quarta-feira, 16 de maio de 2018

Mães de todo o mundo, uni-vos!


Mães não precisam viver uma vida inteira devotada a seus filhos para serem reconhecidas como tal. Nem precisam renunciar a sua sexualidade para entrar se enquadrar a um paradigma ultrapassado de revistas femininas de 1910. Muito menos renunciar a si mesma para que seus filhos tenham suas necessidades atendidas ou largar o trabalho para voltar-se para o lar. Mãe é um dos seres mais importantes do mundo, mas não ser mãe não te faz pior que qualquer outra mulher deste planeta.
Coloquem isso na cabeça de vocês. Mães são mulheres e antes do seu sexo as definir como tal, elas são pessoas, seres humanos com vontades, desejos, sonhos, angústias, alegrias e frustrações. Elas precisam sair da sombra de alguém, elas precisam deixar que vocês se virem e esquentem a sua própria comidinha, pois precisa também se arrumar para uma festa com as amigas. Ela vai te ensinar várias coisas para que você consiga se virar sozinho e não seja um imbecil dependente. Chega dessa de mãe é sinônimo de abnegação e submissão à vontade do outro. Mães do século XXI, empoderem-se! Você pode continuar sendo feminina, trabalhar no que quiser, ter uma vida sexual ativa, sair para se divertir e ainda assim amar o seu filho e fazer o que está ao alcance por ele. Antes de tudo você pode ser feliz! Então, SEJA!

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O restaurante lotado e nossas relações vazias


Hoje presenciei uma das cenas mais patéticas desse nosso mundo pós-moderno. Estava almoçando em um restaurante, que por sinal estava bem lotado, quando um rapaz se aproximou da mesa de uma mulher num claro sinal de que iria se sentar ali, pois o lugar estava vago. Iria, do verbo não se sentou, pois, pasmem, a mulher fez uma cara das mais odiosas possíveis e apenas com o olhar conseguiu repelir o moço que ficou novamente sem encontrar lugar. Sim, prato na mão e sofrimento estampado na face, ele buscava um espaço onde pudesse comer em paz.
Quatro mesas depois tinha um casal numa mesa conjugada. Eram duas mesas unidas e quatro cadeiras dispostas. Ao se aproximar o amigo/ marido/ amante/ namorado empurrou a mesa desocupada ao lado deles para que o rapaz a usasse e pudesse ali comer. Obviamente que não com eles, uma vez que se levantaram e trataram de pagar a sua conta, rapidamente. Sim pessoal, hoje vi que temos nojo de gente.
Por que este rapaz não poderia se sentar com um desconhecido para almoçar? Não podemos criar um ambiente tranquilo e conversar com alguém além de nossos laços de amizade? Isso é um crime contra quem?  E essa mesma sociedade reclama que as relações estão frias, que as pessoas não se conhecem mais, que estamos correndo para aplicativos para conhecermos pessoas e nos relacionar com elas, que nos tornamos pessoas frias e não sei mais o que, e na primeira menção a um contato mais próximo, o pânico toma conta de nós a ponto de repelirmos o outro como se tivesse algo contagioso. Onde foi parar a nossa sensibilidade e a nossa empatia? 
Bauman que nos ajude!




P.S: E sobre o rapaz ou qualquer outra pessoa que esteja num restaurante cheio, numa próxima convido ele (s) para sentar (em) à minha mesa, porque hoje ela estava cheia também. 


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Queremos ser eternidade


Quando nascemos inconscientemente já intuíamos: - Um dia a menos. É como se entrássemos em escala decrescente e os anos a mais que tanto comemoramos com alegria, nada mais é que uma contagem regressiva para nos despedirmos desse mundo. Para que nascemos então senão para morrermos a seguir? E de que vale a nossa existência se um dia passaremos a ser apenas uma mera lembrança na vida de alguém que gostava de nós (ou não)?
Não fomos preparados para ser apenas lembrança, um rosto no álbum de fotografias ou um nome numa certidão esquecida. Desde a mais tenra idade fomos projetados para passar as etapas e concluí-las com louvor. A infância e seus joelhos machucados das constantes quedas, a adolescência e sua intensidade, a vida adulta e seus altos e baixos. Era como se a cada passada de fase com sucesso, ganharíamos bônus, moedinhas ou coisas parecidas com qualquer joguinho bobo de celular. E constantemente queremos passar de fase, queremos conquistar os desafios que se impõe e dizer: - Eu venci! 
Aí em um dia inesperado deixamos de ser. O vazio começa a existir e o nada. Para nós, religiosos, nossa alma transcende e somos acolhidos em outro lugar, mas que lugar seria esse? Não sabemos. Então, passamos a não querer conviver com pessoas desconhecidas, não queremos “outra vida”, gostaríamos daquela que construímos com o passar das fases, mas vemos a fase final chegou e fomos derrotados por ela. 
Fim. 
Não estamos preparados para ele. 
Somos instantes, mas queremos ser eternidade.

