sábado, 11 de novembro de 2017

Corra, não olhe pra trás!


Quando você vê o sua rotina transformar em pesadelo é porque chegou o momento de levar os seus sonhos para outros lugares. Aquilo ali ficou pequeno demais e você, dia após dia, sente-se na obrigação de aparar suas asas para não voar dali ou caber na pequena gaiola ofertada. Mas é chegada a hora de bicar as grades e furar a grade, espremer-se por entre as ferragens, ferir-se e sair.

Corra, não olhe pra trás, siga em frente. Sim, você tem um futuro brilhante, você tem um amanhã melhor, não fique com medo de enfrentar a vida agora que não terá facilmente o seu alimento, você nasceu forte o suficiente para correr atrás dele sozinho. Vá, siga o que o sua consciência lhe diz. Corra! Rápido. Coragem!

Re[leve]

Em algum manual perdido escrito a nanquim há a inscrição em letras garrafais que temos que anular, por vezes, nossa liberdade para viver o que outro espera em um relacionamento. Basta o status mudar, (Ok, estamos namorando!) para que paulatinamente apareçam crises, brigas infundadas e imbecis e o que antes era tranquilo quando era tudo despreocupado e divertido se transforma num caos. Não, não nos prepararam para os relacionamentos, e dos mais diversos possíveis. Tudo é levado com um peso enorme. Acaba-se o feeling e tudo precisa ser vivido de maneira cronometrada e piegas.
O que precisamos entender então para melhorar? Nada! Você não precisa melhorar. O que é ser melhor e pra quem se precisa ser melhor? Quem é o juiz que avalia que você é um merda ou um anjo? Estamos falando de relação ou do Juízo Final? É preciso entender que o que os outros qualificam em bom em você é aquilo que elas avaliaram, mas nem sempre é aquilo que tu és. A vida definitivamente não é um comercial de margarina.
Então, não tem essa de anulação, de mudança, precisamos falar de acolhimento. Acolher o outro com respeito, tolerância e paciência. Respeitar sua individualidade e liberdade, sem a chata necessidade de provar diariamente e em doses farmacêuticas você ama. Ama-se pelo estar junto, ama-se quando você não está 100%, ama-se e ponto. Não tem como problematizar isso. Alguém gosta de você e você gosta desse alguém. Fim.
Olha como seria bem melhor: eu te amo, você me ama, nós nos amamos e vamos viver a nossa vida compreendendo que você não precisa todos os dias estar bem, com o melhor de você, porque todas as suas versões são incríveis, pois elas só refletem o quão diversa você é. Eu dou a alguém a leveza de ser quem ela quer ser, sem que a pessoa seja apenas uma projeção dos meus desejos. Eu permito a alguém ser real e não uma fantasia. Relevo e deixo que a coisa se torne leve, jogo o manual no lixo e reescrevo outro, só meu.

Júlia Siqueira

domingo, 17 de setembro de 2017

Mundo real

A mania de idealização é muito humana. Sonhamos com o trabalho que nos fará felizes, com os lugares que queremos conhecer um dia e como será quando chegarmos neles, pensamos no amor ideal e idealizamos a vida perfeita dentro de uma construção que criamos em nossa mente. Mas o mundo imaginado não é nem de perto tão bom quanto o real, porque este nos surpreende e nos faz caminhar pelos terrenos mais improváveis e impossíveis. O mundo real nos tira da zona de conforto e faz com que nos adequemos a situações nunca antes idealizadas. Isso mexe com a gente de um modo inimaginável, porque passamos a ver as coisas sob o signo da realidade.
O trabalho dos sonhos nem sempre será aquele que lhe dará o retorno pessoal que tanto almeja ou o amor de sua vida nem sempre será um príncipe encantado ou uma garota capa de revista. Sonhar não custa nada, já dizia o dito popular, mas viver se surpreendendo com as mágicas da vida real, não tem preço. 

