ali mas resolvi subir, ir à superfície, formar as minhas folhas, eu podia e assim fiz.  Já não recebia o calor do sol e as gotas de chuva com a mesma apreensão de antes porque aprendi que com elas poderia fazer muitas coisas.
Chegou a mim então o último elemento, o ar, e com um vento forte soprou as sementes presas a mim pra longe. Ah vento! Graças a você estarei tão longe como sempre imaginei, vivendo em outros lugares e mostrando o quão forte me tornei. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Amar e servir: nossa missão


O sorriso é o grande sinal externo de uma felicidade verdadeira que só pode existir se estiver fundada no serviço e no amor. Já viu alguém que não ama sorrindo? Eu pelo menos nunca vi. Há felicidade maior em que doar à sua vida pelo seu semelhante? - pergunta-nos Jesus. Não. Servir e amar são os verbos centrais que constituem o nosso DNA divino, e poucos são os que sabem trazer à superfície essas qualidades. São poucos, como disse, mas há os que sabem fazê-lo.
Na Oração do alpinista, oração oficial do Movimento Escalada está expressa em suas primeiras palavras: Senhor ajuda-me a ser pessoa em clima de oração, a ser sal da terra e luz do mundo, ensina-me a dizer sim como fez a nossa mãe Maria. Entender os significados de ser constantemente pessoa em clima de oração, de ser sal da terra e luz do mundo e de saber dizer SIM como aquele de Maria é conhecer antes de tudo que amar é expressar o que se sente de forma gratuita sem querer o mesmo amor de volta, é colocar pra fora os dons recebidos pelo Pai e ter coragem e peito para enfrentar as vicissitudes das escolhas feitas a exemplo de Maria. Essa é a raiz do nosso amar; amo a mim e a criação de Deus que habita em mim que chego a ser capaz de enxergar no outro a mesma potencialidade.
E a oração segue dizendo: Quero te contemplar no topo da montanha, em profunda paz e intimidade, mas não me deixe ficar acomodado lá em cima, ensina-me a descer para melhor servir. Isso significa que mesmo que eu seja capaz de enxergar o outro como fagulha divina assim como eu e contemplo a beleza nas coisas de Deus em minha vida, amando ao Pai em profundidade, é preciso que eu não me aprisione no comodismo das minhas certezas, mas que eu desça do alto do meu sapato elegante e ajude aqueles que estão descalços.
É preciso escalar a montanha, enfrentar as dificuldades, pois amar e servir não são tarefas fáceis, mas árduas e sempre levando a certeza que Jesus não nos deixará a sós, Ele escalará conosco de mãos dadas.