domingo, 8 de abril de 2018

Jamais aprisionarão nossos sonhos


Nós tivemos antena parabólica em 2000 com muito custo. Era difícil depender dos vizinhos para ver os seus programas favoritos e parcelamos uma a perder de vista depois de insistir para meus avós que aquilo era quase necessário. 
Minha avó, quando meu avô faleceu, rodava mercados economizando centavos para dar conta de colocar comida dentro de casa. Sim, nós íamos de mercado em mercado sempre buscando os produtos mais baratos. Minha mãe ajudava ao seu modo. Vi muitas vezes ela tirando casacos que eram pura naftalina do armário e os colocando no sol para depois usá-los para que eu tivesse roupas novas durante o inverno. Aliás, roupas e calçados só em duas épocas, junho e janeiro, apenas. Viajar não era realidade, exceto quando tinha que acompanhar alguém doente para fazer exames em Ilhéus e Itabuna.
Sempre estudei em escola pública e isso me preparou para a vida. A realidade das pessoas que nos rodeia é, por vezes, mais difícil que a nossa e isso me dava resiliência para não reclamar da sorte. Minha mãe em 2006 teve a oportunidade de estudar por um programa de formação de professores na UESC. Dividia apartamento com outras pessoas para que os custos fossem mínimos e pudesse por fim ter um diploma de graduação. Eu passei no vestibular em 2007 e cursei história na mesma universidade que minha mãe. Peguei muita carona, andei muito de ônibus lotado, passei horas na biblioteca, pagava acesso à internet para fazer trabalhos.
Em 2009 minha avó ficou doente e o que sustentou duas pessoas de uma mesma família na faculdade, uma idosa doente e uma criança de seis anos em uma mesma casa foi termos bons empregos na época, fruto do nosso suor. Minha avó deixou-nos de herança a casa, construída com troca de doces por tijolos, numa época ainda mais difícil. E continuamos a lutar muito para termos o que temos hoje.
Pessoas de “berço” não entendem e nem nunca nos entenderão. Pessoas que nunca tiveram que reutilizar roupas e calçados de outras pessoas não sabem o valor que damos por coisas simples. Pessoas que sempre viajaram não sabe a alegria que é tirar férias fora de casa. Pessoas que nunca tiveram que lutar para construir o que tem hoje porque herdaram de alguém, não sabe o valor de cada centavo que se ganha. 
Pessoas simples sempre lutarão e nunca se acovardarão. Pessoas simples jamais deixarão aprisionar os seus sonhos. 


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Humanos? Talvez fomos um dia.


Vivemos um período perigoso em nossa história. Passamos a nutrir um ódio pelo outro simplesmente por ele pensar diferente de nós. Não dialogamos e não damos as mãos para resolvermos juntos situações e problemas. A culpa é do outro e este outro nos culpa de volta.
A empatia ficou no lixo. Sentimentos e sensações despejadas privada adentro. Guerreamos. A dor alheia tem que ser a primeira a ser sentida, o primeiro golpe e a última palavra têm que ser minha. Eu gozo primeiro. Eu sei mais que você. O mundo girando ao meu redor. Eu, eu, eu. Eu venço, mas me perco.
Humanos? Talvez fomos um dia.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A gente não pode ser só tristeza


Nós ficamos indignados todos os dias. O noticiário só traz miséria, tristeza, morte, violência. Sim, temos vontade de chorar, mas a gente engole o choro e esquece por alguns instantes, porque viver precisa também ser um pouco prazeroso, por isso sambamos, cantamos, brincamos, nos divertimos, ainda que em corações vez ou outra pese uma agonia, uma angústia.
Esquecemos por instantes. Nós nos fazemos deslembrar de quão cruel pode ser a vida, colocamos máscaras em nossos rostos, parecemos não nos importar com o que vemos, lemos, sentimos, num lampejo de esperança de que ao levantarmos de nossas camas no dia seguinte tudo tenha melhorado de alguma forma. E essa esperança é o que nos alimenta a seguir em frente nesse mundo tão complicado.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Ausências?


Falando dia desses com uma amiga psicóloga, ela disse que quem escreve se expressa muitas vezes melhor do que quem faz análise. Talvez seja a escrita uma forma de análise na qual não pagamos ao terapeuta no final exigindo a notinha para que abatamos no imposto de renda. A escrita fala tanto de nós que talvez nem saibamos mensurar quanto.
Hoje minha análise é sobre ausências e como ela nos afeta como um soco inesperado no estômago. A gente não nasceu, definitivamente para sermos sós. Não nos ensinaram em nenhum lugar ou nos prepararam para que estivéssemos sozinhos em algum momento. Já adianto que não falarei de solidão e ser solitário e aquele velho discurso de que um não quer dizer o mesmo que o outro, coisa que já estamos carecas de saber.
Falo de estar só, sem referências para o mundo, em um lugar em que as pessoas se preocupam tanto com seus salários e seus ganhos que se matam de trabalhar a ponto de não estabelecerem com outro qualquer tipo de relação por mais simples que seja. Pessoas que marcam de sair para tomar um chopp e não se encontram afinal, pois estão encobertas em uma névoa de mistério e/ou acham que sua saída precisa ser um acontecimento digno de parecer em sites do segmento artístico. Vidas pautadas em uma rotina fechada e argumentos vazios, além de desculpas esfarrapadas. Não quero aprender isso. Me nego a viver desse jeito, mas a influência é tão grande que por vezes me pego fazendo igual. Seria vírus pós-moderno que nos controla a tal ponto de não nos permitir mais viver? Ou estou sendo muito apreciador de teorias de conspiração e ficção científica?
Perguntas a parte, sinto falta de pessoas que surpreendam, que tenham tempo de contemplar a vida, agradecer a existência e saber jogar conversa fora quando necessário. A rir de si e suas desgraças e entender que elas são uma ótima oportunidade de melhorarmos, a viver sem a pressa de ter e acumular coisas e quinquilharias dentro dos armários de casa e dentro de si, coisas que nunca usarão e ocupam um espaço imenso.
Quando a gente escreve põe coisas que nem imaginamos para fora, sim, é verdade. Talvez seja seu corpo dizendo que é necessário esvaziar-se e não sentir tamanha ausência daquilo que nunca foi presente. É dar a oportunidade jogando entulhos, a gente possa se encher de nós e entender que ainda que muitas vezes esse vazio é a falta de entendimento de que não precisamos muito do outro para fazermos coisas que nos façam feliz. Que um dia aprendamos, quem sabe...