sábado, 16 de setembro de 2017

O dia em que fui mais feliz

O vento soprou o cheiro de morte que a vela emanava em ti. Morte em vida e das piores. Vestirei luto por sua ida, colocarei um véu sob a cabeça por longos dias, levantarei seu caixão com uma força hercúlea da qual não sabia que tinha, chorarei como carpideira paga para o serviço, jogarei o primeiro palmo de terra em sua cova e me despedirei de seu corpo putrefato em jazigo raso.
Depois dessa cena digna do Oscar de melhor atriz, sorrirei a alegria de sua partida, agora livre das amarras que me impunha, entoarei hinos inaudíveis e proferirei palavras chulas apenas pelo prazer de dizê-las, assim, em voz alta. Talvez faça uma festa que deixe Baco envergonhado, talvez conheça o mundo inteiro em suas piores facetas, talvez conheça corpos de todas as cores e sabores e outros olhares desde os mais pudicos aos mais sacanas, talvez... É, estou mais feliz sem você.  


Júlia Siqueira

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Crescer dói

Crescer dói. É uma dor que rasga a alma e nos faz deitar por horas em posição fetal ouvindo qualquer faixa melancólica de Adele em volume máximo. Cadê meus pais para me tirar dessa enrascada? Cadê aqueles que iriam me proteger por toda a vida? Vazio. Olho pro lado e não vejo ninguém, olho-me no espelho e vejo refletido ali a imagem de alguém que não é capaz de resolver seus próprios problemas, mas terá que fazê-lo mesmo assim.
Crescer dói e é uma dor recorrente. Trabalhar para pagar as infinitas contas que se multiplicam no aparador da sala, cozinhar seu próprio alimento ou viver de fast-food por longos dias até se tocar que precisa colocar toda sua força em se levantar para fazer as compras da semana.  É limpar sua casa ou apenas juntar as roupas lavadas em uma cadeira ao lado da cama e olhá-las por horas sem ânimo para organizá-las no guarda-roupa.
Crescer dói e você precisa se curar sozinho, seja quando o seu coração foi partido ou quando as gripes te derrubam tanto que mal consegue levantar da cama para fazer um chá de saquinho. Você precisa ainda curar as mágoas existentes, lembrar que o mundo gira e que as coisas mudam e que você, só você, é responsável agora por sua vida (e isso é de um assombro medonho). Crescer dói, é verdade, mas só com dor que a gente se modifica e aprende a caminhar por essa vida. 

domingo, 30 de julho de 2017

O vazio me incomoda

Nunca fui daqueles que espera que as coisas cheguem até mim, mas de uns tempos pra cá acabei me acomodando com a vida que tenho. Trabalho, família, amigos e relacionamentos, tudo parecia tão bom e tão sólido que me acostumei a olhá-los de um altar diante de minha cama, a poeira, entretanto, parecia acumular com o tempo e a preguiça de mudar as imagens do lugar.
Era preciso mudar, eu sabia, mas quando não se sabe aonde se quer ir, qualquer direção é caminho, não é mesmo?  Não! Olhei ao redor e vi que estava perdendo tempo tendo a mesma postura diante do trabalho, vivendo da desculpa “vamos marcar qualquer dia desses” que sempre damos aos amigos e negligenciando me aventurar por lugares diferentes. Passou a ser comum não me desafiar, ousar o mínimo, preferir o combo cama, TV e celular a sair. Mas esse não sou eu, não faz parte de mim, então decidi corrigir a rota. Se você olha ao seu redor e tudo que vê não lhe apetece mais é o seu clique para chutar o balde, porque a vida é muito mais que horas infinitas no celular e se matar de trabalho pra pagar as contas no fim do mês. A vida não é um ciclo vicioso de planos incontáveis que nunca saem do papel. A vida não é um lixo e eu quero mais. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Qual seria o erro, então?

O amor disse o seu nome e você não escutou. O amor sentou ao lado e você se distraiu. O amor se insistiu e você o ignorou. O amor decorou seu rosto mas você o esqueceu. O amor lhe sussurrou e você nada ouviu. O amor já foi mais simples e você o complicou. O amor que era óbvio, você crê: nunca existiu. A dor disse o seu nome e você de prontidão. A tristeza se sentou e você deu atenção. A saudade se insistiu e você a agarrou. A solidão decorou sua casa e você não reclamou. A vida já foi mais simples e você a complicou. Aquilo que era óbvio você diz que nunca viu.
Qual seria o erro, então?

Guilherme no blog a Ilha de um homem só.